Trocando passes para o lado, seleção de Mano Menezes é um fracasso

Pedro do Coutto

O treinador Mano Menezes positivamente não conseguiu ainda acertar, depois de vários jogos, um estilo definido (e produtivo) para a seleção brasileira. Os fatos comprovam o fracasso: perdemos para a Argentina de um zero; de dois a zero para a França; empatamos com a Holanda, zero azero. Voltamos à escala zero do incrível empate de domingo em La Plata contra o fraquíssimo time da Venezuela. Em quatro partidas, três amistosas, mas uma pra valer, não marcamos um gol sequer.

Desempenho vergonhoso. E pior: dificilmente vamos evoluir porque o modo de atuar vem se repetindo de forma intoxicante. Trocamos passes para o lado, há poucos deslocamentos, com isso reduzem-se as opções de ataques e temos que tocar a bola dezena de vezes para chegar à áreas adversárias. Domingo à tarde foi mais um triste espetáculo. Um vexame.

Para início de conversa, falta um homem de frente, atacante típico, capaz de intranquilizar a defesa adversária e, assim, distanciá-la das ações de meio campo. Alguém como Luís Fabiano, não digo ele porque não sei se está bem, mas outro atleta do mesmo estilo. Sem atacar firmemente, nenhuma equipe pode vencer. Transformar-se, como se dizia antigamente, num conjunto de armandinhos. Expressão que sintetiza um grupo de jogadores que armam jogadas porém não atiram em gol. Não finalizam.

É o caso de Robinho, Ramires e, surpreendentemente, Paulo Ganso. Este não repetiu contra a Venezuela a boa atuação que teve no Santos quando o clube de Vila Belmiro derrotou o Peñarol e conquistou brilhantemente a Taça Libertadores. É possível que Ganso seja, como vários outros, um craque de time, mas caindo de rendimento no escrete. Aconteceu isso, por exemplo, com Lionel Messi, na equipe da Argentina. Não jogou nada na Copa do Mundo do ano passado. Atuou muito mal contra a Bolívia na abertura da Copa América. No Barcelona, entretanto, é um gênio da bola, equiparando-se aos maiores jogadores de todos os tempos, exceto, claro, Pelé e Garrincha.

Voltando à Seleção de Mano Menezes, percebe-se a predominância de um ritmo lento que leva a uma sensação de sonolência. Que irrita. Sobretudo porque habilidade não falta a craques como Neymar e Pato, este aliás o único que mostrou disposição na partida do dia 3, mas que terminou isolado nas ações ofensivas. Avança, mas não chegava ninguém para lhe oferecer uma alternativa da área adversária. Neymar é extremamente hábil, mas a lentidão da equipe favorece a marcação sobre ele.

Não só sobre ele, supercraque. Mas sobre todo o selecionado. Abrimos mão de velocidade a qual, de fato, abre as melhores perspectivas para a criatividade. Sem velocidade, o time brasileiro se iguala aos demais. Atuamos como s estivéssemos marcando a nós mesmos. Quanto mais veloz for uma equipe, menor  número de passes vai trocar para romper a defesa contrária. Quanto mais lenta, mais fáceis serão os movimentos de cobertura. Uma prova disso? Basta levantar o número mínimo de faltas que os venezuelanos cometeram. Não precisavam. O Brasil jogou sempre atrás. Com isso, só Mano Menezes não vê, percorríamos invariavelmente uma distância maior para organizar nossas manobras.

Pois a bola corre mais do que o jogador. Expressão inclusive usada pelo maior zagueiro central de todos os tempos, Domingos da Guia, numa entrevista a Geraldo Romualdo, Jornal dos Sports, quando em 48 despediu-se dos gramados. Domingos da Guia está para o centro da área assim como meu amigo Nilton Santos, para a lateral esquerda. Quase se encontraram. Mas quando Santos atingia a consagração, Domingos saia de cena. Mas esta é outra questão. Pertence à história do futebol.

Mano Menezes tem de mudar o estilo da equipe. Sem um homem de frente, nada feito. Ele tentou Fred ao substituir Robinho. Melhorou, mas Fred é um estilista, não um ponta de lança que rompa, chute e faça gols. E como dizia o meu amigo Nelson Rodrigues, quem faz gol não precisa fazer mais nada. A frase, evidente, é impressionista. Mas contém uma forte de verdade. Ou Mano muda, ou não ganhamos de ninguém.

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