Um Carlos Lacerda em compota

FHC, fazendo papel de Lacerda, não se saiu nada bem

Carlos Chagas

Os mais velhos lembrarão da antiga UDN, União Democrática Nacional, de importantes serviços prestados à causa democrática, como também responsável pelas páginas mais constrangedoras de nossa história. Um partido igual a todos os demais, com luminares da cultura e da política mesclados a vigaristas empenhados em desconstruir as instituições republicanas.

A única vez em que a UDN chegou ao poder, de 1945 à extinção dos partidos, em 1965, foi quando utilizou a máscara de um farsante empenhado em tornar-se ditador. Jânio Quadros chegou a ser apresentado como “a UDN de porre”. Sua renúncia conduziu o partido outra vez à corrente do golpe militar, tendo as coisas dado onde deram: vinte e um anos de exceção e repressão. Carlos Lacerda foi seu principal porta-voz ao pregar a desconstrução democrática.

Por que se recorda um passado que já saiu pelo ralo? Porque as características da velha UDN estão ressurgindo em outra legenda. O PSDB cada vez mais copia as experiências e o modelo de sua ancestral, seja por estar afastado do poder, seja por sua linguagem descontrolada e pela presença, ao lado de cidadãos da maior probidade, de ostensivos golpistas empenhados em reviver um regime a serviço das elites.

Concordará quem assistiu, ontem, o programa de propaganda partidária gratuita dos chamados tucanos, em cadeia nacional de rádio e televisão. Fernando Henrique Cardoso mais parecia um Carlos Lacerda em compota, pregando a deposição de um governo que, apesar de erros e desvios flagrantes, foi eleito democraticamente pela maioria do eleitorado. Ruim com Dilma, Lula e o PT, pior com o sociólogo fixado no objetivo de retornar ao governo, agora através do golpe. Ao dizer que “nunca na história desse país se roubou tanto em nome de uma causa”, deixou clara a disposição de apoiar o impeachment da presidente, mesmo sem coragem para referi-la abertamente.

Foi assim que a UDN lançou-se na tentativa de deposição de Getúlio Vargas e, depois, de João Goulart. Tudo porque carecia de votos e de respaldo das massas voltadas para a justiça social. O fenômeno, agora, é parecido. Havia corrupção nos governos do PTB, por certo que não no nível do PT, mas demolir as estruturas democráticas em nome de combatê-la jamais foi solução.

56 thoughts on “Um Carlos Lacerda em compota

  1. …embora ainda estivesse em cueiros, quando Getúlio decidiu partir, o texto chega a contento, mas um “desgoverno de um partido” que está há 12 anos e vai ter + 4, e termos que conviver com +/- 32 ‘partidos’ chafurdando, já deveríamos ter conseguido uma ‘lavagem de roupa’ com uma reforma política, que deixando cerca de +/- 8 partidos decentes (sic!), evitaria, por certo, o êxodo às urnas de 2016 e 2018…quem viver, verá!

  2. Intervenção Militar Constitucional urgente.
    O Brasil não pode ficar vendo a corja do poder roubar indiscriminadamente sem fazer nada.
    O articulista mostra qual o lado que norteia seu pensamento, e, aqui para nós, não vi o programa do PSDB pelo lado que ele aponta.
    Fora Dilma.
    Fora PT.
    O Brasil precisa progredir e não regredir.

    • Era corajoso. Teve a humildade de de se unir a JK e Janio para constituirem a frente ampla para enfrentar o governo militar que ele tanto apoiou. Nunca foi corrupto! Falava a verdade, tão somente a verdade! Está fazendo muita falta um novo Lacerda.

  3. Com todo o esnobismo pertinente a persona do FHC, não discordo dele em nada do que ele falou. O PT usou a mesma política para desconstruir o PSDB como oposição e o próprio FHC quando presidente.
    Quanto a UDN afirmo que é uma pagina virada na história do país.
    Uma coisa é certa. Todos este partidos políticos não nos representam. Não representam os milhões de contribuintes indignados que resolveram se organizar para por um basta nesta bagunça institucionalizada pelos mesmos partidos constituídos na constituição de 1988.
    O Brasil esta mais para uma corruptocracia do que para uma democracia propriamente dita. Esta urna eletrônica é uma excrescência. Duvido que estas mesmas sejam democráticas. Este judiciário não tem a menor credibilidade para validar qualquer mandatário.
    Como podemos padecer com uma arrecadação de mais de 1.3 trilhões de reais.
    Ignorância, irresponsabilidade, patifaria foi instituída junto com a constituição de 1988. Peço desculpa aos que possam discordar da minha opinião. Estou cansado da mesma ladainha.

  4. “Pregando a deposição de um governo que, apesar de erros e desvios flagrantes, foi eleito democraticamente pela maioria do eleitorado”.

    Ô Chagas, e o Collor, não foi “eleito democraticamente pela maioria do eleitorado” e, por muito menos, defenestrado? Não se trata de democracia, meu caro e sim de justiça: prevaricou, dançou!

    Aliás, quanto aos PSDBistas e seu programa, mais parecia o lançamento de uma nova iguaria gastronômica, o Tucano à Moda PSDB: muita farofa e pouco peito.

  5. Votei no Gal. Henrique Teixeira Lott. Jânio Quadros era o candidato da UDN,
    do poder econômico das elites, mas quando no governo deu uma forte guinada
    para a esquerda: condecorou o Che Guevara, foi a Cuba, peitou os americanos,
    pediu a Jango que fosse aos países comunistas abrir relações comerciais( isso era
    proibido pelo EUA), e queria colocar em pauta para votação do Congresso a lei de reforma agrária e lei de remessa de lucros. Não seria esses os motivos de Carlos Lacerda e as elites virar-se contra o Jânio?

