TSE reduz nmero de candidatos ao Senado

Pedro do Coutto

Respondendo a uma consulta do senador Francisco Dornelles, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu que as coligaes partidrias em torno das candidaturas aos governos estaduais tm que concorrer ao Senado no mximo com dois candidatos dos partidos em alianas, pois a Lei Eleitoral atribui s coligaes o mesmo tratamento dado s agremiaes polticas. Portanto, para duas vagas, renovao de dois teros este ano, somente dois candidatos.

Matria sobre a deciso do TSE, que foi tomada na noite de tera-feira, foi publicada pelo O Globo na edio do dia seguinte, 12 de maio. A restrio atinge a coligao PSDB-DEM-PPS, que apia Fernando Gabeira para governador. O PV, uma das legendas da aliana, havia lanado a vereadora Aspsia Camargo. Mas o DEM apresentou o ex-prefeito Cesar maia e o PPS o ex-deputado Marcelo Cerqueira. So trs os nomes, portanto. No vai dar. Um deles ter que ser cortado. Cesar Maia, que firmou acordo com Gabeira, inclusive com parte do projeto de oferecer uma base no Rio a Jos Serra, vai ser mantido. Assim, ou sai Marcelo Cerqueira do PPS, ou sai Aspsia Camargo, do PV. Algum ter que ser afastado do panorama.

Este panorama prev as candidaturas a senador de Marcelo Crivella, que busca a reeleio, Jorge Picciani, pelo PMDB, Lindberg Farias pelo PT, Cesar Maia pelo DEM, mais provavelmente Marcelo Cerqueira, j que o candidato ao Palcio Guanabara pertence ao Partido Verde. A impresso que se tem, hoje, que de todos, o favorito Marcelo Crivella, embora seu desempenho no Senado tenha sido fraco.

Porm ele possui uma base de votos em torno de 20% do eleitorado, alcanou isso em todas as disputas das quais participou: Senado em 2002, Prefeitura do Rio em 2004, governo do RJ em 2006. Tem a seu lado a fora da Rede Record de Televiso, a organizao da Igreja Universal, alm do apoio que recebeu do presidente Lula. Cesar Maia, Picciani, Lindberg e Marcelo Cerqueira vo lutar pelo segundo posto.

Um enigma. O desfecho vai depender mais da habilidade de cada um destes do que propriamente de suas qualidades ou defeitos. que na renovao de dois teros do Senado, cada eleitor pode votar em dois candidatos. A malcia est na perspectiva de uma corrente receber votos de outra e no devolver a votao, ou seja, o DEM votar s em Cesar Maia, o PT apenas em Lindberg. O PMDB exclusivamente em Jorge Picciani e o PPS dirigir sufrgios somente para Marcelo Cerqueira. A eleio, desta forma, vai ficar confusa.

H precedentes na histria do Rio de Janeiro. Em 1954, por exemplo, quando Caiado de Castro chegou em primeiro lugar, a UDN concorria com o lder catlico Hamilton Nogueira, o antigo PSD com Gilberto Marinho. Carlos Lacerda, o deputado mais votado, fechou com a chapa Hamilton-Gilberto. O PSD no. Votou somente em Marinho. Resultado: elegeram-se Caiado e Gilberto. Em 62, o fenmeno se repetiu. Brizola apoiou Aurlio Viana, que venceu disparado. Lacerda, ento governador da Guanabara, lanou Juraci Magalhes, apoiando tambm Gilberto. O PSD voltou a se concentrar apenas em Gilberto, que recebeu os votos de Juraci e no devolveu. Resultado: voltou a ser eleito novamente em segundo lugar.

Esta caracterstica vai reger novamente as eleies deste ano para senador pelo Rio de Janeiro. Quem motivar e iludir melhor os eleitores dos outros, vence, assegurando a segunda cadeira. A primeira parece ser a de Crivella. Vamos ver.

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