TV a cabo cresce e atinge 11 milhões de domicílios

Pedro do Coutto

Com base em dados fornecidos pela Anatel, a Folha de São Paulo publicou na edição de 28, sexta-feira, que a TV paga, (televisão a cabo) cresceu 20,7% em 2010 em relação a 2009 e passou a atingir cerca de 11 milhões de domicílios. O país possui 61 milhões de residências, média unitárias de 3,3 pessoas cada uma. O quadro agora, portanto, é o seguinte: 50 milhões de domicílios sem TV a cabo, 11 milhões com acesso a canais pagos. A Rede Globo, claro, domina o cenário amplamente, operando a Sport TV, o Pay Per View do futebol, além de canais internacionais de esporte, como é o caso da ESPN. Mas esta é outra questão.

O fato é que o mercado se expandiu e está expandindo, pelo visto. Houve um período em que recuou, espaço coincidente com a política de compressão salarial do governo Fernando Henrique. Agora com o crescimento salarial, os vencimentos passaram pelo menos a empatar com a inflação do IBGE, o consumo informativo também subiu. Não só o consumo da informação. Todo o mercado. Fenômeno natural.

No caso do cabo, em 2009 eram 9,8 milhões de domicílios que pagavam pelo acesso ao sistema. Um ano depois, a esse total incorporaram-se mais 2 milhões e 300 mil novo assinantes. Incluindo-se os gatos em áreas de renda mais baixa, o público hoje alcança em torno de 33 milhões de pessoas. Expressivo. Pois enquanto o Brasil tem 5 mil e 500 municípios, a TV a cabo só está presente em apenas 300 cidades.

A Anatel espera que daqui a cinco anos o sistema esteja funcionando em mil municípios. O crescimento da televisão por assinatura conduz certamente a uma nova análise do mercado publicitário. Sobretudo em função dos filmes e documentários exibidos. Dos filmes, inclusive, pelo fato de não serem produzidos, e sim veiculados pelas redes de televisão, tornam-se o produto mais barato, sobretudo o único setor que permite a livre competição entre a Globo e os demais canais.

As novelas fornecem enorme vantagem à Globo porque é a que mais recursos financeiros e  técnicos possui para reduzi-las e também manter um elenco permanente de atores e atrizes.  A mesma correlação não se verifica relativamente à exibição de filmes. O custo é apenas o pagamento dos direitos de transmissão, muito baixo comparado ao valor artístico e econômico das obras.

A publicidade está sempre em função da audiência quantitativa e qualitativa (em termos de poder aquisitivo) do publico atingido. Para se ter uma ideia, um ponto em rede nacional corresponde a 610 mil domicílios, número aproximado de 1 milhão e 500 mil telespectadores. Como se constata, uma verdadeira legião de pessoas, vivendo nas aventuras exibidas na tela a sua própria aventura interior. A identificação dos rostos na multidão com a esperança que cada um traz dentro de si, fantasia ou não, é um fato concreto de mercado.

Isso de um lado. De outro, a existência de uma nova proporção, também de audiência. As tevês abertas, pelo perfil divulgado pela FSP, já não mantêm o mesmo o mesmo domínio que mantinham. Principalmente em relação à audiência de poder de compra maior. Isso porque o número máximo de aparelhos ligados (das 20 às 22 horas) é de 80%. Não quer dizer que 20% não assistam nada. Quer dizer que enquanto alguém sai de casa, outro chega. A percentagem da audiência é a mesma. As pessoas é que naturalmente se substituem.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *