TV Globo mantém os grandes clubes no bolso do colete e nem liga para o Clube dos 13. Vai negociar sozinha com eles para ter exclusividade novamente no Brasileirão.

Carlos Newton 

A transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro virou uma verdadeira novela. Com um detalhe importantíssimo: apertem os cintos, o roteirista sumiu. E os principais atores, também. Mesmo assim, em vôo cego e sem saber o que vai dar, a novela continua.

Como a TV Globo e TV Record desistiram de participar da licitação dos direitos da TV aberta do Brasileirão pelo triênio 2012-14, a única emissora a apresentar uma proposta para transmitir o campeonato foi a RedeTV!, que ofereceu R$ 516 milhões por cada uma das três temporadas, o que representa R$ 1,548 bilhão.

Na prática, porém, é como se não tivesse acontecido nada e a proposta da emissora pode não ter efeito prático, porque a maioria das equipes do Clube dos 13 já anunciou que vai negociar individualmente. O Clube do 13, que na verdade já tinha mais de 20 filiados, agora emagreceu e corre o risco de virar Clubes dos 3.

Com apoio ostensivo da CBF, ou melhor, de  Ricardo Teixeira, que faz oposição ao presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, e é aliado da emissora carioca, vários clubes já tinham retirado do Clube dos 13 a prerrogativa de negociar os seus direitos de TV e de outras mídias.

A TV Globo, que tem o Flamengo, Corinthians e outros grandes clubes no bolso do colete, anunciou que pretende negociar individualmente com eles o direito de transmissão. A Record ingenuamente também já tinha aderido a esse corpo a corpo, a ser feito com pelo menos 11 clubes, mas o esquema individual só favorece a TV Globo.

No desespero, o Clube dos 13 lança mão do argumento de que seu estatuto determina que, enquanto os clubes de futebol não se desfiliarem, a entidade está investida do poder de negociar por eles.

“Pelo presente estatuto os associados autorizam a entidade a negociar de modo coletivo e previamente, com terceiros, os direitos individuais a eles pertencentes, especificados na legislação vigente”, afirma o documento.

Mas os clubes rebeldes alegam que o artigo seguinte retira os plenos poderes do Clube dos 13, que teria de contar com os avais expressos das agremiações: “A validade e eficácia da efetiva gestão dos negócios previstos no parágrafo anterior ficam condicionadas à anuência expressa dos associados, conforme estipulado na alínea ‘g’ do caput deste artigo, formalizadas preferentemente nos contratos”. Traduzindo, cada clube, individualmente, pode não aceitar a negociação coletiva.

A TV Globo tem os clubes subjugados a ele porque quase todos estão tecnicamente falidas. Se fossem empresas, a falência deles já teria sido decretada há décadas. Mas a TV Globo ajuda a sobreviverem, adiantando o pagamento dos direitos de transmissão. Ou sejam, os clubes estão sob domínio econômico da TV Globo, que nem se importa com o Clube do 13 e se garante com o próprio taco.

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