Um imenso Portugal ou uma pequena Índia? Estamos mais perto da Índia do que de Portugal…       

BLOG DO VINÍCIUS ASSUMPÇÃO: PIADA DE BRASILEIRO

Charge do Tacho (Site Charge Online)

João Gabriel de Lima
Estadão

Em seu “Fado Tropical”, Chico Buarque rimou que nosso ideal seria virar um imenso Portugal. Havia ironia nos versos do poeta, escritos em parceria com o cineasta Ruy Guerra. A música é de 1973, e nem Brasil nem Portugal viviam grande fase, oprimidos por ditaduras. Olhando em retrospectiva, seria ótimo se tal profecia tivesse se realizado.

Portugal se livrou de seu regime de força em 1974, com a Revolução dos Cravos. O Brasil restabeleceu a liberdade em 1985. Hoje Portugal é uma das democracias mais consolidadas do mundo, com 96 pontos em 100 possíveis na classificação da Freedom House. O Brasil alcança 75. Em 2019, Portugal cravou a 40ª posição no ranking de desenvolvimento humano, formando no pelotão de frente. O Brasil está em 79º, no segundo bloco.

MUITAS DIFERENÇAS – Enquanto o Brasil peleja para arrumar suas contas públicas, passo essencial para investir na área social, Portugal fez seu ajuste no início da década, o que permitiu preservar o estado de bem-estar. Veio o coronavírus, e Portugal se tornou referência positiva dentro do padrão europeu. O Brasil é a tragédia que conhecemos. O terceiro país com mais mortos no mundo, recentemente superado pela Índia.

Talvez seja injusto comparar os dois países, dado que a população brasileira é a portuguesa multiplicada por 20, e as circunstâncias – com exceção da língua – são consideravelmente diferentes.

Como talvez fosse despropositado comparar o Brasil com a Índia, que tem seis vezes a nossa população. Se continuarmos o exercício, no entanto, veremos que em muitas coisas estamos mais perto da Índia do que de Portugal. Para o bem e para o mal.

DESIGUALDADE SOCIAL – Para o bem, Índia e Brasil têm democracias vibrantes, sociedade civil engajada, universidades de excelência, cultura riquíssima e plural. Para o mal, além de referências negativas no combate ao coronavírus, Índia e Brasil estão entre os países mais desiguais do mundo. A pandemia expôs tais desigualdades de forma dramática.

A Índia pré-independência era um país de príncipes e plebeus divididos em castas. No Brasil, os príncipes estão na classe média. São os que podem trabalhar de casa, usando seus laptops, e se proteger da doença que chegou a ceifar mais de mil vidas por dia.

DIRETO DE LISBOA – Nesta semana inicio um período de estudos em Política Comparada na Universidade de Lisboa. Para esta coluna, nada muda. Com a tecnologia, é possível acompanhar as notícias do mundo todo em tempo real, e redação e entrevistados estão ao alcance de um zoom.

A ideia é continuar dando uma visão moderna da política. A atividade, hoje, não se desenrola apenas nos parlamentos, mas também nas redes e ruas, universidades e organizações cívicas – a tal sociedade civil.

DESAFIOS DO PRESENTE – Tudo mudou muito e em muito pouco tempo. A economia mundial cresceu. A distribuição de renda melhorou, embora a concentração tenha aumentado em alguns países. As democracias passaram a dialogar com instituições do mundo globalizado. Surgiram os populismos. Entender como os diferentes países lidam com os desafios do presente é mais esclarecedor, muitas vezes, do que mergulhar nas lições do passado. Num planeta cada vez mais integrado, é válido comparar-se tanto com a Índia quanto com Portugal.

O mote desta coluna é: nas democracias, não se melhora a vida dos cidadãos sem recorrer ao conhecimento. Quem ignora a ciência acaba como o prefeito do filme Tubarão: um político sem votos numa cidade sem banhistas.

Estudar é preciso. Bora estudar.

5 thoughts on “Um imenso Portugal ou uma pequena Índia? Estamos mais perto da Índia do que de Portugal…       

  1. João Gabriel de Lima, articulista, cometeu um engano, e grave:
    O Brasil É AINDA o segundo país em número de mortes no mundo.
    A Índia é o terceiro, mas esta nação nos ultrapassou em número de contaminados, menos de óbitos.

    Outro detalhe:
    Comparar o Brasil com Portugal, por favor.

    Os lusitanos têm vinte vezes menos população;
    O nosso país é apenas e tão somente 92 vezes maior que Portugal;
    O PIB português e de 241 bilhões de dólares;
    o nosso é de 1.87 trilhão de dólares.

    Evidente que por ser um país milenar – o reino de Portugal surgiu em 1.143! -, e nós descobertos que fomos por aquela nação, e até os dias de hoje passamos por colônia, império, república e alguns golpes internos, os portugueses têm muito mais organização, tanto pela dimensão do seu território quanto pela população muito menor.

    Afora a cultura lusitana, a educação/ensino, que sequer ousamos chegar perto.

    Concordo que estudar é preciso, mas ter aonde estudar e como, é mais importante que a vontade.

  2. “SINDROME de ESTOCOLM é um Estado Psicológico, em que a pessoa submetida a intimidação, medo, tensão e até mesmo agressões, passa a ter empatia e sentimento de AMOR e amizade por seu AGRESSOR”

    -Esse objeto de estudo da Psicologia ocorreu com testemunho público, no Brasil, quando a filha do Silvio Santos foi liberta do cativeiro, em que se encontrava refém, e deu uma entrevista coletiva em seguida. Após o resgate, Patrícia Abravanel, rasgou elogios e demonstrou simpatia pelos seus algozes sequestradores.
    Por vezes pergunto: será se entre o masoquista povo brasileiro e seus governantes bandidos, não haja esse tipo te relação psicopatológica?

  3. Sr. Paulo,
    Não temos síndrome de Estocolmo nenhuma.
    Temos sim, um cagaço inominável pra organizar um levante. Tipo matar ou morrer pela pátria amamada.
    Somos o povo mais covarde do mundo!!
    Simples assim.

    Vamos nos fud… esborrachar com força!

    O JOKER ESTÁ NO COMANDO!!

    Cordialmente.

  4. Se fossemos um grande Portugal teríamos uma Renda perCapita +- 3 vezes a nossa, nada mal.

    Se fossemos uma pequena Índia, teríamos pequenas Armas Nucleares e foguetes inter-continentais e teríamos plena SOBERANIA POLÍTICA, nada mal.

    Temos ainda que “comer muito feijão” para ser uma coisa ou a outra. Mas chegaremos lá.

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