Trump governa para os ricos, alastra a pobreza e Los Angeles já tem mais de 60 mil moradores de rua

Número de moradores de rua em Los Angeles aumenta 12% em 2018 - Mundo - iG

Em Los Angeles, cresce muito o número de moradores de rua

Rafael Balago
Folha

Donald Trump e sua família se tornaram bilionários erguendo e negociando imóveis. Curiosamente, a principal promessa de campanha do republicano na habitação não é fazer mais casas, mas sim dificultar a edificação delas.

Nas últimas semanas, o presidente passou a dizer que fará de tudo para impedir a construção de moradias mais baratas perto de subúrbios americanos, aquelas regiões que nos acostumamos a ver nos filmes, com casas de jardim na frente e quintal ao fundo.

PROMETE TRUMP – “As pessoas que vivem seu estilo de vida de subúrbio dos sonhos não serão mais incomodadas ou atingidas financeiramente por casas de baixo custo em suas vizinhanças”, afirmou Trump em julho, ao encerrar um programa criado por Barack Obama que buscava facilitar o acesso à moradia popular.

Esse discurso vai na linha do comportamento apelidado de “not in my backyard” (não no meu quintal): pessoas de classe média e alta buscam impedir a construção de residências mais baratas perto de onde moram, por temer que a região perca valor, prestígio ou segurança.

“Esse discurso é comum em aplicativos fechados de mensagens entre vizinhos”, conta Juliana Torres, 30, pesquisadora que mora na Califórnia há cinco anos e se mudou de Los Angeles para Berkeley em julho.

VIZINHOS UNIDOS – Juliana conta que lá é comum o uso do app NextDoor, que conecta moradores de um mesmo bairro. Para entrar nele, é preciso de um código enviado pelo correio —uma maneira de evitar a presença de intrusos.

Cada comunidade que dificulta a construção de moradias agrava o problema da habitação nos EUA. Faltam cerca de 3,3 milhões de casas para suprir a demanda do país, segundo dados da empresa de financiamentos Freddie Mac.

“Na Califórnia, em 75% dos terrenos voltados à moradia, pode-se construir apenas uma casa a cada 250 metros”, diz Paavo Monkkonen, professor de planejamento urbano na Universidade da Califórnia em Los Angeles.

ALUGUÉIS ALTÍSSIMOS – A Califórnia tem o terceiro custo de habitação mais alto do país, atrás do Havaí e do Distrito de Columbia —que engloba a capital americana, Washington—, de acordo com a consultoria Experian.

A pandemia esfriou o volume de negócios, mas não os preços. Em Los Angeles e San Francisco, aluguéis de US$ 3.000 (R$ 16 mil) mensais por um apartamento de dois quartos seguem sendo a regra.

Para comprar uma residência na Califórnia, é preciso gastar em torno de US$ 600 mil (R$ 3,2 milhões), seis vezes mais do que no Arkansas e na Virgínia Ocidental, estados mais baratos do país para morar. A presença de grandes empresas de tecnologia, como Apple, Google e Facebook, e de universidades desejadas por alunos estrangeiros atrai abastados, o que joga os preços californianos para cima.

MORADORES DE RUA – Assim, esse panorama faz com o que estado de maior PIB dos EUA também esteja no topo de outro ranking: o de moradores de rua. São cerca de 150 mil pessoas nessa situação, segundo os últimos dados federais, de 2019. De cada quatro habitantes sem teto do país, um vive na Califórnia.

“Com a pandemia, o problema se exacerbou. Em janeiro, havia 60 mil moradores de rua em Los Angeles. Com a Covid, criou-se um programa para alojá-los em hotéis, mas não havia quartos suficientes para nem 10% deles”, estima Monkkonen.

Sem moradia, é comum ver pessoas dormirem em carros, o que gerou um debate em universidades sobre liberar os estacionamentos das instituições à noite, para que alunos em dificuldades possam pernoitar.

