Tumultos refletem a desmoralização do poder público

Paulo Peres

O tumulto no sistema de trens do Rio de Janeiro e a greve dos policiais na Bahia e no Rio de Janeiro, que, possivelmente, será decretada em outros estados, são reflexos da atual desmoralização do poder público brasileiro, visto que, a cada dia, aumenta a falta de confiança da população em seus governantes.

Segundo o cientista político João Trajano Santo-Sé, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o grande problema é a falta de exemplo: “Quando a sociedade percebe que seus próprios representantes não agem de acordo com as normas e leis estabelecidas, ela apreende esse comportamento, e as autoridades, por sua vez, acabam se desmoralizando”.

“Historicamente, há no Brasil certo desconforto no que diz respeito a seguir as normas legais e regras, como se isso fosse uma coisa que apenas os fracos e desvalidos seriam obrigados a fazer”, explica João Trajano. “Quando, além disso, as autoridades não têm muito apreço pelas regras e cometem desvios de conduta de qualquer natureza, isso também reforça certo desprezo geral pela lei”.

De acordo com o cientista político Antônio Carlos Alckmin, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), a situação se agrava quando a população vê que seus governantes não estão fazendo o trabalhado para o qual foram eleitos.

Para o cientista político, “a falta de solução para a precariedade dos serviços, como é o caso do sistema de transportes do Rio de Janeiro, assim como a sequência de denúncias que acabou ocasionando a queda de ministros do governo Dilma, são apenas um entre os muitos problemas que deixam o cidadão desacreditado nas autoridades”.

Antônio Alckmim acrescenta que “se as autoridades públicas não tomam atitudes para solucionar os problemas da população, ela se revolta. Sempre foi assim, em todo lugar do mundo e em qualquer tempo – a responsabilidade da autoridade é de cumprir com a sua função”.

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