Trocar o melhor pelo pior

Carlos Chagas

Sérgio Cabral não é mais governador. Desincompatibilizou-se para concorrer às eleições de outubro, provavelmente tentando voltar ao Senado.  Nada haveria a opor, democracia é assim mesmo. Todo cidadão tem o direito de pleitear eleger-se para qualquer mandato.

Não fosse… Não fosse o fato de que haverá uma só vaga de senador por estado, tornando-se as eleições para a Câmara Alta tão importantes quanto as eleições de governador, pois também  majoritárias e igualmente definidoras das tendências e anseios do eleitorado.

Sérgio Cabral, se for candidato, ocupará a vaga de contra-parente, Francisco Dornelles, o  senador mais correto e eficiente da representação do Rio de Janeiro no Congresso. Uma troca que sua condição de governador por dois mandatos torna inevitável, em especial porque Dornelles jamais admitiria  transformá-la numa briga familiar. Não se candidataria contra o ex-marido da prima.

O problema é que a sociedade fluminense sairá perdendo. Nos últimos oito anos, sempre que o Senado viu-se envolvido em questões insolúveis, foi para o ex-ministro da Fazenda que sua maioria apelou, governistas e oposicionistas.  Conservador, jamais deixou de ser democrata. Conhecedor profundo da economia, alter ego de Tancredo Neves, tem sido para ele  que recorrem os colegas,  toda vez  que algum projeto obstrui os trabalhos ou que alguma armadilha impede seu desenvolvimento.

Será uma pena se em vez de continuar essa instância de bom senso e lucidez  vier a assumir alguém contestado, polêmico e ainda não completado para assumir o papel de conselheiro da democracia. Melhor faria Sérgio Cabral se disputasse uma cadeira na Câmara dos Deputados,  certamente puxando razoável bancada fiel à  liderança que exerceu  no governo do Rio de Janeiro.

APAVORADOS

Não todos, é evidente, mas alguns dirigentes do PT andam apavorados.  A começar por Rui Falcão, que nem candidatar-se a deputado ousou, apesar de presidente nacional do PT. Ele joga todas as suas fichas na reeleição de Dilma, imaginando tornar-se ministro no segundo mandato. Mas olha por trás do ombro para a possibilidade de o Lula substituir a presidente, coisa mais garantida para sua permanência no poder. Algum dia ficará esclarecida sua presença na confusão reinante entre os companheiros e sua influência na mídia. Tanto faz, porque prevalece aquela máxima lusitana de décadas atrás, quando um de nossos avozinhos vinha ao Brasil para dirigir um botequim ou um armazém: “quem não tem competência não se estabelece”…

3 thoughts on “Trocar o melhor pelo pior

  1. Sr. Chagas, foi o pior governador do Rio, será que alguém em sã consciência e Dignidade, O faz seu representante (conforme prescreve à Democracia de Sócrates), é só ler a “folha corrida” publicada na Mídia, e ver:
    Não merece “voto”, nem para servir “cafezinho”, se este fosse um País sério….., seu lugar seria outro por muitos e muitos anos, mas, como estamos no Brasil do “berço esplêndido”; em fins de fevereiro/14, 6 revisaram e concluíram, 4 juntos ou mais, lígados com a mesma finalidade, para ser quadrilha, tem que ter CNPJ e registro na Ass.Comercial. O Zé e Maria Povinho, se contenta com pão e circo e sobrevive no me engana que eu gosto. Que Deus nos ilumine em 05/10, mas façamos nossa parte de CIDADANIA, por AMOR À PÁTRIA.

  2. “… democracia é assim mesmo. Todo cidadão tem o direito de pleitear eleger-se para qualquer mandato.” Todavia, Sr. Carlos Chagas, na “democracia” luso-tupiniquim não é assim que funciona. Aqui, só donos de partidos, caciques e seus agregados, enquanto donos do monopólio elleitoral, têm o direito de votar e ser votado. O resto, simples mortais, têm apenas a obrigação de ir votar naqueles que a caciquia partidária nos impõem goela abaixo, ou nulo, ou branco ou abstenção. Na Meritocracia Eleitoral proposto pelo HoMeM do Mapa da Mina sim, todos terão direito de se eleger diretamente, e aí sim estaremos mais próximo da Democracia de verdade, do Governo do Povo, porque os governantes sairão diretos do seio da comunidade, limpos de esquemas. AMéM.
    Na loucura pelo poder, a partir de São Borja (Getúlio, Jango e CIA) até Garanhuns (Lula-Randolfe) passando por Belo Horizonte (Aécio-Dilma) e Recife (Eduardo Arraes), nota-se que o gollpismo-ditatorial e o partidarismo-elleitoral, velhacos, adoram brincar de gato e rato, e tb de gangorra, fato esse que tem obrigado grande parte do povo brasileiro a flertar com o Capeta, e, às vezes, até descer ao próprio inferno e até beijar o próprio dito cujo, aproveitando a viagem pelo fato de já estar lá mesmo. Os caminhos da história do Brasil sempre foram tormentosos e tortuosos, abundantes em tranqueiras, conforme os mares e as curvas dos rios por onde navegaram. Todavia, de 1930 (com o padrinho do Brizola na proa) a 1964 ( com o cunhado do Brizola na popa), a loucura resolveu caprichar na dose, com o gollpe de 30 (que as viúvas do dito cujo chamam de revolução), que impediu a posse de um presidente paulista eleito pelo povo, e com o gollpe de 64 ( que as viúvas do dito cujo II, tb chamam de revolução), que destronou um presidente gaucho tb eleito pelo povo, fazendo assim a história desandar igual maionese. Aliás, com os Brizolas, Arraes e Neves sempre na área e rondando o erário. Curioso observar que durante esse período de obsessão pelo poder, até os dias atuais, a tal “Mosca Azul” botou mais ovos nos municípios de São Borja (RG) e Garanhuns (PE), ao que parece.
    “Lula alerta: ‘aumenta o conservadorismo no País” Lula tem razão. Antes, de conservadores, tínhamos apenas a turma da famigerada ditadura e seus apoiadores, agora temos tb PT, PMDB, PSB e o PSDB, entre todos os outros, jogando no time dos conservadores, tendo FHC e Lula como grandes capitães dos mesmos. Aliás, até o “jovem” PSOL tb já se alistou no regimento de cavalaria do conservadorismo com o seu pré-candidato à presidência dizendo que, se eleito, não fará outra coisa senão cumprir à risca a Constituição que aí está desde de 1988, já remendada à beça, parecendo um nova colcha de retalhos.

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