DORMIR NO CARRO – Além da segurança, a busca por vagas em lugares fechados é uma forma de evitar que o automóvel seja guinchado. Em muitas ruas, só se pode parar em dias alternados. Quem se confunde com as datas pode ter o veículo apreendido e ficar sem teto de vez.

Para impedir que mais pessoas percam a casa em meio à pandemia, o governo da Califórnia determinou um veto a despejos até janeiro de 2021. Outras medidas para facilitar o acesso à moradia, no entanto, enfrentam resistência.

Apesar de a habitação ser um tema da campanha presidencial, a maior parte do poder de decisão sobre como ocupar as cidades fica a cargo de estados e condados (equivalentes aos municípios). Washington influencia mais na facilitação de financiamentos e liberação de dinheiro.

OFERTA DE ÁREA – “Cada governo local busca facilitar o acesso à moradia de acordo com sua realidade”, diz Carlos Leite, professor de urbanismo do Insper e do Mackenzie.

“O problema é que a oferta de terra nas cidades uma hora acaba. Aí cabe ao Estado regular como usar melhor o espaço disponível para beneficiar mais gente.”

Rival de Trump, Joe Biden promete investir US$ 640 bilhões (R$ 3,4 trilhões) em um programa federal para facilitar o acesso a casas próximas a locais de trabalho e de escolas, com construções menos poluentes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente matéria. Mostra que os EUA seguem o Brasil na tentativa de conviver a miséria absoluta e a riqueza total. È claro que isso jamais dará certo. Outra consequência, além dos moradores de rua, é o aumento da criminalidade. Por isso, a maior preocupação dos economistas hoje é a redução das desigualdade sociais, somente alcançada nos países nórdicos, que adotam a social democracia, o resto do mundo neoliberal está podre. Pensem nisso. (C.N.)

13 thoughts on “Trump governa para os ricos, alastra a pobreza e Los Angeles já tem mais de 60 mil moradores de rua

  1. A matéria fornece dados interessantes. Mas cuidado, nos Estados Unidos o governo federal não tem os poderes do nosso! Lá é uma federação de verdade. Aqui é de brinquedo!
    Assim, criminalidade, desenvolvimentos regionais, tudo é diferente do que temos por aqui.
    Trump se preocupa muito mais com questões e relações externas, sendo que algumas delas influenciam internamente. Cada estado é quase um estado autónomo e em muitas questões se diferem. No caso de moradores de rua, quem traça as políticas em Los Angeles?

  2. Urbanismo, franjas urbanas, áreas conturbadas, territórios e por aí vai. Tudo remete ao planejamento urbano, como as cidades foram concebidas. Infelizmente nossas cidades inicialmente tiveram como modelo o urbanismo europeu, contudo este foi perdendo terreno para o americano em termos de taxas de ocupação.

    Isto aliado a religiosidade do brasileiro e a permissividade dos políticos quanto a natalidade, a ocupação irregular de áreas impróprias – alta declividade, risco de deslizamentos – nos conduziu a situação atual de sempre correr atrás do prejuízo.

    Nosso caso é completamente diferente da América do Norte. Sempre – sempre – fomos pobres e explorados. Já aos americanos coube menos inglórias, embora os pobres de lá oriundos das “farm” geraram a grande disparidade social.

    Divaguei um pouco. Sorry. Mas estávamos em urbanismo, construções de caráter social. O poderio americano envolve tão somente vontade política e militância para resolver a questão habitação. São trilhardários.

    Nós pobres iremos sempre correr atrás do prejuízo habitação enquanto não houver educação real e condizente para todas as classes sociais.

