Trump, a Europa e a primeira virtude da sociedade mundial

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Charge do nani (nanihumor.com)

Leonardo Boff
O Tempo

Os Estados Unidos sempre se distinguiram por serem um país extremamente hospitaleiro, pois, à exceção dos povos originários, os indígenas, praticamente toda a população é composta por imigrantes. Bem como o Brasil, para onde vieram representantes de 60 povos diferentes. O espírito democrático e o respeito às diferenças religiosas estão consignados na Constituição daquele país. Agora, surge um presidente, Donald Trump, que rompe uma longa tradição norte-americana: o respeito às diferenças religiosas.

HOSPITALIDADE – O filósofo Immanuel Kant, em seu último escrito, “A Paz Perpétua”, propunha a República mundial, baseada fundamentalmente em dois princípios: a hospitalidade e o respeito aos direitos humanos. Para ele, a hospitalidade é a primeira virtude dessa República mundial, um direito e um dever de todos. O segundo princípio é constituído pelos direitos humanos, que Kant considera “a menina dos olhos de Deus”.

A hospitalidade está sendo negada a milhares de refugiados na Europa, que estão escapando de guerras apoiadas pelos ocidentais. Essa mesma hospitalidade é explicita e conscientemente recusada por parte de Donald Trump a milhares e até milhões de estrangeiros e trabalhadores ilegais.

CULTURA GREGA – É nesse contexto que vale lembrar um dos mais belos mitos da cultura grega: a hospitalidade oferecida por um casal de velhinhos, Filêmon e Báucis, a duas divindades: Zeus, o deus supremo, e seu acompanhante, o deus Hermes.

Conta o mito que Zeus e Hermes se travestiram de andarilhos miseráveis para testar quanta hospitalidade ainda restava sobre a Terra. Foram repelidos por todos por onde quer que passassem. Mas eis que, num entardecer, mortos de fome e de cansaço, foram calorosamente acolhidos pelos bons velhinhos. Quando estavam se preparando para repousar, despindo seus trapos, resolveram revelar sua verdadeira natureza divina. Num abrir e fechar de olhos, transformaram a mísera choupana num esplêndido templo.

As divindades pediram que ambos fizessem um pedido, que seria prontamente atendido. Como se tivessem combinado previamente, Filêmon e Báucis disseram que queriam continuar no templo, recebendo os peregrinos, e que, no fim da vida, os dois, depois de tão longo amor, pudessem morrer juntos. E foram atendidos.

UNIDOS PARA SEMPRE – Um dia, de repente, o corpo de Báucis se revestiu de folhagens floridas, e o de Filêmon também se cobriu de folhas verdes. Mal puderam dizer adeus um ao outro: Filêmon foi transformado num enorme carvalho, e Báucis, numa frondosa tília. As copas e os galhos se entrelaçaram no alto. E assim, abraçados, ficaram unidos para sempre.

A hospitalidade é um teste para ver quanto de humanismo, compaixão e solidariedade existe numa sociedade. Atrás de cada refugiado para a Europa e de cada imigrante para os EUA, há um oceano de sofrimento e angústia e também de esperança de dias melhores. A rejeição é particularmente humilhante, pois lhes dá a impressão de que não valem nada.

ALGO SAGRADO – Os refugiados vão para a Europa porque, antes, os europeus estiveram por séculos em seus países, assumindo o poder, impondo-lhes costumes diferentes e explorando suas riquezas. E agora, que estão tão necessitados, são simplesmente rejeitados.

Vale resgatar o valor e a urgência da hospitalidade, presente como algo sagrado em todas as culturas humanas. Temos que nos reinventar como seres hospitaleiros para estarmos à altura dos milhões de refugiados e imigrantes no mundo inteiro.

13 thoughts on “Trump, a Europa e a primeira virtude da sociedade mundial

  1. A meu ver, o Articulista Frei Prof. Dr. LEONARDO BOFF, ao analisar a primeira Virtude da Sociedade Mundial, (HOSPITALIDADE), que está falhando nos EUA, Europa, Japão, etc, que trocaram a Hospitalidade pela Xenofobia ( antagonismo aos que vem de fora), não é causado por causa de Religião diferente da CRISTÃ (Ex. Muçulmana), RACISMO ou de puro EGOISMO. Isso são efeitos de uma Causa.

