Um cão, a burocracia e o custo Brasil

Viajar é fácil, difícil é sair do aeroporto…

Flávio Saliba
O Tempo

BELO HORIZONTE – O assunto aqui abordado pode parecer fútil, mas não deixa de ser uma amostra da ineficiência da administração pública e do custo Brasil.

Estive no aeroporto de Confins para pegar um cachorro que chegava num voo às 6h30, o que me obrigou a acordar por volta das 4h30. A aeronave já havia pousado, mas o portão de desembarque e os guichês da companhia aérea permaneciam desertos. Ninguém para dar informação, a não ser na central de informações do aeroporto, que, evidentemente, não sabe detalhes sobre desembarques que estejam ocorrendo.

Os passageiros começaram a desembarcar, mas não havia por perto ninguém que pudesse me informar sobre o paradeiro do meu insólito passageiro. Após umas duas horas circulando pelo saguão inacabado de Confins, fui informado de que, possivelmente, o animal havia sido encaminhado para o terminal de cargas. Disseram-me que ele havia viajado como carga e, como tal, deveria desembarcar lá. Detalhe: eu havia contratado um motorista por um preço que cobriria apenas a ida e volta rápida a Confins. Mas lá fomos nós para o distante terminal de cargas, onde a entrada é controlada e, acertadamente, não se permite a livre circulação de pessoas.

PRIMEIRO, UM EXAME

Esperamos por um bom tempo antes de sermos informados de que minha carga estava chegando. Ótimo, pegaríamos o bichinho e nos mandaríamos. Que nada! Fui avisado de que, primeiro, ele seria examinado por um veterinário para, depois, passar pela inspeção da Receita Federal, à qual eu deveria pagar uma taxa.

Tudo bem, cadê o veterinário? Após vários telefonemas, soube que o profissional que estaria de plantão entrou de férias e que outro veterinário estava sendo convocado para nos atender por volta das 11h. Fiquei penalizado com o sofrimento do bichinho que, após umas 20 horas de viagem, incluindo escalas, permanecia dentro de sua pequena jaula. Felizmente, os funcionários do terminal me autorizaram a retirá-lo para tomar água e se alimentar sem, contudo, sair do lugar.

Às 11h, me deram a notícia de que o veterinário só estaria presente às 13h, quando tem início o segundo expediente. A essa altura, eu estava exausto, enquanto o motorista, talvez calculando o prejuízo e o tempo perdido, me aguardava no carro estacionado sob sol escaldante.

VISTOS E CARIMBOS

Às 13h, chegou a veterinária, que imediatamente deu início aos seus procedimentos. Isso feito, passamos a circular pelas salas e pelos guichês da Receita, de onde saímos, eu e um solícito agente da companhia aérea, com pelo menos 15 folhas de papel com anotações, vistos e carimbos.

Quero deixar claro, aqui, que os inúmeros funcionários que me atenderam foram, todos, particularmente gentis e diligentes. Mas, se assim é, o que nos leva à exaustão e à enorme perda de tempo com tarefas tão banais? É a mão invisível de uma burocracia pública cujas normas e procedimentos labirínticos há tempos afugentam capitais e alimentam a fama de ineficiência do Estado e, injustamente, do trabalhador brasileiro.

3 thoughts on “Um cão, a burocracia e o custo Brasil

  1. Esse é um procedimento adotado em qualquer país do mundo. Qualquer animal silvestre ou de estimação, tem que passar por inspeção sanitária para a sua liberação. Recentemente um famoso ator do filme piratas do caribe, não pode permacer na Austrália porque seu cão não tinha licença para desembarcar, depois de um dia teve que dar meia volta e voar para trás.

  2. O problema não é esse Luiz Antonio, essa falta de profissionalismo irrita e não existe ninguem para resolver e tb deixar um animal este tempo todo é passivel de processo.

  3. O procedimento de verificação de animais, alimentos, (in natura é proibido), e vegetais é normal e deve ser feito para evitar entrada de infecções e bactérias e vírus, o problema dessa porcaria chamada Brasil, é a IMENSA burocracia, são papeis e mais papeis, não só nesse setor, mas em tudo onde se fala em gestão pública. um exemplo são as escolas, há um tal de AC (atividade complementar) que é o tempo que se destina ao professor fazer as tarefas didáticas, como elaborar material de aulas, corrigir avaliações e trabalhos dos alunos, mesmo não tendo nada para fazer na escola o professor é obrigado a permanecer por todo seu período letivo num dia especificado isso todas as semanas, mas continua a fazer o seu trabalho em casa, uma vez que as escolas não oferecem internet, papel, e o ambiente necessário, Excesso de burocracia.
    NUNCA vai mudar!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *