“Tudo pode acontecer na vida da gente”, diz Bolsonaro ao não descartar saída do Mercosul

Bolsonaro voltou a torcer pela vitória de Lacalle Pou no Uruguai

Mateus Vargas
Estadão

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira, dia 25, que “tudo pode acontecer na vida da gente”, quando questionado se o Brasil pode deixar o Mercosul devido a mudança política na Argentina. Em entrevista ao Valor, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse que não está descartada a saída do Brasil do bloco.

O presidente repetiu críticas ao presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández. “Agora, não vou à posse de um cara que se elege falando ‘Lula Livre’, não vou”, declarou. Bolsonaro criticou proposta de Fernández de congelar preços e subir salários.

CRÍTICAS – “Você acha que vai dar certo? Vai ser a primeira vez no mundo que dará certo. No Brasil tentaram várias vezes e não deu.  Boa sorte para ele, só acho que não vai dar certo”, afirmou. Bolsonaro disse esperar que acordos feitos com Maurício Macri sejam mantidos. “Nada contra o povo, nem governo, queremos que contratos assinados sejam cumpridos”, disse.

Bolsonaro voltou a torcer pela vitória de Lacalle Pou a presidente do Uruguai.  “Espero, pelo que tudo indica, vai ser confirmado o Lacalle no Uruguai. Uma vez confirmando, vou ligar para cumprimentá-lo, e em março irei à posse”, disse

DISPUTA – A diferença entre os candidatos presidenciais que participaram da eleição de domingo, 24, no Uruguai é tão apertada em relação aos votos “observados” ou duvidosos que a população terá de esperar a corte realizar uma recontagem. O tribunal eleitoral uruguaio afirmou que os resultados da disputa entre Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional, e Daniel Martínez, do Frente Ampla, deve ser divulgado na quinta ou sexta-feira.

A apuração inicial apontou que Lacalle Pou obteve 48,71% dos votos e Martínez, 47,51%, Os funcionários da corte eleitoral darão início na terça-feira a uma nova contagem das cédulas de votação em cada um dos 19 departamentos do Uruguai.

UNIÃO EUROPEIA –  Segundo o presidente, a ideia do Brasil será reforçar acordo do Mercosul com a União Europeia em encontro da cúpula do Mercosul, que ocorre de 2 a 6 de dezembro em Bento Gonçalves (RS). “Depende dos parlamentos. União Europeia e nossos aqui. A gente vai divulgar o que for possível. É muito bom para o comércio nosso e da Europa”.

O acordo Mercosul e União Europeia foi anunciado no fim de junho e prevê uma série de alterações em temas tarifários e não tarifários. A negociação entre os dois blocos levou mais de 20 anos para ser concretizada.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGBolsonaro criticou Fernández e suas medidas econômicas, dizendo com segurança que não dará certo. Independentemente do resultado, é interessante ver o nosso presidente fazendo prognósticos na casa vizinha, quando por aqui, ele diversas vezes repetiu que “não entendia nada” sobre o assunto e que no caso de dúvidas era para perguntar para o ” Guedes”. Vai entender. (Marcelo Copelli)

12 thoughts on ““Tudo pode acontecer na vida da gente”, diz Bolsonaro ao não descartar saída do Mercosul

  1. E não entende mesmo. Nem de MERCOSUL, nem de economia.
    A saída do MERCOSUL, não lhe avisou o Ernesto, significará o caos, pois milhares de acordos normativos terão de ser revogados e substituídos por arranjos bilaterais com os três países.
    Alguém saberia informar quando no Brasil algum plano econômico aumentou salários?

  2. Não precisa entender nada de economia para perceber que congelar 300 a 500 produtos por seis meses e aumentar salários por decreto (inclusive os públicos) nunca deu certo em lugar nenhum do mundo. É um remendo idiota que, quando arrebentar, vai ser pior que brumadinho.

  3. O fato é que todo o Ato Internacional ou Tratado Internacional celebrado pelo Presidente da República tem que ser ratificado pelo Congresso Nacional (Constituição Federal, art. 49,I). Logo, a denúncia de um Tratado Internacional, no caso o Tratado de Assunção, pode ser feita pelo Presidente, mas depois o ato terá que ser referendado pelo Congresso Nacional, caso contrário não terá validade. É o princípio do paralelismo das formas.