  6. Votei no Gal. Henrique Teixeira Lott. Jânio Quadros era o candidato da UDN,
    do poder econômico das elites, mas no governo deu uma forte guinada
    para a esquerda: condecorou o Che Guevara, foi a Cuba, peitou os americanos,
    pediu a Jango que fosse aos países comunistas abrir relações comerciais( isso era
    proibido pelo EUA), e queria colocar em pauta para votação do Congresso a lei de reforma agrária e lei de remessa de lucros. Não seria esses os motivos de Carlos Lacerda e as elites virarem-se contra o Jânio?
    Fui contra o governo nefasto do FHC, mas hoje, embora não goste do PSDB me vejo obrigado a apoiar –lo haja vista que pior do que o governo do PT (Lula e Dilma) é impossível. Independentemente de gostar ou
    não do PSDB, tudo que foi dito no programa do horário gratuito é verdade.
    Defender as instituições democráticas é ir contra a roubalheira, contra o aparelhamento do Estado, contra
    a gastança desnecessária, a mentira deslavada, a compra de votos com cargos, Ministérios, cargos comissionados e principalmente a péssima gestão. Como disse o Tiririca: pior que está não fica.

  7. Os argumentos de que, “Dillma foi eleita e que a oposição não tem votos para impeachment e deseja tirá-la a força, só reforçam a idéia da aplicação de INTERVENÇÃO MILITAR, na forma prevista CONSTITUCIONALMENTE.
    Ora, a eleição democrática e legítima de Dillma (Tofolli não permitiu que fossem afastadas as dúvidas sobre as urnas, deixou=-nos a certeza de que ocorreu fraude/manipulação) não lhe autoriza prevaricar, omitir-se, causar danos e prejuízos à nação e ao povo brasileiro e cometer toda a sorte de crimes e desmandos. A eleição não dá “carta branca ou cheque em branco” para que o eleito faça o que quiser, da maneira que lhe aprouver.
    Alguns argumentos e manifestações chegam as raias da infantilidade.
    Juristas e estudiosos já se manifestaram quanto a existência de condições para o pedido de impeachment, com bases legais e provas suficientes para ser proposto. Ser aprovado ou não pelos ratos do congresso é outra coisa. Dependerá do povo.
    Infelizmente, pela insanidade dos atuais políticos, caminhamos, a passos largos, para uma intervenção militar. A maior parte das instituições estão tomadas, dominadas e não cumprem com suas finalidades.
    Alguma dúvida? Não estou falando ou pregando “golpe militar!
    Mas INTERVENÇÃO MILITAR CONSTITUCIONAL é a última arma do povo. Reforço: ARMA DO POVO. Está prevista na CONSTITUIÇÃO.
    E não adianta alguns quererem confundir “golpe militar” com INTERVENÇÃO MILITAR CONSTITUCIONAL. Pouco a pouco mais e mais pessoas se “apropriam” das definições e das possibilidades.

  8. Prezados, discordo do Sr. Carlos Chagas e concordo com o Rogerio Froes. O “Principe da Magia Negra, Collor de Melo, por acaso não foi eleito? E sem urna eletrônica! Não concordo com a maneira que o PSDB, se posiciona, mas é o jeitão ” intelectualizado” do partido. OAlkimista, o Serra, o FHC por algum motivo “obscuro”, não estão querendo o impeachment dessa jumenta pseudo gerente, pseudo gestora e Pseudo Doutora! Existe uma divisão interna no PSDB. Ala das oligarquias paulistas velhas de guerra contra a turma do Aécio, que mesmo sozinho, demonstrou alguma garra e fugiu dessa fleuma do partido e partiu para a briga nas eleições. Hoje conta apenas com o apoio do bom deputado Carlis Sampaio. Bem, não podemos deixar de aceitar e reconhecer as virtudes do giverno do PSDB (tiveram erros e muitos), porém foi muito, mas muito melhor do que essa quadrilha do PT. Não tenho duvidas. Ah, o Aécio também admitiu o erro estratégico em MG. Sr. Carlos Chagas, o Collor ( não gosto e não voto) foi tirado do poder mais pelas minimas qualudades, do que pelos muitos defeitos. Lembre-se, foi apenad um Fiat Elba. Ainda não querem tirar a Jumenta, é interessante ter aquela “porta” na presidência. Já havia escrito, caso taxe grandes riquezas, taxe em 50 % as heranças, invista sério em educação e saúde, privatize os correios ( que está uma m…) e o ninho de corruptos que é a PB, ela cai logo em seguida. Todos instrumentos estão disponiveis. Todos, juridico, ético, moral, politico, meritocrático, etc…. Sr. Carlos Chagas, se ainda me recordo, na ocasião do Governo do ” Collorido” parece que algum parente do Sr. Foi defenestrado(a) pois não era concusado e mamava tb nas tetas, não foi isso? Se não me engano, sua esposa. O Sr. Também defendeu a indenização concedida ao pinguço do Jaguar por conta de ” luta contra a ditadura” , não foi? VPPQP

