TSE faz licitação para iniciar voto impresso em urnas de 2018, mas será só um teste

Ponta pé traseiro com urna eletrônica - Artista: Simanca

Charge do Simanca (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reportagem de Guilherme André Vieira e Ricardo Mendonça, Valor desta terça-feira, revela que o Tribunal Superior Eleitoral dá início hoje, quarta-feira, a uma licitação para adquirir 30 mil urnas e impressoras eletrônicas, que vão imprimir nas próximas eleições, cópias dos votos lançados nas eleições. Surpreende a pressa que estabelece prazo de apenas 14 dias para empresas apresentarem suas propostas. Provavelmente esta licitação é a última a ser realizada sob a presidência de Gilmar Mendes. Isso porque Luiz Fux assume o Tribunal Superior Eleitoral em fevereiro.

A questão é complexa. Existe a possibilidade de o voto com recibo vir a ser utilizado como um meio de fortalecer empresários rurais e os controladores dos votos populares.

HÁ RISCOS – Estes riscos existem sempre, embora uma das premissas do sistema projetado seja a de que o eleitor ou eleitora visualizam o recibo na tela, mas este não deve ser portátil e sim ficar arquivado num depósito eletrônico lacrado.  Tal depósito somente poderia ser aberto em caso de recontagem determinada pelo próprio TSE. Entretanto, estamos no Brasil, onde nas últimas eleições para a Câmara Federal, deputados eleitos tiveram em 2014 a votação quase absolutamente igual à votação de 2010.

Chama atenção também o fato de o projeto em licitação referir-se apenas a 30 mil, que representam apenas a parcela de 5% das urnas existentes em todas as zonas eleitorais brasileiras. Assim as 30 mil urnas significariam apenas um teste na mecânica do sistema proposto, aprovado pela lei de reforma política que entrou em vigor no ano de 2015.  Antes da nova licitação, houve experiências isoladas com três empresas, porém nenhuma delas conseguiu apresentar alicerces de segurança adequados.

ALTO PREÇO – O preço estimado agora para contratação efetiva situa-se na escala de 6,8 milhões de reais. A Universidade de São Paulo, a Universidade de Campinas e o Instituto Tecnológico da Aeronáutica reúnem as condições para operar o sistema pelo preço cotado de 6,8 milhões de reais. Mobilizaram-se também duas empresas particulares: Instituto Fitec e o Instituto Certi. O primeiro baseia-se num preço de 12,5 milhões e o segundo no preço de 13,1 milhões de reais. A sorte está lançada.

Os repórteres André Guilherme Vieira e Ricardo Mendonça lembram, entretanto, que numa entrevista recente o Ministro Gilmar Mendes calculou que as impressoras deverão ser contratadas separadamente e conectadas às 30 mil urnas existentes. Assim observa-se que o sistema global parte de uma ação dupla, unindo impressão e conexão.

A PRIMEIRA VEZ – Se implantado para 2018 será a primeira vez que o eleitorado brasileiro, desde 1945, adotará uma operação prevendo a visualização do voto popular e seu armazenamento, em seguida. Esse, de acordo com o projeto, será um meio de evitar a cobrança do sufrágio por patrocinadores capazes de exercer influência sobre os votantes.

Vamos esperar para ver o que acontece.

11 thoughts on “TSE faz licitação para iniciar voto impresso em urnas de 2018, mas será só um teste

  1. Mas como as licitações daqui ,geralmente, sao fraudulentas, creio que o custo seria bem menor. Caberia , talvez, à policia federal ajudar … Sei lá, pois ela é a unica instituição confiável, no meu modesto entender..

  2. A leitora e comentarista Suzie Pilon fez no blog Jornal da Cidade On Line fez a seguinte sugestão “Talvez devêssemos declarar nosso voto assim que votarmos e ter voluntários em cada sala, fazendo uma apuração paralela e dessa forma a falcatrua não seja concretizada.”, que é simplesmente SENSACIONAL e a trago para que declaremos o nosso voto tão logo o sufraguemos nestas nefastas urnas eletrônicas, no entanto é preciso que todos os partidos políticos que estejam concorrendo com os seus candidatos tenham voluntários em cada seção eleitoral (em cada sala de votação), para que seja feita uma apuração paralela, de modo a impedir que a falcatrua não seja concretizada.
    O que os leitores e comentaristas da Tribuna da Internet acham sobre essa sugestão?

    • Declarar o voto em áudio?
      Ou então cada eleitor poderia tirar uma foto do voto c/ seu celular e assim garantiria uma prova do seu sufrágio – nem precisaria dos representantes dos partidos.
      Ou dar um print, sei lá…
      Acho q estou falando bobagem, mas seguro morreu de velho!

      • Prezada leitora e comentarista Maria Lucia Fernandino,
        A declaração do voto do eleitor brasileiro não seria por meio de áudio, mas, sim, de viva voz.
        Ao sacramentar na urna eletrônica o seu voto o eleitor declararia em quem votou.

        • Prezada leitora e comentarista Maria Lucia Fernandino,
          Não é permitido votar com aparelho celular.
          Se o eleitor levá-lo tem que deixá-lo em lugar indicado pelos mesários.

          • Não daria certo pois todos os partidos gostam do jeitinho que está…
            Abundam bandidos em todas as quadrilhas, se lhes agradar chamem de partidos.

            sanconiaton

            PS
            Além do mais, o tse
            em hipótese alguma permitiria…

  3. França, Alemanha, Holanda e inclusive o Chile fizeram eleições com voto com caneta e papel e urna de plástico transparente. No Chile a apuração final dos votos ocorreu às 21 horas, 3 horas após o final da votação. E com detalhamento de votos por cidade, publicado pelo El Mercuryo.
    É outra balela dizer que a apuração manual é demorada, pois contra fatos não existem argumentos (é claro que os chatos mimados virão com teorias pseudoestatísticas contestando coisas que ocorreram no plano material e são portanto incontestáveis).
    Na verdade o sistema eleitoral brazuca é a base de todo o aparelhamento politico para se manterem no púdê, como diz o coroné sarney, eternamente.

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