    A Causa disso é a CRISE ECONÔMICA, exacerbada após a crise sub-Prime EUA de 2007-2008. Isso implicou em em altíssimo Desemprego, +- 12% da População Adulta e +- 50% dos Jovens ( 18 -25 anos), com viés de total estagnação, atingindo mais fortemente os Países Economicamente mais fracos ( PIIGS Portugal, Irlanda, Itália, Grécia, Espanha….). O Comércio Mundial que antes de 2008 crescia 6,5%aa, caiu para 1,5%aa com viés de baixa. Depois do crescimento dos Trinta Gloriosos (1946 -1976) que acabou com o Desemprego e mais do que duplicou o Padrão de Vida do Povo, nos últimos 30 anos, o Padrão de Vida da maioria do Povo ( EUA-Europa-Japão…) ficou estagnado, e para os 1/3 regrediu.
    Os Filhos estão vendo claramente que por mais que trabalhem ( quem tem Emprego, nunca terão o Padrão de Vida de seus Pais, que também pararam de melhorar de Vida).

    É claramente necessário que a Economia como um todo se re-equilibre, que a Riqueza/Renda comece a se desconcentrar, e que se gere Empregos de alta Renda para TODOS, especialmente os mais Jovens.

    Aí então, onde há Pão e prosperidade em abundância, a HOSPITALIDADE retornará.

  2. Caro Loriaga, assino em baixo, infelizmente, os 03 poderes estão podres, sacrificando 220 milhões.
    Até que o artigo do Boff, principalmente seu último paragrafo, é um alerta, para a dignidade humana.
    O homem, morre, sua essência, a Alma, é eterna, e presta contas de suas obras, ao deixar seu instrumento de trabalho, no túmulo para os vermes, no Tribunal Divino da Consciência, informação Cósmica, de 2 mil anos: A Cada um segundo suas Obras e Pagarás até último ceitil, Jesus, o Cristo.
    JESUS, nos legou o “Código da Vida” seu “Evangelho”, cujos Artigos, “Parábolas” estão sintetizados: Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao Próximo como a si mesmo, esclarecendo: ai estão todas as Leis e os Profetas, que infelizmente, deturpamos, pelas benesses do Mundo material, repudiando as benesses Espirituais, e estamos a colher o fruto podre, da má arvore que plantamos.
    A situação de desamor, só nos resta, rogar ao Deus-Pai, sua Justiça Misericordiosa, pois as Almas Trevosas, aparentemente estão vencedoras, mais, o Império Romano, caiu, no auge da corrupção.
    Nosso Livre Arbítrio, pelas nossas Obras, nos colocará na Luz e Paz, ou Ranger de Dentes.
    Que Deus nos ajude, com seu Amor Paternal, a sair desse Oceano de lama.

  3. Migre para seus países de origem, praticando os costumes ocidentais abertamente, para conhecer a “hospitalidade árabe”, tente erigir uma igreja católica, praticando o cristianismo,conhecerá o “humanismo” em sua “plenitude”, eles não aceitam o Ocidente, apenas toleram, no fundo, desejam a nossa destruição ou conversão a força, caso contrário, morte e /ou escravização, está escrito no alcorão, ou seja, a religião do ódio, fato!

  4. Há mais de 30 anos, escrevi um texto sobre o medo. Era mais ou menos assim:
    Medo de amar, medo de sofrer, medo de ser feliz, medo de ter medo…

    Sinceramente, nada mais pavoroso nos dias de hoje, do que o medo do trumpismo, a era Trump. A cada twitter do presidente empresário, a Terra e os cidadãos do mundo tremem de medo. Todos temem a eclosão de uma inimaginável guerra nuclear.

    Em poucos dias de governo, o man first (primeiro homem) do planeta, impediu que cidadãos de 7 (sete) países muçulmanos entrassem na América, deixando os amantes da liberdade de ir e vir estupefatos, pois o irmão do Norte se tornou grande com a ajuda dos imigrantes, especialmente os primeiros vindos da Inglaterra, que criaram as bases da nação americana. Esses desbravadores criaram as famosas 13 colônias. Contudo, o big brother acha que os EUA não são maiores, logo messianicamente, através da propaganda difunde a ideia de que tornará a América grande novamente. Está aí, a origem dos fatos alternativos, sinônimo para inverdade ou pós-verdade.