  9. Perfeita a coluna do Chagas. Ele deve ter se inspirado em Brizola, que alcunhou Paulo Brossard de “Rui Barbosa em compotas”. No mais, um motivo pouco lembrado para o fato de Lacerda ter se voltado contra Jânio foi o de este último ter se recusado a emprestar dinheiro público para Lacerda para salvar esta Tribuna da Imprensa, isso em 1961. No ano seguinte, Hélio Viola Fernandes assumiu o jornal, que lhe foi repassado por Nascimento Brito do JB. Lacerda havia, anos antes, denunciado que Vargas estava financiando a “Última Hora” de Samuel Wainer com dinheiro público do Banco do Brasil, além de alegar que Wainer não poderia ser proprietário de jornal por não ser brasileiro nato, e sim bessarabiano. Quanto a FHC paladino da moralidade, nada mais ridículo, logo ele que foi o protagonista da roubalheira das privatizações. Mais uma vez recomendo aos colegas do blog que leiam o livro cujo link está abaixo, que relata as ligações perigosas de Daniel Dantas com os tucanos e com o Ministro Gilmar Mendes.

    http://brasil.indymedia.org/media/2014/01/528301.pdf

  10. Antônio Fallavena, permita-me assinar em baixo.
    O carrapato estrela quando gruda na pele, só sai com calor do fogo.
    Com esse executivo, legislativo e judiciário, não há esperanças a curto e médio
    prazo, estão agarrados ao poder como carrapatos estrela. Infelizmente para salvar
    o país chegamos ao ponto que só com uma intervenção militar constitucional.

    • Amigo Nélio
      Mais do que permitir, é muito honroso receber teu comentário.
      Infelizmente, andamos em círculos. Mais um pouco e termina o governo Dillma e o Lulla volta. Não é sonho, é receio.
      Vamos a luta.
      Grande abraço e muita saúde.

  11. Carlos Frederico Alverga, acertaste em cheio: Chagas se inspirou sim no que disse Brizola de Paulo Brossard, quando este disse que estudava intervir no Rio de Janeiro, alegando haver muita violência. Naquele momento Brizola tripudiou sobre Brossard: Chamou-o de pilantra e “Rui Barbosa em compotas”. Lembraste bem o velho e bem vivo em nossa memória Leonel de Moura Brizola.

  12. http://montesclaros.com/noticias.asp?codigo=71964 com:

    Dom 12/04/15 – 12h38 – Morre aos 90 o jurista Paulo Brossard, também o mais brilhante tribuno parlamentar do Brasil nos últimos 40 anos; Brizola o chamou de “Ruy Barbosa em compotas”
    Descrito por Carlos Castelo Branco, o maior analista político do Brasil, como o parlamentar brasileiro mais brilhante da última metade do século passado, morreu Paulo Brossard, aos 90 anos, nesta manhã, em Porto Alegre. Ministro da Justiça de 1986 a 1989, membro do Supremo Tribunal Federal de 1989 a 1994, discípulo confesso do líder caudilhesco Júlio de Castilhos, Brossard ainda mantinha escritório de advocacia na capital gaúcha. Foi deputado estadual, federal e senador pelo antigo MDB. O governo do Rio Grande do Sul decretou luto oficial de três dias e o velório será no Palácio do Piratini, sede do governo gaúcho. Nascido em Bagé, Brossard era casado com Lúcia Alves Brossard de Sousa Pinto, com quem teve dois filhos.
    EM COMPOTAS
    No fim dos anos 70, o jurista e parlamentar foi lançado, pela Frente Única pela Redemocratização, candidato à Vice-Presidência da República na chapa do general Euler Bentes Monteiro, que liderou ala militar dissidente. Era o começo do fim da última ditadura brasileira. O ex-governador Brizola, que em momentos distintos foi seu adversário, aliado e novamente adversário, certa vez chamou Brossard de “Ruy Barbosa em compotas”, ironizando sua espantosa erudição.
    … … …
    Brossard é nome a se respeitar!!! !!! !!!

    • Prezado Lionço
      Quando faltam bons exemplos, terminamos usando os mais ou menos. No entanto, quando os comparamos aos melhores, a nota atribuída precisa ser rebaixada.
      Assim foi Paulo Brossard, na minha modesta opinião. De altos e baixos. Grande conversador, tribuno de temas importantes, teve momentos de lucidez sim (resta saber a favor do que e de quem) e outros obscuros. Vários posições dúbias. Tente lembrar o que produziu em décadas de político/jurista para o coletivo.
      Muito esperto, meticuloso, manhoso. Seus trejeitos, seu chapéu, sua bengala e a forma de falar: um verdadeiro artista. Uma das últimas raposas da antiga política, Brossard poderia ter prestado melhores e maiores serviços à sociedade e à nação.
      Por estas razões, se me permites, não foi uma “brastemp” como alguns pensam. Tinha qualidades e defeitos, como todos nós.
      Abraço

  13. Estimado Aquino … saudações!

    Creio que devemos respeitar o Testamento de JK, Jango e Lacerda procurando tornar real a Frente Ampla que lançaram para acabar como o ódio na Política … meus sinceros parabéns pelo que escreveu sobre Lacerda – também era incrível seu livro “O Poder das Idéias” … lembra??? abr.

  14. Carlos Chagas, concordo plenamente com você. Nunca gostei deste cara, acho um arrogante. Um cara que chamou os brasileiros de caipiras e vagabundos, não merece confiança.

