Tudo continuará na mesma

Carlos Chagas

Enquanto permanecia em vigor o pacto de colaboração entre a Alemanha nazista e a União Soviética stalinista, Molotov, ministro das Relações Exteriores, visitou Goering, em Berlim. O alemão gabava-se de seu país já ter vencido a guerra, enfatizando estar a Inglaterra de joelhos. Só que naquela hora tocou uma sirene de alerta e ambos correram para o porão, onde o russo indagou maliciosamente: “Se a guerra já estava ganha, porque tinham que permanecer num abrigo anti-aéreo durante mais um bombardeio inglês sobre a capital do Reich”…

Assim parece a questão energética entre nós. O ministro Edison Lobão conclama a população a gastar mais energia, negando a hipótese do racionamento e confirmando para breve a queda de 20% nas tarifas. Só que não apenas em Brasília, mas no país inteiro, sucedem-se os apagões, entre imagens da monumental queda no nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas. Na Esplanada dos Ministérios todo mundo tem gerador, evitando-se, assim, constrangedora pergunta que algum visitante faria ao senador pelo Maranhão, se estivesse no seu gabinete durante uma dessas interrupções.

Não há como o cidadão comum deixar de concluir que a periódica falta de energia está ligada a um racionamento futuro, mesmo com o governo explicando ter sido a causa uma falha nas linhas de transmissão. Os raios foram expulsos das desculpas por iniciativa da presidente Dilma, mas até pouco também serviam como resposta.

Esperar que São Pedro venha em nosso socorro é precário, por isso vem sendo acionadas as termoelétricas, com todo o prejuízo causado pela poluição da atmosfera, por conta da utilização de óleo diesel. O singular é que, voltando os reservatórios a encher, tudo continuará na mesma, mais um fruto podre da privatização do setor energético.

MENOS ENTUSIASMO

De São Paulo vem informações confirmando viagens do ex-presidente Lula pelo país, mas com dimensões bastante reduzidas. Ele dedicaria dois ou três dias por mês para visitar obras realizadas durante seus dois mandatos e, uma vez ou outra, assentamentos de sem-terra que deram certo. Como janeiro já está na metade e o roteiro não foi completado, imagina-se que o périplo se inicie em fevereiro, ou seja, o Lula fará onze viagens. Para muitos companheiros, é pouco…

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