Um ator em cena no Rio de Janeiro: Barack Obama

Jorge Folena 

O presidente norteamericano Barack Obama, em seu discurso do dia 20 de março de 2011 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, referiu-se aos milhões de brasileiros que saíram da linha da pobreza e passaram para a classe média. Esqueceram-se, porém, de explicar para ele que esses cidadãos não foram patrocinados pela iniciativa privada, mas pelo setor público, por meio de incentivos oferecidos pelo governo federal nos últimos anos, em ação que foi severamente criticada e combatida pelos amantes do país do norte, aqui em terras brasileiras. 

Além disso, Obama deixou clara a intenção de sua vinda ao Brasil, pois manifestou que pediu ao governo brasileiro mais oportunidades de negócios para empresas americanas na construção da infraestrutura necessária para a Copa do Mundo de 2014 e para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Vale lembrar que temos muitos técnicos e empresas nacionais capacitados para realizar estas obras e serviços, não sendo, assim, necessária a transferência de mais divisas locais para outros países, como pretendem americanos, europeus, asiáticos etc. 

Em síntese, Obama não acrescentou nada de novo e sequer apresentou um pedido de desculpas pelo apoio ao golpe militar de 1964, patrocinado ostensivamente pelo governo americano. Isto teria sido realmente importante e teria significado um marco histórico, mas cadê coragem para o artista? 

Mas, francamente, que autoridade têm os americanos para falar sobre democracia no mundo, como fez Obama em seu pronunciamento, quando já incentivaram e ainda incentivam centenas de golpes por todo o mundo, que levaram à morte  milhares de pessoas. Como lembrança para os mais jovens, vale a pena assistir ao filme “Estado de Sítio”, do consagrado cineasta grego Constantin Costa-Gavras, que ajuda a compreender um pouco da ação do governo americano nas ditaduras implantadas na América do Sul nos anos sessenta e setenta do século passado. 

Ficou evidente, como sempre acontece, que o discurso do governo americano é um, mas a sua prática é completamente diferente. Sem conseguir resolver seus graves impasses internos, como a extensão do direito à saúde pública para os cidadãos mais pobres, não perdem a mania de ditar e impor aos outros povos o que eles devem fazer, num grave desrespeito à soberania e autodeterminaçãodos demais países,  

Então, o que teria a dizer para nossa gente o presidente Barak Obama, com seu ar de galã de cinema, se não conseguiu até agora implementar e resolver questões fundamentais para os seus concidadãos, muitos desempregados e sem qualquer proteção social eficaz por parte poder público dos Estados Unidos da America do Norte? Na verdade, aqui no Brasil o mandatário americano encenou apenas um papel, como faz um ator. 

Esopo, em suas fábulas, conta que, certa vez, a raposa encontrou uma bela máscara no seu caminho, ficando admirada de como ela era tão linda, porém sem qualquer conteúdo.  Como uma máscara, assim nos parece ser Barack Obama.

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