  15. ESSE COLUNISTA NÃO ESCREVE MAIS NADA COM NADA! NA VERDADE OS TUCANOS DEMORARAM DEMAIS PARA COMEÇAR A SEREM MAIS ASSERTIVOS!
    JÁ ESTÃO COMEÇANDO A PERCEBER QUE SE NÃO FIZEREM A COISA PRO BEM, ISTO É, IMPEACHMENT DENTRO DAS NORMAS LEGAIS E COSNTITUCIONAIS, A COISA PODE DESANDAR E ACONTECER POR MAL, SÓ NÃO SABEMOS COMO, QUANDO E A QUE CUSTO EM TERMOS MATERIAIS, INSTITUCIONAIS E DE VIDAS HUMANAS!

    • Caro Werneck,
      Peço perdão pela pergunta, mas agradeço antecipadamente pela resposta, se admitires a questão, lógico.
      Tens algum parentesco com Lacerda?
      Ambos ostentam Werneck em seus nomes, então a minha simples curiosidade neste sentido, mais nada.
      Um abraço.

  16. http://pt.wikipedia.org/wiki/Frente_Ampla

    Frente Ampla … Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
    A Frente Ampla foi um grupo político reunindo Carlos Lacerda e seus antigos adversários Juscelino Kubitschek e João Goulart contra o Regime Militar de 1964 criado a partir de 1966.1
    Índice [esconder]
    1 Criação
    1.1 Declaração de Lisboa
    1.2 Nota conjunta
    2 Proibição
    3 Referências
    Criação[editar | editar código-fonte]
    As conversas com Juscelino, exilado em Lisboa, foram mediadas por Renato Archer, deputado do MDB, antes do PSD, e as conversas com Goulart, por Doutel de Andrade, do MDB, antes do PTB.
    Os militares da linha dura e dos conservadores ameaçaram retirar o apoio a Lacerda, caso ele continuasse os entendimentos com os dois inimigos do golpe. Ainda assim, em 28 de outubro, a Frente Ampla foi lançada com um manifesto, assinado somente por Lacerda, publicado na Tribuna da Imprensa, seu ex-jornal. O manifesto pleiteava eleições diretas, reforma partidária, desenvolvimento econômico e adoção de política externa soberana. O manifesto teve boa aceitação no MDB.
    Declaração de Lisboa[editar | editar código-fonte]
    No dia 19 de novembro de 1966, Lacerda e Juscelino emitiram a Declaração de Lisboa, onde afirmavam a intenção de trabalhar juntos numa frente ampla de oposição. Comprometeram-se com a orientação política do manifesto de 28 de outubro e conclamaram o povo a participar da formação de um grande partido popular. Lacerda passou então a buscar entendimentos com Goulart, com os setores mais à esquerda do MDB, chamados “corrente ideológica” e com o PCB ilegal. O PCB se dividiu em grupo favorável ao acordo, e outro grupo que acreditava que Lacerda seria o único beneficiado, já que Juscelino e Goulart estavam exilados.
    Já em 1967, através dos ministros Magalhães Pinto e Hélio Beltrão, passaram a tentar convencer Lacerda a abandonar suas posições e colaborar com o governo. Com a recusa de Lacerda e suas críticas públicas ao governo, em agosto o ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva proibiu a presença dele na televisão.
    Em 1 de setembro, se decidiu que a Frente Ampla seria dirigida somente por parlamentares e elementos ligados à Igreja e que seriam enviados emissários para mobilizar a opinião pública em torno dos ideais da frente ampla. No dia 2, porém, dos 133 parlamentares oposicionistas, 120 se recusaram a participar, por desconfiarem que a intenção de Lacerda era usar o movimento como base para sua candidatura à presidência.
    Nota conjunta[editar | editar código-fonte]
    No dia 24 de setembro Lacerda viajou para o Uruguai e no dia 25 se encontrou e divulgou nota conjunta com Goulart defendendo a Frente Ampla. O encontro teve Renato Archer como representante de Juscelino. O acordo com Goulart irritou a “linha dura”, que decidiu retirar o apoio a Lacerda. Também irritou Brizola, exilado no Uruguai, que emitiu nota condenando veementemente a atitude de João Goulart. Lacerda teria declarado: “Hoje está comprovado que Jango não é um homem do Partido Comunista nem eu dos Estados Unidos”. O acordo também teve oposição da família de Getúlio Vargas.
    A Frente começou a se aproximar do movimento estudantil e trabalhista, enfatizando a luta contra a política salarial. Promoveu comícios em Santo André, em dezembro, que se tornou a maior manifestação operária do Brasil até então, e em Maringá, em abril de 1968, reunindo mais de 15000 pessoas, com apoio do movimento estudantil.
    Proibição[editar | editar código-fonte]
    Em 5 de abril de 1968, a Frente Ampla definitivamente proscrita através da Portaria nº177 do Ministério da Justiça. Posteriormente, depois da edição do Ato Institucional no. 5, Carlos Lacerda teve seus direitos políticos suspensos por 10 anos, em 31 de dezembro de 1968.

  17. A história recente do Brasil e seu povo poderia ser um ótimo enredo para uma grande ópera!
    Lembro que a ópera é uma peça de teatro, porém feita de cantos, tanto em solos, duetos quanto em coros.
    Apesar de não ocasionar o mesmo apelo que no passado em termos de frequência pelos teatros do mundo, ainda é considerada o “bel canto”, simplesmente o ápice para tenores, barítonos, sopranos e contraltos.

