Tucanos e democratas acabam de demonstrar que, no Brasil, o dia seguinte sempre consegue ficar um pouquinho pior do que a véspera.

Carlos Chagas

Depois da recusa de Aécio Neves de concorrer à vice-presidência da República na chapa de José Serra, o PSDB perdeu tempo precioso ficando  de braços cruzados, até que no fim de semana, numa jogada infantil, sem consultar seu  principal  aliado, o DEM, lançou o senador Alvaro Dias para vice de Serra.

Não era o candidato ideal, mas daria para o gasto, ex-governador  do Paraná, senador por três legislaturas e líder da oposição. Mas os democratas sentiram-se humilhados e ofendidos por não terem  sido  consultados e  ameaçaram  retirar-se da candidatura Serra.

Numa prova de inexplicável fraqueza, o  próprio Serra aceitou recuar e sacrificar Alvaro Dias, com o qual  já  se comprometera.  Deixou aos democratas a tarefa de indicar o candidato a vice.

Pois dentro da estratégia de jogar barro no ventilador, assim como  haviam feito os tucanos, os democratas acabam de oficializar o seu candidato, por sinal já aceito por Serra e  companheiros: trata-se do deputado Indio da Costa, do Rio de Janeiro.

Com todo o respeito, alguém já ouviu falar de Indio da Costa como líder nacional?  Quantos  votos ou que tipo de apoio trará para Serra? Pode ser um jovem e promissor deputado, mas ainda sem estrutura nem estatura para o cargo, quando o lugar de vice, não sendo de Aécio Neves, deveria ser oferecido para alguém com qualidades políticas menores, mas parecidas.

Pelo   jeito,  tanto os democratas quanto os tucanos estão   considerando perdida a batalha contra Dilma  Rousseff. Jogam no quanto pior, melhor. Não  será com Indio da Costa que chegarão a lugar algum, vale repetir, com todo o respeito ao indicado.

Já imaginaram se, por hipótese remota, José Serra viesse a ser eleito e adoecesse? O presidente do  Brasil se chamaria Indio da Costa…

Agora, é com a Justiça Eleitoral

Esgotou-se ontem o prazo para a realização das convenções partidárias destinadas a indicar os candidatos às eleições de outubro. A partir de hoje ficará de fora quem não tiver sido indicado pelo respectivo partido para concorrer à Câmara dos Deputados, ao Senado, às Assembléias Legislativas, governos estaduais e presidência da República.

Caberá à Justiça Eleitoral apreciar cada um dos milhares de pedidos de registro dos candidatos para decidir, à luz da legislação, se poderão disputar as eleições. Os tribunais regionais e o Tribunal Superior Eleitoral deverão manifestar-se em função da  recém-aprovada lei da ficha limpa, rejeitando as candidaturas de quantos cidadãos tiverem sido condenados por sentenças exaradas por juízos colegiados.

Cada caso será um caso, aguardando-se também a manifestação relativa àqueles que tiverem renunciado a antigos mandatos como forma de evitar a cassação pelas respectivas câmaras.  Haverá recursos para  as instâncias eleitorais superiores, esperando-se que até o dia da eleição as pendências estejam resolvidas.

Importa passar da teoria à prática: terá a lei da ficha limpa caído do céu, da noite para o dia, banido da prática política  de uma vez todos os bandidos, vigaristas e criminosos historicamente abrigados atrás de mandatos? Ou os que no exercício das representações populares praticaram atos delituosos?

Nem pensar. A nova lei constituiu um avanço, mas, apenas, o primeiro passo com que se inicia uma longa marcha. Condenados em primeira instância poderão safar-se. Também os sentenciados por tribunais, mas sem a respectiva pena transitada em julgado. Mesmo assim trata-se de  um começo promissor.

Pressões de toda ordem

Enquanto presidiu os Estados Unidos, John Kennedy costumava comentar a impossibilidade de governar sem pressões. Contestava políticos, sociólogos e filósofos que sustentavam dever os governantes agir à margem dos múltiplos e conflitantes interesses de grupos sociais dispostos ao seu redor. Governar é administrar pressões, dizia, com a ressalva de que as decisões deveriam estar voltadas para o bem-comum.

O presidente Lula deveria estar bem consciente dessa lição, depois de oito anos de governo. Ainda agora, descasca um pepino de vastas proporções. Em agosto aposenta-se por limite de idade o ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal. Será preciso nomear o seu sucessor, de preferência o melhor jurista de reputação ilibada e alto saber. O diabo é que as pressões sucedem-se sobre o Lula como as ondas do mar batendo na praia, mesmo sem conotações malsãs.

O ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, é hábil conselheiro presidencial  e tem um candidato. O atual ministro da Justiça, outro. O ministro das Defesa e ex-presidente do Supremo, Nelson Jobim, um terceiro. O ex-presidente José Sarney, um quarto. Sem esquecer o Superior Tribunal de Justiça e a maioria dos atuais integrantes do Supremo  Tribunal Federal, com mais dois.  O PT também dispõe de uma preferência.

Qualquer solução que o presidente Lula escolher determinará amuos e ressentimentos, mas fazer o quê? Impor imperialmente o novo ministro, sem ouvir ninguém, será um risco. Esperar consenso ao seu redor, um sonho. Imaginar eleição para a mais alta corte nacional de justiça, um pesadelo. John  Kennedy tinha razão.

Cobranças

Não voam em céu de brigadeiro as relações entre o Brasil e a França. Apesar   das promessas do ministro Nelson Jobim, da Defesa, e do próprio presidente Lula, o presidente Nicolas Sarkozy anda desconfiado de não sair até o final do ano a assinatura do contrato para a venda dos 36 aviões de caça franceses à Força Aérea Brasileira. Menos pelas centenas de milhões que precisaríamos gastar, mais pela pressão dos Estados Unidos contra a operação, a verdade é que as negociações com Paris estão paralisadas. Até para satisfação de nossos pilotos…

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