Um memorial a Luiz Carlos Prestes, na contramão da História

Fernando Gomes / Agencia RBS

O projeto do Memorial foi obra de Oscar Niemeyer

Percival Puggina

Os jovens que, em esfuziante demonstração de felicidade, dançavam sobre o Muro de Berlim no dia 9 de novembro de 1989 foram os primeiros a festejar a derrubada em cascata dos símbolos do comunismo. Importante lembrar aos brasileiros sequer nascidos naquela época o regime que os moços e moças de então refugaram e a liberdade que, em festa, conheceram pela primeira vez em seu próprio país. Afinal, não falta entre nós quem assedie a juventude com ideologias fracassadas e histórias mal contadas.

Nos anos seguintes, extinguiu-se a União Soviética, caíram os regimes comunistas, e os respectivos partidos no Leste Europeu se extinguiram ou mudaram a razão social. Junto com eles sumiram, também, foices e martelos e estrelas vermelhas de bandeiras nacionais.

NOMES TROCADOS – Na Rússia, Leningrado voltou a chamar-se São Petersburgo; na Alemanha, Karl Marx Stadt recuperou o nome Chemnitz; no Montenegro (parte da antiga Iugoslávia) a capital Podgorica sacudiu de si a triste lembrança que lhe advinha do nome Titogrado. Em Berlim Oriental, bairros inteiros como Prenzlauer Berg e Friedrichshain, se livraram do abandono cinzento que lhes deixara o comunismo para ganhar novas cores e nova vida. A história tem símbolos assim.

Quem viveu sob o comunismo, sabe bem do que se libertou. Em virtude disso, em todo o Leste Europeu, incluída a super stalinista Albânia, foram tombando as estátuas e as indesejadas lembranças do totalitarismo que pesou sobre aquelas nações. Em muitos casos, o comunismo ficou fora da lei. São povos que sabem do que não sentir saudade. Foi o caso da Polônia, que tantas vidas entregou à repressão soviética. Lá, desde 8 de junho de 2010, está em vigor uma lei que proíbe a exibição de símbolos comunistas.

A Lituânia, em 2008, criminalizou a exibição pública de símbolos comunistas e nazistas. Também pudera! O pacto Molotov-Ribbentrop levou-a à ocupação pela URSS e a pequena nação perdeu 780 mil compatriotas. Aliás, em virtude desse pacto, firmado entre os dois totalitarismos – o comunismo e o nazismo – a data de sua assinatura se transformou em Dia Europeu de Memória das Vítimas dos Regimes Totalitários.

OUTROS EXEMPLOS – A Geórgia, em 2011, baniu os símbolos comunistas. O domínio soviético levou milhares de georgianos à morte nos gulags e destruiu 1,5 mil igrejas. Por motivos em tudo semelhantes, a Moldávia criou legislação igualmente proibitiva em 2012. Interdições também foram estabelecidas na Hungria e na Ucrânia. Esta última nação perdeu para o comunismo 5 a 6 milhões de pessoas entre a criminosa inanição causada pelo holodomor, a repressão e as mortes em combate. Há estimativas que elevam esse número para 14 milhões. Em Odessa, no sul do país, um majestoso Lênin de bronze foi transformado em Darth Vader (personagem de Guerra nas Estrelas).

Os países que conheceram os horrores do comunismo o repelem e removem suas lembranças. Tal regime não pode citar um único exemplo que não cause repulsa. Seus raros defensores não têm como mencionar, sem constrangimento, um líder sequer. Não dispõem de um solitário caso de sucesso a relatar.

Porto Alegre, não obstante, entrará para o noticiário como uma capital na contramão dos fatos, jogando pela janela da mais clamorosa ignorância o testemunho de dezenas de sofridas nações. Danem-se os fatos, as vítimas e a História! Em 1991, nossa Câmara Municipal cedeu o terreno, autorizou a finalidade da obra inaugurada neste sábado, com foices e martelos, um Memorial para honra e glória do mais conhecido comunista brasileiro, desertor homicida, traidor da pátria e servo de Stálin.

8 thoughts on “Um memorial a Luiz Carlos Prestes, na contramão da História

  1. Sem falar no casal Ceausesco, que mesmo o papa pedindo clemência pelas suas vidas, foram enforcados em praça pública.
    Enquanto o povo passava sérias necessidades, as bicas da banheira e lavatórios, eram de ouro puro.
    Mais ou menos o que vai acontecer por aqui quando a “boiada estourar” em relação a estes corruptos malditos.

  2. Um dia, faz bastante tempo, o meu Rio Grande do Sul dava exemplos aos demais estados.

    Ainda encontro, por onde ando e ando muito, irmãos brasileiros que dizem que meu estado é exemplo na política e na economia.
    Apenas digo-lhes: “já foi, faz bastante tempo”.

    Por calar, por aceitar, por não querer debater forte, permitimos que as coisas boas de nosso estado fossem substituídas por coisas ridículas, sem valor.

    Quem cala, mais do que consentir, deixa as portas e janelas abertas para que a ignomínia entre e tome conta.

    O que fazer, alem de dizer que os idiotas estão tomando conta de tudo!

    Fallavena

    • Prezado Fallavena,
      é o que nos ensinava Nelson Rodrigues.
      Os idiotas vão dominar o mundo, pois são maioria.
      Os países que hoje são riquíssimos, antes de serem democratas tipo “uma pessoa, um voto”, fizeram constituições, escritas ou não, que os protegiam da maioria medíocre e da unanimidade burra.

      Nós estamos subjugados ao julgamento da maioria.

  3. A exemplo do Nazi-fascismo, toda ideologia que prega o totalitarismo, deveria ser proscrita.
    O RS em tempos passados, era tido como o estado possuidor do povo mais politizado do Brasil.
    Bons tempos, depois que a política tomou estes rumos que ora vemos, o estado gaúcho passou a integrar a paisagem nacional, a mediocridade é ampla em todos os sentidos.
    O esquerdismo petista é caolho, conseguiu demolir com alguma boa que restava na política, hoje vemos homenagens a indivíduos que só não entregaram o Brasil, porque foram impedidos.
    Mas que o Rio Grande reincorpore o espirito farroupilha e seja grande novamente.

  4. Puggina não sabia que você era gaucho. Os gauchos de outrora eram em sua maioria libertários hoje a nova geração só pensa em “policiar o passado”, matar, esfolar . Isso não é convicção, é ódio, ódio do passado. Pensam ainda em comunismo. Prestes era gaucho. Tinha simpatia pela Monarquia. Depois ao sair de Santo Angelo na revolução em 24, teve apoio do maior e mais famoso guerrilheiro maragato: Honorio Lemes. E posteriormente no norte do RGS recebeu ajuda em homens e armas do chefe maragato Leonel Rocha. A marcha que fez pelo interior do Brasil para despertar o povo, perseguido pelo Exército e milhares de provisórios e do cangaceiro Lampíão. foi o bastante para deixar seu nome na história, Seu período de comunista foi uma aventura fracassada que nunca desmereceu seu passado de lutas. Se ele errou. Pergunto: Quem não erra? Prestes está na nossa história. Os que o combateram e combatem somente fanatizados pelo ódio, onde ficarão? Resposta tranquila: No Lixo da História. Esses personagens como Prestes só podem ser julgados pela história. Usar o blá, blá blá é um ato grosseiramente ridículo. Não é para esse Blog.

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