    Eu iniciaria a nossa ópera com o Coro dos Escravos Hebreus, e a saudade insuportável da Pátria perdida, que nesta obra fenomenal de Verdi esta parte é intitulada Va’ Pensiero.
    Na Opera “Nabucco” o Hino “Va Pensiero” é o canto de dor do povo hebreu que foi derrotado pelos Assírios, deportado para Babilônia e reduzido em escravidão. Na época da sua primeira representação (Milão – 1842) também o povo italiano estava sofrendo a dominação austríaca, por isso o Hino tornou-se o canto dolorido dos italianos contra o opressor austríaco e difundiu-se rapidamente por toda a Itália. A Opera havia despertado o patriotismo dos italianos e logo em todos os muros das casas e dos palácios apareceu a escrita “VIVA VERDI” que na realidade era o anagrama de “Viva Vitorio Emanuele Rei da Itália”. Com este subterfúgio a censura do opressor foi definitivamente derrotada!
    Pois deveríamos ter uma canção, nos moldes daquelas compostas durante a ditadura, sobre a nossa derrota para o PT, que nos transformou em escravos. A dominação da ideologia comunista está despertando no brasileiro o patriotismo, que foi suplantado pelo partidarismo, que surge nas janelas, cartazes, muros e panelaços, o pedido de impedimento deste governo.
    Entretanto, o nosso lema não seria um anagrama, apenas:
    FORA, PT!
    https://www.youtube.com/watch?v=7K68tdN3fYw

    Relembrando a vitória petista em 2.002, quando trouxe para este País a esperança de melhora, a multidão que assistiu a posse de Lula na majestosa Praça dos Três Poderes, pode ser considerada como analogia da Marcha Triunfal de Aida, outra ópera grandiosa de Verdi, Aida, uma escrava etíope apaixonada por Radamés, general egípcio, que vencera o povo da sua amada em combate. A pompa do desfile deixou o povo brasileiro extasiado, não se dando conta do destino trágico que o esperava pelos próximos anos porque conquistado pelas tropas petistas, que iriam subjugar à força e explorar até os limites do suportável, o povo e País sob seus domínios, o nosso Brasil.
    https://www.youtube.com/watch?v=5j1dYi2Q_C0

    Nesse meio tempo, a corte composta também por representantes populares no poder Legislativo, um plano elaborado para enganar a multidão que no império do PT há liberdade, pois o povo participa teoricamente das decisões através de deputados e senadores quando, na verdade, o Congresso, é conhecido como turma de bandidos, resgata a extraordinária ópera Il Pagliacci (Os Palhaços), de Ruggero Leoncavallo, e a sua ária imponente, Vesti la Giubba. Talvez uma das páginas de óperas mais difíceis de ser executadas pela exigência ao tenor – Pavarotti chegou a ser vaiado certa ocasião! -, dois dos maiores bufões do Brasil, Cunha e Renan, disputam quem seria o cantor que apresentaria este mavioso trecho, que diz exatamente o seguinte:
    “Vista A Fantasia
    Atuar! Enquanto estou preso pelo delírio
    Não sei mais o que digo e o que faço!
    Embora seja preciso que se esforce!
    Por acaso és um homem?
    Tu és palhaço!
    Vista a fantasia e pinte a cara
    As pessoas pagam,e querem rir
    E se arlequim te rouba a colombina
    Ria, palhaço, e todos aplaudirão!
    Transformas em pantomimas o riso e o pranto
    Em uma metamorfose o soluço e a dor
    Ria, palhaço, sobre o teu amor destroçado
    Ria da dor que te envenena o coração! “
    Os ternos bem cortados, as gravatas de seda japonesa, os sapatos em couro alemão, camisas em linho egípcio, são as fantasias que se vestem os parlamentares, que imaginam que a roupa faz o monge ou que empresta seriedade às sessões ridículas e idiotas que participam ocasionalmente a cada semana.
    https://www.youtube.com/watch?v=tLoeWZAHjAE

    Enquanto o povo ouve as gargalhadas dos farsantes, me vem à mente a inesquecível ópera Madame Buterfly, de Giácomo Puccini, e o trecho conhecido como Bocca chiusa, um termo em italiano que significa cantar com a boca fechada. Trata-se uma técnica usada em vocalizes para o “aquecimento vocal”, enquanto Legislativo e Executivo berram, gritam, uivam, gargalham, o povo, sofrido e injustiçado, balbucia notas com lamentos profundos sobre a situação que vivemos.
    https://www.youtube.com/watch?v=0f1k14GQmNE

    Pois o primeiro império petista, representado por Lula, em seus dois governos, sem receio podemos compará-lo ao personagem de Mozart, Don Giovanni, na famosa ópera do mesmo nome que, em italiano, seria Il Dissoluto Punito ou, então, o Libertino Punido.
    Lula jogou água fora da bacia, traiu a sua esposa, e seu caso com a Rose, lembra esta ópera buffa e o modo nada convencional do comportamento deste devasso.
    Pois foi tão consagrada esta peça musical, que inspirou diversos escritores, filósofos e analistas.
    https://www.youtube.com/watch?v=Ju3Eg4yBbjc

    Diante das tramas palacianas, Lula que não confia em Dilma, que se deixa levar por outras vozes, surge o drama contado na ópera Otello, de Verdi.
    Otello é comandante mouro e governador de Chipre. Desdêmona é sua esposa e, Iago, capitão das tropas de Otello. Otello é um homem poderoso que se vê atormentado pela perfídia satânica de Iago, que lhe induz dúvidas acerca da fidelidade de Desdêmona. Otello, perdido de ciúme, mata Desdêmona e, ao descobrir a verdade, suicida-se cheio da culpa que o inundava e o sufocava de morte.
    Em outras palavras:
    Alcoviteiros do palácio devem ter avisado a Lula que Dilma não mais o ouvia, que não era mais seu líder. Ciumento, passional, Lula quer matar a sua criatura politicamente.
    Claro que descobrirá a verdade, que não era a presidente quem o traía, mas seus dirigentes petistas, homens que ele confiou a sua trajetória pessoal e política.
    Não acredito, entretanto, que, Lula, independente de interpretar Otello irá se matar, mas está jogando fora o que lhe resta de patrimônio porque desconfia até de si mesmo.
    https://www.youtube.com/watch?v=kz9Wmb0oxc0