  3. Os Trump trabalharam nas suas business como qualquer empresario trabalharia
    Trump tem dado aos EUA prosperidade aqueles que tem trabalho
    A comunidade de emigrante mesmo os ilegais que estao trabalhando tecem elogio a economia americana
    O numero de desabrigado aumentou depois da pandemia e perderam o emprego e nao conseguiram pagar os morgates ou a rent e estao nessa situação como em qualquer lugar do mundo
    O EUA nao segue a país nenhum eles tem personalidade e a propia convicção e personlidade extruturada
    Todos pequenos empresários ou autônomo estabelecido tecem elogios a administração Trump sejam americanos ou imigrantes
    Nunca tivemos uma taxa de juros tao baicha na ecomia americana seja para comprar casa ou carro etc etc
    Nao vejo como excelente reportagem acima mas sim como um vies analitico de posição contraria esquerdista

  4. Até parece que os problemas da sociedade americana começaram com Trump. Se estava tudo tão maravilhoso em 2016, porque ele foi eleito? Republicanos e democratas governam para os ricos. A concentração de riqueza entre os americanos vem crescendo há décadas e nenhum dos dois partidos tomou medidas efetivas para mudar algo. A própria mídia americana reconhece isso:

    “Durante os dois mandatos de Reagan, a participação do 1% [mais ricos] na receita do país cresceu pela metade, de 10% para 15%. Sob George HW Bush, a participação de 1% na renda permaneceu quase a mesma. Sob os dois mandatos de Clinton, cresceu cerca de um terço, para 21%.”

    “Outra bênção para os ricos promulgada sob Clinton foi inadvertida. Em campanha em 1992, ele prometeu limitar a dedutibilidade de impostos para salários de executivos a US $ 1 milhão. O objetivo era deter o forte aumento nos salários dos CEOs. O que Clinton não previu foi que depois que o projeto se tornou lei, as empresas começaram a dar aos altos executivos seus aumentos na forma de opções de ações, que, porque essas empresas alegavam não saber seu valor final, estavam fora dos livros (e, portanto, cresceram em ainda mais desenfreada). Como o valor das opções de ações aumentava e diminuía com o mercado, mais do que como resultado da administração do CEO, era difícil defendê-las por motivos meritocráticos. O governo Clinton mais tarde agravou seu erro ao resistir aos esforços do Congresso para exigir que as opções de ações fossem contabilizadas como despesas. Arthur Levitt,chamou de “o maior erro que cometi em meus anos na SEC”. A contabilização das opções de ações acabou se tornando obrigatória no governo de George W. Bush, como resultado do escândalo da Enron.”
    http://www.msnbc.com/msnbc/bill-clinton-defends-his-record

    Os republicanos podem ser mais socialmente insensíveis em sua retórica – já eram assim antes de Trump, e isso foi um dos motivos porque ele foi escolhido pelos republicanos em vez de Jeb Bush, o candidato considerado perfeito pela mídia -, mas não significa que os democratas sejam muito melhores na prática.

    • Uma retificação: Trump foi escolhido nas primárias do partido republicano pelo voto popular, em detrimento dos pré-candidatos favorecidos pelas lideranças do partido e pelos donos do dinheiro, cujo favorito era Jeb Bush, filho e irmão de ex-presidentes, que gastou 100 milhões de dólares e não venceu uma primária sequer. Trump foi muito favorecido por eleitores independentes, nos estados onde não era necessária filiação partidária para votar nas primárias dos republicanos. Houve quem dissesse que Trump teria sido muito votado por democratas que esperavam impingir aos republicanos o pior candidato e assim ajudar Hillary Clinton.

  5. Brasileiros radicados nos EUA palpitando…qual seria a proposta? Dividir o quintal dos outros, em nome do social? Cracolândia em LA, nenhuma palavra…dos 150.000, 95% usa meta e heroína, tadinhos, tudo culpa do Trump.

  6. Artigo informativo a respeito dos problemas internos dos patrões da família Bolsonaro. O conhecimento de suas misérias não nos confortam, seria melhor exibir seus sucessos para, talvez, servir de estímulo aos nossos conformados concidadãos. Oportuna e adequada a nota da redação.

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