  4. TEIMAR com o velho continuísmo da mesmice do sistema apodrecido, à paisana e fardado, pela direita, pela esquerda ou pelo centro, ao qual estamos amarrados feito reféns, súditos e escravos há 130 anos, é mais do que mais dos mesmos, é mais do que burrice, é autoflagelação. Tentar justificar a eleição de Bolsonaro com delírios é dose pra jumentos, assim não dá, assim não é possível. Eu sempre me achei um ignorante que tinha e ainda tem muito o que aprender, mas quando vejo alguns artigos e comentários, me sinto até um Rui Barbosa, um Gandhi…, em condições até de mostrar novos caminhos. Ora essa, não há como negar que o socialmente desejável está condicionado ao economicamente possível. A China, governada pelo Partido Comunista Chinês, sacou isso há muito tempo, e tratou de se reinventar, cabresteou o tal capitalismo, o está levando em rédeas curtas, e o colocou para trabalhar como instrumento do sucesso pleno do bem comum, medida essa que está levando a China à condição de 1ª potência econômica mundial, colocando os EUA, o QG do capitalismo mundial em polvorosa, prestes a ser batido pela China que se deu ao luxo de colocar 100 bilhões de dólares à disposição do Brasil, mesmo tendo em Bolsonaro um xucro de extrema direita, tipo capacho norte-americano que faz do Brasil fundo de quintal de Tio Sam. O que a China está dizendo ao Brasil senão se vc quiser ser grande de verdade, vc tb vai ter que se reinventar, frente aos EUA e a Europa-mãe que tb se reinventou para peitar Tio Sam. E como reinventar o Brasil, em não sendo governado pelo Partido Comunista Chinês, e pior ainda, em estando há 130 anos em estado de guerra tribal, primitiva, permanente e insana, protagonizada pelas famigeradas, direita, esquerda e centro, à moda tudo por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, com todos os bônus para elle$, e o resto que se dane com os ônus ? Percebem, que, no Brasil encalacrado, diferente da China, temos que enquadrar não apenas o capitalismo selvagem mas tb a direita, a esquerda, o centro, selvagen$, e, sobretudo, a guerra tribal primitiva dos me$mo$, se reinventar conforme as nossas próprias peculiaridades, como passaporte para o mundo desenvolvido e civilizado, como propõe a RPL-PNBC-DD-ME, o Projeto Novo e Alternativo de Política e de Nação, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso, que não está na área por acaso, mas, isto sim, para preencher uma lacuna histórica gigantesca, e assim alavancar o gigante adormecido para o sucesso, para que ocupe o seu lugar no tempo e no espaço no campeonato das nações ?

    • Prezado Loriaga.
      Desde que o dólar se tornou moeda mundial nós somos escravos. Sem perspectiva de mudança, acrescento, por causa da prostituição dos nossos ladrões domésticos.

  5. ““tudo pode acontecer na vida da gente”, quando questionado se o Brasil pode deixar o Mercosul devido a mudança política na Argentina.”

    -Certíssimo!

  6. O Mercado Comum MERCOSUL, ( Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela suspensa desde Dez 2016), e Países Associados: ( Chile, Bolívia, Colômbia, Peru, Equador, Guiana e Suriname), como todos os Mercados Comuns são formados para fomentar o Comércio entre os Países Membros e permitir a livre circulação de Produtos/Capitais/Pessoas.

    Os Países Membros se obrigam a pagar uma Tarifa Externa Comum (TEC) sempre que importarem Produtos/Serviços de fora do Mercosul. Os Países Associados estão desobrigados da TEC mas devem dar preferência em igualdade de condições.

    A TEC do Mercosul abrange +- 9.000 Produtos e vai de:
    0% Livros/Revistas Técnicas
    16% a 18% Queijos/Lacticínios/Leite em pó e liquido.
    18% Produtos de Beleza
    20% Balas e Chocolates
    35% Automóveis, roupas, sapatos, brinquedos….

    Média da TEC Mercosul 14%.

    Há uma LETEC ( Lista de Excluídos da TEC) de +- 100 Produtos começando por Produtos Eletrônicos e a cada 6 meses pode ser mudada.
    Com todas essas Classificações e sub-Classificações o Mercado Comum Mercosul fica bastante diluído.

    O Governo BOLSONARO/MOURÃO quer baixar a TEC média de 14% para +- 7% porque acha que essa margem de proteção é suficiente e o Governo Argentino FERNANDES/FERNANDES que começa em 10 DEZ 2019 é contra.

    Romper um Contrato Internacional tão complexo como o Mercosul é custoso e demorado, e nos parece que o Presidente BOLSONARO está pressionando o futuro Governo Argentino. Tenho impressão que a Federação das Indústrias Brasileiras também é contra a redução da TEC Mercosul. Acho que essa luta o Presidente BOLSONARO perde.

    Quando um Bloco como o Mercosul faz acordo com outro Bloco como a União Europeia busca a mesma coisa, fomentar o Comércio e a transferência de Capital entre as Partes.
    Mas são tantas as exceções e espaçadas no tempo que a eficiência é muito pequena.

    O negócio mesmo é reduzir Custo de Produção e exportar o máximo para Todo Mundo sem contar muito com o apoio de Blocos.

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