    Nestes bailes realizados nos palácios do Planalto, Alvorada e Itamaraty, a presidente Dilma encarna com brilhantismo um trecho da ópera Rigoletto, de Verdi, intitulada La Donna é Móbile:
    “A mulher é volúvel.
    Como pluma ao vento,
    muda de ênfase e de pensamento.
    Sempre um amável,
    gracioso rosto,
    em pranto ou em riso, é mentiroso.
    Refrão
    A mulher é volúvel.
    Como pluma ao vento,
    muda de ênfase e de pensamento!
    e de pensamento!
    e de pensamento!
    É sempre um infeliz
    quem a ela se entrega,
    quem lhe confia incautamente o coração!
    No entanto, nunca sente-se
    feliz em pleno
    quem naquele seio não saboreia amor!
    Refrão
    A mulher é volúvel
    Como pluma ao vento,
    muda de ênfase e de pensamento!
    e de pensamento!
    e de pensamento!
    Imagina a presidente Dilma, dançando e rodeando pelos salões, que um dos três palácios seja o do Rei Lula, na ópera, Duque de Mântua, substituído pelo autor em razão da censura à épóca!
    Qualquer semelhança com o período atual NÃO seria mera coincidência, haja vista os esforços do império para calar a imprensa brasileira.
    https://www.youtube.com/watch?v=HcGoY4COi-I

    Certamente a presidente Dilma deixando-se conduzir pela música inebriante, pensa com seus botões que, em função de encontros e desencontros, acaba favorecendo encenações que podem fugir à intenção inicial do que planejara para si, no qual predomina um tom de ingenuidade e singeleza. Seus personagens são reais e vivem situações igualmente reais. Sofrem por ciúme, tentam resistir aos desejos e impulsos naturais da juventude, cada qual com sua personalidade, com sua trajetória de vida, mas que jamais se encontram, e lembram exatamente a opereta A Viúva Alegre, de Franz Lehár, e suas espetaculares valsas, pois a presidente pensa viver um espetáculo, e não deseja voltar à realidade na condição de presidente do Brasil.
    https://www.youtube.com/watch?v=Pa58TdbRGJ4

    Preocupa-me, e muito, que as constantes interpretações de Dilma, a ponto de esquecer quem é ela mesma, em seus delírios permanentes ela absorva uma parte da ópera Lucia de Lammermoor, de Gaetano Donizetti, conhecida como uma das mais impactantes do teatro operístico, Ária de Loucura. Destaca-se, obviamente, a cena de loucura do 3º ato em que Lucia, depois de obrigada a casar com Arturo, resolve assassiná-lo na noite de núpcias. O assassinato ocorre fora de cena mas, em seguida, Lucia regressa ao palco e interpreta um conjunto de árias de exigência vocal extrema, onde expressa vários estados psíquicos, que vão desde a mais pura insanidade até à mais suave e bela alucinação.
    Considerando as suas confusões nos discursos, frases desconexas, raciocínios interrompidos, os sintomas são visíveis de perturbações.
    https://www.youtube.com/watch?v=smBAtiHR2Xs

    Condenado à miséria e ter de arcar com os gastos perdulários e irresponsáveis da corte do Rei Lula e de sua sucessora, a Duquesa Roussef, o povo se encontra cada vez mais em dificuldades financeiras.
    Aumenta o trabalho braçal, o subemprego, a economia informal, o biscate, em face do desemprego galopante, inflação, juros estratosféricos, e mais impostos!
    A casa própria não pode ser paga, muitas foram tomadas por traficantes, o brasileiro se encontra em peregrinação à busca de sustento e moradia. Mas, ao fundo, ouve-se vozes entoando uma canção que aumenta prodigiosamente à medida que recruta mais gente nesta caminhada.
    Deparo-me com o Coro dos Peregrinos, uma ária da inigualável ópera de Wagner, Tannheuser!
    A abertura começa com uma das melodias mais memoráveis de toda a ópera: o “Coro dos Peregrinos”, um coral majestoso, bucólico, que é apresentado pelas trompas, fagotes e clarinetas. Essa mesma música será cantada no primeiro ato por um grupo de peregrinos que canta seus pecados na busca por um perdão. Assim, a abertura segue apresentando várias cenas que serão novamente utilizadas durante os três atos da ópera.
    O final apoteótico desta página musical é único, que me obriga a pensar que devemos pedir perdão a Deus pelos nossos erros e pelas omissões como cidadãos em permitir tantos desmandos e descalabros conosco e País, e que tais lamentos tão extraordinariamente compostos pelo alemão Wagner, que escrevia os enredos de suas próprias óperas, diferente dos demais compositores, diz respeito que deveremos ser nós, o povo, a escrever o roteiro do que almejamos e que deveremos seguir, e não destinos que desconhecemos e que nos levam à separação como povo, à desintegração como sociedade, à perda do Estado para aproveitadores, o desprezo ao País e esquecimento da Pátria!
    https://www.youtube.com/watch?v=tz18bHTouVU

