Um atleta profissional, como Bruno, regido pelas leis do trabalho, como outro cidado?

Se o Flamengo seguir o que foi ensinado ontem aqui, exaustivamente, pelo craque em Direito Trabalhista Roberto Monteiro Pinho, pode se livrar de altssimos gastos e de indenizaes enormes. Mas o doutor Roberto, talvez por convico profissional, no quis estabelecer as diferenas contratuais entre um atleta e um cidado comum, ambos trabalhadores.

Mas o que , na prtica, um trabalhador? Todos so iguais nos direitos e nos deveres? De modo algum, ou melhor, apenas relativamente. Numa definio prpria, pessoal, do reprter, trabalhador todo cidado que no mercado capitalista, troca a sua mercadoria padro, que o trabalho, pelo equivalente em dinheiro. Esse equivalente (e suas consequncias) varia com a natureza do trabalho, com o horrio a ser cumprido, com as clusulas do acordo entre as partes, (patro e empregado) a EXCEPCIONALIDADE do mercado, as leis da oferta e da procura de mo de obra.

Por isso se fala tanto em trabalhador primrio, e no trabalhador especializado. Um cidado trabalhador normal ou comum, serve ao patro o que foi combinado no contrato, e vai embora, no tem mais nada a ver com a empresa. Digamos que o combinado seja de 8 horas e mais as horas extras (que no podem ser ilimitadas) e ponto final.

J o atleta, seja qual for a sua especialidade, um profissional DISPOSIO DO CLUBE (empregador) praticamente 24 horas por dia. Seu trabalho no executado num local fixo, no caso do futebol viaja incessantemente, quase sempre uma ou duas vezes por semana, ida e volta. Tem sede num estado, viaja para o outro, retorna para a base ou se desloca, normalmente.

O atleta no tem vida prpria, podem dizer que por causa disso, sua remunerao seja maior, at mesmo elevada. No s por isso, mas pela sua competncia e qualidade, medidas e comparadas com atletas do mundo inteiro, enfrenta uma concorrncia inimaginvel.

O atleta corre riscos, se machuca, fica disposio do Departamento Mdico, operado, tem condies de trabalho inteiramente diferentes. um trabalhador, mas lgica e evidentemente no sujeito ou subordinado CLT (Consolidao das Leis do Trabalho), tem obrigaes inteiramente diferenciadas.

O Flamengo desde agora, (apenas por hiptese e no por maldade) tem que torcer para o Bruno ser condenado. Se o jogador for absolvido, o Flamengo vai aumentar sua dvida que era de 333 milhes quando Patrcia Amorim assumiu.

Mesmo condenado, Bruno pode acionar o Flamengo pedindo INDENIZAO por danos MORAIS E PROFISSIONAIS. Qual o maior patrimnio de um profissional? Sua CARREIRA. E essa j no existe mais, ABSOLVIDO ou CONDENADO.

Podem afirmar, (nem discuto a questo) que foi Bruno que comeou a destruio da prpria carreira. possvel, possvel. Mas o Flamengo no pode se arvorar, que palavra, em empregador e julgador.

Demiti-lo por JUSTA CAUSA, absurdo completo, impensvel. Ele faltou ao trabalho, no entrou em campo, que o seu trabalho? Como poderia faz-lo se estava na priso?

O empregador, o Flamengo, no exorbitou quando colocou um substituto no lugar do Bruno. Lgico, um time de futebol tem 11 jogadores, o Flamengo no poderia jogar com 10 e logo sem o goleiro.

A o clube (por seus dirigentes-patres) no exorbitou. Mas foi leviano, incompetente e at irresponsvel, ao demiti-lo por JUSTA CAUSA. E mais grave: VOLTANDO ATRS, passou recibo e reconheceu que estava errado.

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PS E espantosamente grave: no segundo COMUNICADO, (depois da demisso por JUSTA CAUSA) escreveram textualmente: NO ESTAMOS VOLTANDO ATRS. Estavam. Mais evidente do que isso, impossvel.

PS2 Quando TRABALHAVA no clube, Bruno tinha um tratamento POSITIVO, diferenciado, recebia a braadeira de capito, honra e deciso exclusiva do Flamengo.

PS3 Com o conhecimento do caso, o clube deu a Bruno tratamento diferenciado, s que NEGATIVO.

PS4 Continuo examinando a questo, nada ser decidido ou concludo. Vai demorar, complicado. A Organizao Globo, que abandonou a condio de julgador, est informando apenas, podia esclarecer. Por que Bruno e os outros esto com roupa de presidirio DEFINITIVO?

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