Um grande salto na História: da sucessão de 1960 (Jânio e Lott) à sucessão de 2018

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Jânio em 1961, fotografado por Erno Schneider

Pedro do Coutto

Essa comparação foi colocada pelo jornalista e historiador José Hamilton Ribeiro na edição de 25 de agosto na Folha de São Paulo. Ele relembrou o clima do pleito de 60, final de mandato do presidente Juscelino Kubitschek, comparando-o com a jornada dos candidatos às urnas de outubro deste ano. Acentuou a euforia de ontem com o amargor de hoje, situação decorrente de dois polos políticos. Em 1960 havia euforia no país, o debate econômico ganhara as ruas, herança dos anos dourados que conduziram o impulso para frente da sociedade. Não havia desemprego, não havia nem um centésimo da corrupção que marca a vida brasileira nos últimos 16 anos.

Falava-se na caixinha de 10% em matéria de intermediação ilegal de contratos. Hoje essa comissão elevou-se, acho eu, à casa dos 1.000%. Uma explosão que concentrou a renda do país ainda mais.

JK E JÂNIO – Mas voltemos a outubro de 1960. Juscelino concluía seu mandato entregando a Jânio Quadros um país redemocratizado com as instituições concretizadas. Ele próprio ao passar a faixa a Jânio, lembrou o seguinte: “Vossa Excelência recebe o governo do Brasil em condições muito diversas daquelas que marcaram minha posse. Basta dizer que para que eu assumisse, em janeiro de 56, houve necessidade de dois movimentos políticos militares. Agora, situação muito diferente o espera daqui para frente.”

Mas não seria por muito tempo porque a 25 de agosto de 61, sete meses depois Jânio Quadros renunciava à Presidência da República. Frustrou os partidos que o apoiaram e os autores dos milhões de votos a ele destinados nas urnas. A democracia voltava a faixa de risco. E o projeto de Juscelino de disputar novamente a presidência em 65 evaporou-se no meio da tempestade que marcou a posse de João Goulart e depois o final de seu governo.

ELEIÇÃO SEPARADA – Naquele tempo o vice-presidente era eleito separadamente do presidente. Nas urnas de 60, Jânio Quadros derrotou o general Teixeira Lott, mas Jango foi reeleito vice-presidente. Esta foi a primeira reeleição da história do Brasil. Foi um lance de dados. O general Lott durante a campanha afirmou que seu candidato a vice seria Oswaldo Aranha. Mas Aranha faleceu no mês de abril de 60, deixando espaço para o retorno de Goulart. Se Aranha não tivesse morrido Jango, não poderia ser vice mais uma vez.

Mas isso tudo foi ontem. Hoje o embate entre os postulantes ainda não entusiasmou o eleitorado. O que deve mudar mais à frente, mas até agora não mudou.

SETE PRÊMIOS – Hamilton Ribeiro, testemunha da história moderna, como é o caso dos que passaram a faixa dos 70 anos, marca sua presença no jornalismo e na história pela conquista de 7 prémios Esso que lhes foram conferidos por reportagens publicadas na imprensa.

Vamos ver se a partir dessa semana a corrida eleitoral desperta finalmente o entusiasmo de 147 milhões de brasileiros e brasileiras aptas a votar a 7 e 28 de outubro.
Um fato capaz de iluminar a disputa está na pesquisa que Marcio Godoi e José Maria Tomazelli focalizaram na edição de ontem de O Estado de São Paulo: Bolsonaro passou à frente de Alckmin na cidade de São Paulo.

4 thoughts on “Um grande salto na História: da sucessão de 1960 (Jânio e Lott) à sucessão de 2018

  1. Lembro-me que votei pela 1a. Vez. Desculpe-me o termo, mas eu caguei na urna. Votei no Janio. Cometi o mesmo erro com o Lula. Só que desta vez tive uma diarréia.

    Acho que somente um Parlamentarismo em que o chefe de estado fosse um general daria jeito nesta bagunça. Não sou dono da verdade. Aceito críticas.

    Desta vez, não tomarei elixir eleitoral. Tem que ser muito ingênuo para acreditar nestas urnas eletrônicas. Quem conseguir os melhores hackers deverá ser eleito. Nao compareço

    Fiquei pasmado com as declaraçoes do ministro Fux de que as urnas são confiáveis. É um dos onzes Budas do Brasil (iluminados) … e disse Deus: Fiat Fux e o Luiz se fez.

    • “Acho que somente um Parlamentarismo em que o chefe de estado fosse um general daria jeito nesta bagunça. Não sou dono da verdade. Aceito críticas.”
      Ainda que a contragosto, assino e apoio.

  2. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, termina seu excelente Artigo em que compara o grande entusiasmo da eleição Presidencial de 1960 ( Jânio Quadros UDN X Henrique Lott PSD-PTB), com os a atual.

    Infelizmente, depois de anos de Déficit Fiscal e Endividamento Federal, o Governo Temer MDB-Base Aliada, e quem ganhar agora, terá que seguir uma Política de Austeridade , contenção de gastos e aumento da Carga Tributária, para zerar o Déficit Primario e ali na frente produzir Superávit Primário, para se recuperar a CONFIANÇA. Caso contrário podemos esperar Inflação crescente.
    Alguns Números da Contabilidade Nacional tiram nosso entusiasmo:
    Déficit Primario Fiscal 2019, R$ 139 Bi.
    Déficit Nominal 2019 R$ 490 Bi (aqui incluso Amortização e Juros da dívida Pública).

    Todos gostam de gastar o Dinheiro que entra com a Dívida Pública, ninguém gosta de pagar Dívida. O Povo entende isso e fica sem entusiasmo.
    Mas boa parte do pior já passou e recuperada a CONFIANCA, o crescimento voltará naturalmente.
    A nosso ver, um dos Candidatos mais preparado para a tarefa é o Sr. Henrique Meirelles.

  3. Esse modelo pérfido de se cobrar do povo as despesas que o governo faz em seu benefício precisa acabar, por bem ou por mal!

    Salários nababescos que são pagos aos integrantes dos Três Poderes, mais as regalias e aposentadorias especiais, têm sido a causa dos problemas dos déficits apontados regularmente!

    Logo, quando é para pagar o saldo negativo, obriga-se o cidadão a arcar com as despesas, aumentando a carga tributária, e manipulando covarde e desonestamente a restituição do IR!

    Nesse meio tempo, os salários dos parlamentares, magistrados, ministros, presidentes de estatais … percebem em torno de cem mil reais mensais, enquanto o salário é de novecentos e cinquenta e quatro reais, simplesmente CEM VEZES MENOS!!!

    Soma-se a esta tragédia salarial, o desemprego, a inadimplência, juros extorsivos, e teremos a fórmula para uma grande explosão social!

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