    O final desta ópera brasileira não será dramática, porém um apelo à esperança.
    Na inimitável ópera Turandot, de Puccinni, certamente a ária mais conhecida e ouvida no mundo tem sido Nessun Dorma (Ninguém Durma).
    O desempenho de Pavarotti ao cantá-la inúmeras vezes, mas de forma incomparável em Paris, por ocasião da Copa do Mundo de Futebol, em 1.998, leva o público ao auge, ao delírio, enquanto que o maior tenor de todos os tempos ainda está com a face lívida pelo esforço praticado.
    O povo brasileiro vem ensaiando uma performance tão notável quanto ao célebre tenor italiano, pois a música é belíssima, na razão direta que o enredo de Turandot é dramático, exigindo que seus cantores deem o máximo de suas capacidades, semelhante a dramaticidade que nos tem acompanhado ao longo dos últimos governos, hábeis em nos lograr, mentir, explorar, assaltar, gastar irresponsavelmente, e exigir que paguemos mais impostos, taxas e tributos, dando a entender que é permanentemente o povo o culpado pela incapacidade do governo, e não a sua criminosa forma de administrar o País.
    O final deste trecho, Nessun Dorma, e seus fantásticos e poderosos acordes, tem na sua tradução o sentimento de cada brasileiro, que nutre a esperança e o desejo de um dia vencer:
    “Esvaneçam, estrelas
    Esvaneçam, estrelas
    Ao amanhecer eu vencerei!
    Vencerei! Vencerei!”
    FORA, PT!
    https://www.youtube.com/watch?v=Sr3aBBA3VYc

    • Prezado Francisco Bendl. Estava sentindo sua ausência. E quanto reaparece, nos brinda com uma obra de arte, de grande inspiração. E para que o leitor veja e ouça o que existe de mais expressivo no mundo da Ópera, ainda nos indica o endereço para seguir e encontrar. Mil vezes parabéns. Parabéns ao nosso editor, Jornalista Carlos Newton. Somente a Tribuna da Internet é assim: completa, democrática, dinâmica…
      Jorge Béja

      • Obrigado pela sua bondade, Dr.Béja.
        A ópera me enternece, e possui páginas musicais esplendorosas.
        Alegro-me que o senhor tenha gostado das analogias que apresentei neste espaço.
        No entanto, percebo que muitos se acham mesmo fazendo parte de um elenco de alguma peça, que desconhecem o roteiro e o papel a desempenhar.
        Com exceção dos mais velhos, que conheceram Lacerda e conviveram com ele no seu Estado de origem, a Guanabara, o ex-governador carioca é tido como culpado pelo suicídio de Vargas, e o seu maior inimigo!
        Uma comparação com a figura de FHC com Lacerda não sei até que ponto tem utilidade para que possamos ter algum parâmetro sobre o comportamento do tucano que, inegavelmente, mesmo Lacerda não tendo sido presidente da República ele teve muito mais influência na política que FHC, tendo em vista que o tema é esse, meu caro Dr.Béja.
        Um forte abraço, e grato pela sua gentileza em comentar o meu longo texto acima.

    • Excelente comentário, amigo Bendl.

      É uma verdadeira “ópera-bufa” (opera buffa, no idioma italiano, que significa ópera cômica) a saga do PT no poder, destruindo a pouco e pouco este nosso país, e ainda por cima enganando a milhões até os dias de hoje, apesar de tudo!

  18. Carlos Frederico Alverga, estás afinado o nome é esse mesmo. Pensei que Glorinha que morava na Tijuca já tivesse morrido. Terezinha Beuttenmüller(é de entortar a lingua), foi possivelmente a primeira fonoaudióloga do Brasil.

  19. Carlos Werneck, Brizola ao voltar do exílio procurou Lula no ABC convidando- para ajudá-lo a refundar o PTB. Lula que tinha sido preparado por Golbery fazendo curso de sindicalismo na Jhon Hopikins University EEUU, para se contrapor aos sindicalistas que voltavam do exílio, recebeu Brizola com arrogância. Gritava suando por todos os poros: Eu nunca serei político sempre serei sindicalista. Prosseguiu usando todos os preconceitos da velha, rançosa e golpista UDN. Brizola saiu decepcionado e cunhou a frase histórica: O PT é a UDN de macacão e tamancos. Depois dessa visita de Brizola Lula foi mandado para EEUU e lá foi ciceroneado pelos sindicalistas Doerty e Boggus ligados a CIA. Mudaram-lhe o escript e quando voltou foi para fundar o PT. Dirceu que era o homem dos militarespara liderar o PT ficou em segundo plano. A história é cruel, mas é a história que fazer?

