Um domingo no parque que não acabou bem, na visão pré-tropicalista de Gilberto Gil

DOMINGO NO PARQUE (letra e vídeo) com GILBERTO GIL, vídeo MOACIR SILVEIRA -  YouTubePaulo Peres
Poemas & Canções

O músico, político, escritor, cantor e compositor baiano Gilberto Passos Gil Moreira, conhecido como Gilberto Gil, na letra de “Domingo no Parque”, retrata a triste estória de dois assassinatos por causa de um romance. A canção também poderia ser resumida numa manchete de jornal sensacionalista: “Feirante ciumento mata a facadas amigo e namorada no parque”. A história, no entanto, é narrada de modo linear, mas em cortes abruptos, que lembram o imediatismo das associações publicitárias, dos gibis, ou mesmo a linguagem cinematográfica: “Oi girando girando – Olha a faca (Olha a faca!) – Olha o sangue na mão..”

A música “Domingo no Parque” foi gravada no LP Gilberto Gil, em 1968, pela Philips. Vale acrescentar que, essa música foi feita, um pouco antes do movimento tropicalista, o momento em que o tropicalismo começa a entrar em cena, eles queriam mostrar uma forma diferente de expressão artística, em que não usasse isso ou aquilo e sim isso E aquilo, misturando formas diferentes para novidades de composição. E o primeiro impulso para isso foi quebrar o antagonismo música de protesto x jovem guarda, começaram pelas canções “Domingo no Parque” de Gil e “Alegria, Alegria” de Caetano.

DOMINGO NO PARQUE
Gilberto Gil

O rei da brincadeira
Êh José!
O rei da confusão
Êh João!
Um trabalhava na feira
Êh José!
Outro na construção
Êh João!…

A semana passada
No fim da semana
João resolveu não brigar
No domingo de tarde
Saiu apressado
E não foi prá Ribeira jogar
Capoeira!Não foi prá lá
Prá Ribeira, foi namorar…

O José como sempre
No fim da semana
Guardou a barraca e sumiu
Foi fazer no domingo
Um passeio no parque
Lá perto da boca do Rio…

Foi no parque
Que ele avistou
Juliana!
Foi que ele viu
Foi que ele viu!
Juliana na roda com João
Uma rosa e um sorvete na mão
Juliana seu sonho, uma ilusão
Juliana e o amigo João…

O espinho da rosa feriu Zé
(Feriu Zé!) (Feriu Zé!)
E o sorvete gelou seu coração
O sorvete e a rosa
Oh José!
A rosa e o sorvete
Oh José!

Foi dançando no peito
Oh José!
Do José brincalhão
Oh José!…
O sorvete e a rosa
Oh José!
A rosa e o sorvete
Oh José!
Oi girando na mente
Oh José!
Do José brincalhão
Oh José!…

Juliana girando
Oi girando!
Oi na roda gigante
Oi girando!
Oi na roda gigante
Oi girando!
O amigo João (João)…

O sorvete é morango
É vermelho!
Oi girando e a rosa
É vermelha!
Oi girando, girando
É vermelha!
Oi girando, girando…

Olha a faca! (Olha a faca!)
Olha o sangue na mão
Êh José!
Juliana no chão
Êh José!
Outro corpo caído
Êh José!
Seu amigo João
Êh José!…

Amanhã não tem feira
Êh José!
Não tem mais construção
Êh João!
Não tem mais brincadeira
Êh José!
Não tem mais confusão
Êh João!…
Êh! Êh! Êh Êh Êh Êh!……..

5 thoughts on “Um domingo no parque que não acabou bem, na visão pré-tropicalista de Gilberto Gil

  1. Outrora, as letras musicais tinham uma narração, descrição; ou mesmo se exibissem uma dissertação, deixavam o diletante, em estado de graça, quando o conteúdo fosse aprazível.
    Agora vivemos sob o império das pandorgas ou panDrogas, com destaque para o Funk, que também serve de trilha sonora, para quaisqur filmes das “Idas Sem Voltas”, aos que se deixam absorver pelas maravilhas da vida desregrada e bandida.

  2. Grandes poetas, maravilhosos compositores, escritores… São tantos os gênios e no entanto, para nosso desencanto, nenhum ganha um Nobel e não é comum o reconhecimento universal dos nossos artistas. Diz o ditado em inglês: Beauty is in the eye of the beholder; no Brasil parece que a beleza está no peito: é bairrista!

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