    No afã de cumprir suas promessas populistas na direção da empregabilidade perdida do trabalhador branco americano, o governo ataca a China, porque acham que o país do sol nascente é o culpado. Trump sabe que os empregos perdidos foram parar nos países asiáticos, cuja mão de obra barata atraiu os capitalistas de todo o mundo. O capitalismo não perdoa os custos altos, que diminuem os lucros, a base do sistema. O capital não tem pátria, portanto, atraca no porto seguro para seus negócios, um belo exemplo de pragmatismo responsável. Na China, a mão de obra, além de barata, lá não há regras de proteção social, como a existente no Brasil, por exemplo, copiada da Carta de Lavoro (governo de Mussolini), por Getúlio Vargas.

    Alertado por assessores, Trump se desculpou com o presidente chinês, Xi Jinping pela declaração em apoio à independência de Taiwan, capital da China nacionalista. Uma única China é prioridade absoluta para o gigante asiático.

    O presidente empresário da construção civil impôs sanções econômicas contra o Irã, após o lançamento de misseis balísticos. O acordo nuclear com o Irã/Europa /EUA costurado pacientemente pelo presidente Barack Obama está sendo implodido. Parece que, Trump quer varrer do mapa, as pontes construídas por Obama, no plano externo e no plano interno, como vem tentando acabar com o Obamacare, o audacioso programa de Assistência Médica para atender aos pobres cidadãos americanos, àqueles que, não podem pagar um Plano de Saúde.

    Trump ama a convergência, mas odeia a divergência. Diante das críticas, o governante perde a paciência, fundamental postura dos estadistas e homens públicos. O presidente hostiliza sistematicamente a imprensa de seu país. Nas coletivas de imprensa, ele interrompe as perguntas do interlocutor com a expressão: wait, wait, wait, Corta a conclusão da pergunta, espere, espere, espere, para demonstrar que já entendeu o recado, com um misto de despotismo e ironia.

    Nos primórdios do governo, o primeiro homem navega na esteira do marketing da recente campanha eleitoral, na qual venceu a candidata democrata, Hilary Clinton. Mas, chegará a hora, que seus eleitores, cansados da propaganda, vão querer algo mais na direção da solução das suas vidas. Se a teoria não vier acompanhada da prática, àqueles que o apoiaram serão os primeiros a lhe virar as costas, então será tarde demais.

    Nuvens negras ameaçam a humanidade. Por falta de estadistas, os cidadãos do mundo estão votando em amadores, que preferem os fatos alternativos, ao invés, da realidade nua e crua dos fatos. Prenúncio de tragédias no horizonte!

  5. Texto boçal e confuso.
    Então Trump nega hospitalidade ao deportar quem imigrou ilegalmente e comete crimes? Ou por construir um muro e impedir o serviço de traficantes e coyotes?

    Trump nega o respeito ás diferenças religiosas por querer ajudar uma minoria (cristãos sírios) que está sendo exterminada por ser cristã? Ou por suspender a imigração de países com terrorismo endêmico (que por coincidência são islâmicos e foram selecionados por Barack Hussein Obama) até que se consiga filtrar potenciais terroristas?

    É Boff quem desrespeita nossa inteligência.

  6. Seria bom CN colocar algum post e atribuí-lo a Leonardo Boff, para comentarmos. Eu me lembraria de Monteiro Lobato:

    PEDRO Pereira Pedrosa tinha uma habilidade rara: imitava na perfeição a voz dos animais. O coim-coim do porco, o au-au do cachorro, o bé do carneiro, o relincho do burrico, tudo ele reproduzia de modo a enganar todo mundo.

    – É tal e qual – diziam os ouvintes maravilhados.

    Um dia apareceu na cidade um homem se propondo a derrotar o imitador.
    – Vamos os dois imitar em público a voz dum porquinho; e se eu não ganhar a partida, cortem-me a cabeça!

    Chega o dia. Enche-se o teatro. Pedro apareceu confiante na vitória e imita o leitão novo de modo a entusiasmar o público.

    – O outro, agora! O outro!… berra a assistência.

    Apareceu o outro, embrulhado num capotão. Preparou-se, remexeu-se e, de repente:
    – Coim! Coim! Coim!…

    Vaia estrondosa.
    – Fora! Fora! Pedro ganhou! Pedro imita melhor! Fora…

    O sujeito abriu o capote e suspendeu pelas orelhas um leitãozinho que trazia oculto.

    – Vaiai, senhores, vaiai o verdadeiro autor dos coinchos, pois foi este porquinho quem berrou e não eu…

    Os espectadores entreolharam-se encafifados.

    Mais vale cair em graça do que ser engraçado.

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