  20. http://www.pdt.org.br/pdt/lideres/verdades-e-mentiras-sobre-o-subdesenvolvimento/retorno-do-exilio com:

    Retorno do exílio

    A volta de Brizola ao Brasil (*) Editado de Veja, 12/09/1979, pág. 20-26. Com um terno em tecido jeans e um distintivo tricolor do antigo Partido Trabalhista Brasileiro, hoje Partido Democrático Trabalhista (PDT), na lapela, o engenheiro Leonel Brizola chegou ao aeroporto de Foz do Iguaçu às 17h25 do dia 06 de setembro de 1979, para encerrar o mais longo exílio já vivido por um político brasileiro. Ele desceu de um bimotorPiper de oito lugares que o trazia de Assunção e atravessou a pista acenando alegremente. O ex-governador Brizola, certamente o mais ilustre dos anistiados pelo presidente Figueiredo, falou pouco e de forma cautelosa na sua volta. Em Foz do Iguaçu, numa breve entrevista ao ar livre, bem às margens das cataratas. Na manhã seguinte, uma sexta-feira, transportado para São Borja, a terra dos ex-presidentes Getúlio Vargas, seu padrinho de casamento, e João Goulart, seu cunhado, foi recebido pela velha guarda gaúcha trabalhista e por alguns representantes da jovem ala de esquerda, com faixas que pregavam o “trabalhismo popular e socialista”, Brizola prescreveu as três regras de ouro a serem observadas por todos os seus seguidores nos próximos meses: cautela, paciência e prudência. Capturando senhas do governo ditatorial, enviando mensagens através de sinais de fumaça e estabelecendo um sistema de acordos tácitos, Brizola e muitos exilados que retornaram ao país, bem como velhos políticos que se rearticulavam, construíram o tecido de um período de conciliação nacional. Essa conciliação devolveu às forças conservadoras brasileiras a sua antiga tradição de ajustar através de concessões situações que do ponto de vista social ou político parecem inajustáveis. Nenhum dos adversários do Golpe de 1964 se apresentou com tanta dedicação como o ex-governador Brizola. Disposto a regressar ao Brasil mesmo sem ter sido anistiado, Brizola foi convencido por amigos a aguardar que seu nome fosse incluído na lei da anistia. Contudo, seu retorno só ficou assegurado duas horas antes do pouso do pequeno avião que o trouxe de Assunção por um recado telefônico de Brasília que mandou riscar seu nome da lista de indesejáveis do computador da Polícia Federal, onde ainda figurava apesar da lei da anistia. O visto de entrada saiu em um minuto. Mas, logo na primeira conversa com um assessor em porto Alegre, o recém chegado líder pedetista examinou um soturno convite impresso para o seu próprio enterro, distribuído na véspera a muitos de seus amigos no Rio Grande do Sul.

  21. Comparar FHC à Carlos Lacerda ? Que é isso sr. Chagas ? Andou entortando todas ?
    Tivéssemos um Carlos Lacerda na atualidade, essa corja não teria se criado.
    Além de honesto era competente, aliás, espécie extinta, pois estamos nas mãos de desonestos incompetentes.

  22. Caro Antonio Santos Aquino … em 1974 fui candidato a deputado federal pelo MDB do antigo RJ – faltou candidato, aí entrei de voluntário!!! em 1975 vem a fusão com a antiga Guanabara … e fui uma luta para formar o novo MDB; pois no RJ antigo dominava Amaral Peixoto e na antiga Guanabara o domínio era do Chagas Freitas – Nelson Carneiro ia lá, depois vinha cá … … … foi quando um grupo de independentes formamos o GDP – Grupo de Dinamização Partidária … e passamos a incomodar amaralistas e chaguistas – acabamos por um acordo com Chagas Freitas, mediado pelo Miro Teixeira, em que o MDB conseguiu se pacificar … … … lá por 1978 se falava em anistia – e nossa principal figura, o trabalhista João de Deus Barbosa de Jesus telefonava para o Brizola (então exilado nos EUA) em várias de nossas reuniões com ata do GDP – infelizmente as conversas não progrediram porque o Brizola só queria nos dar ordens … … … e acontece que nós éramos filiados no MDB … … … não sei se isto influenciou no Brizola nunca aceitar entrar no MDB!!! !!! !!! abr.

  23. Prezado Lionço, deve haver algum equívoco nessa reportagem da Veja. Brizola retornou ao Brasil em setembro de 79, e o PDT só foi fundado depois que o Brizola perdeu na Justiça Eleitoral a sigla do PTB para Ivete Vargas, o que ocorreu em maio de 80. Quanto à Frente Ampla, sobre a qual o Hélio Fernandes escreveu tantas vezes aqui, temos de fazer justiça ao papel que o Hélio desempenhou, tendo escrito até o original do manifesto da Frente Ampla lido por Lacerda na sede da Rua do Lavradio. Na casa do Hélio, no Jardim Botânico, foram realizadas as primeiras reuniões da Frente Ampla.
    http://tvbrasil.ebc.com.br/observatorio/post/pgm-721-entrevista-com-o-jornalista-helio-fernandes-22042014
    http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/Jango/artigos/Exilio/Articulacao_da_oposicao

  24. “Ruim com Dilma, Lula e o PT, pior com o sociólogo fixado no objetivo de retornar ao governo, agora através do golpe.”
    -ÔÔÔ o Carlos Chagas voltou!

    Depois de um longo tempo e inúmeros artigos o Carlos Chagas voltou a realidade, ruim como está, pior seria com o sóciólogo demagogo, aquele que chamou os aposentados de vagabundos e com a maior cara de pau esquece que comprou a reeleição, pagando em dinheiro vivo.

    Boa Chagas.

    • Que o sociólogo é fraco, não resta dúvida, mas fez as privatizações , comandou o Plano real e a fez a Lei de responsabilidade Fiscal.
      Não se pode comparar com os elementos do partido do crime, o PT. Aí já é demais.
      Essa quadrilha torrou o dinheiro que ganhou com as compras da China , roubou e quebrou a Petrobrás.

  25. O sociólogo jã disse a que veio na história deste País.
    Devia ter ficado de boca calada.
    Mesmo que esteja certo em algum argumento, tira a credibilidade dele.
    Esse senhor é de uma hipocrisia monumental!

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