Um milagre do esforço humano, no enfrentamento ao gelo eterno

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Blocos de gelo, nas ruas de Norilsk, no Norte da Rússia

Sebastião Nery

Bóris Kolesnikov, menino asiático, vivia com o pai, a mãe e três irmãs menores no sul da Sibéria, fronteira com a Mongólia e a China. Em 1946, morre o pai e ele decide fazer a grande aventura. Põe um saco às costas, ganha mundo, pega o rio Angara, depois o Enissei, e vem para o Polo Norte, que se estende da fronteira da Finlândia até o estreito de Bhering, no Alasca), onde mora, todo vestido de branco, o gelo eterno.

Hoje, Boris é diretor geral do complexo industrial de Norilsk, o mais importante de todo o polo Norte mundial: é um combinado metalúrgico-mineral na península de Taimyr. Ele é testemunha e parte de uma das mais fantásticas histórias da aventura humana.

PARALELO 69 – Norilsk, cidade transpolar, localizada no polo Ártico, acima do paralelo 69. Acreditava-se que era impossível a quem viesse de fora suportar viver onde há insuficiência de vitaminas e de raios ultravioleta e onde se sentiria oprimido pelas longas noites polares e os dias curtos, muito curtos, ou às vezes nenhum, pois durante 47 dias, cada ano, não há dia, é a noite eterna.

É impossível sair passeando, porque o vento furioso das tempestades de neve, capaz de derrubar gente grande, sopra sem parar cortando fino como navalha de bandido.

Nos nove meses do inverno, mais de 100 milhões de metros cúbicos de neve caem sobre a cidade, Durante 280 dias, cada ano, os ventos árticos sopram a 30 metros por segundo e o frio é de 55 graus abaixo de zero, chegando às vezes a 71.

VIDA COMUM? – Construída sobre o gelo e a neve, sobre a merzlota, em cima de pilotis de cimento armado, com edifícios altos, Norilsk derrotou a neve e o gelo. Tem tudo que em uma cidade normal, biblioteca de 3 milhões de volumes e uma vida e uma atividade de trabalho como qualquer outra. Com o sul, ela está ligada através do rio Enissei, navegável. Com o extremo norte, através de uma ferrovia eletrificada de 120 quilômetros, que vai até o porto de Doudinka, o maior do polo Norte, portão de saída da Sibéria para os caminhos do oceano Ártico.

Toda esta enorme e caríssima infra estrutura foi montada por causa das riquezas da península de Taimyr: petróleo, gás, os diamantes de Yakoutie, as apatitas de Khibiny, ouro, minérios, 14 metais não ferrosos, fora a caça e a pesca, a criação de renas.

O complexo industrial está implantado sobre a central hidrelétrica de Oust-Khantai, um gasoduto de 263 quilômetros e imensas usinas metalúrgicas, com suas torres metálicas espetando o branco infinito, como brinquedos de Deus.

CIDADE PIONEIRA – Institutos científicos, grupos de pesquisas de todo o país, laboratórios e técnicos das mais variadas especialidades estudam, planejam e acompanham, permanentemente, a realização de cada nova experiência em Norilsk, uma cidade pioneira, uma cidade de aventura.

Também cientistas de vários outros países do polo Norte (Estados Unidos, Canadá, Groelândia, Islândia, Noruega, Suécia e Finlândia) seguem, desde o começo, “a lição, o exemplo, o modelo de Norilsk para a conquista das regiões de difícil acesso do globo”.

E Trudeau, então primeiro ministro do Canadá, único chefe de Governo estrangeiro a visitar Norilsk, olhando a tempestade de neve soprando novelos brancos, suspirou:

– Isto é uma lição, um exemplo. Mas sobretudo, um milagre.

11 thoughts on “Um milagre do esforço humano, no enfrentamento ao gelo eterno

  1. Do texto:
    “….14 metais não ferrosos, fora a caça e a pesca, a criação de hienas.”
    Criação de Hienas. ..ou de Renas.
    Parece-me que Hienas são típicos animais da savana africana.

  2. “Um milagre do esforço humano, no enfrentamento ao gelo eterno”

    Um desastre da ignorância humana avarenta por riquezas, ao custo de produção letal de dióxido de carbono, águas vermelhas poluídas com níquel, baixa expectativa de vida, altos índices de câncer…
    Perfeito para quem rejeita e quer ir contra a natureza humana, para quem escolhe uma vida de hiena …

    • Prezado Andre´, nem tanto ao Sol, nem tanto à Lua.
      Antes da industrialização aparecer e do plástico poluir os rios, a expectativa de vida de um ser humano era de uns 35 anos, em média.
      O problema não é causado pelas indústrias. O problema é causado pelo descaso governamental em não exigir o cumprimento das legislações de controle dos efluentes/rejeitos.

      Abraços.

  3. Pela resiliência do seu limiar térmico, negativo, há de se convir que esse fênix, Bóris, que ressurgira das cinzas congeladas, seja filho de um casal sobrevivente do evento de Tunguska, ocorrido a 30/06/1908. Uma mega explosão que reverberou na caixa craniana dos mais delirantes ficcioniastas. O que teria provocado aquele estampido? Um meteoro? Uma nave alienígena? OU um pedaço de antimatéria?

    • Já li muito sobre esse evento, Paulo.
      E conclui, baseado no que já li, que se tratava mesmo só de um cometa ou de meteoro!
      -Mas como esse negócio de “cometa” e “meteoro” é uma resposta muito “sem graça” e não vende revista, nem livro, muita gente resolveu dizer que se tratou de uma nave do tipo Jornada nas Estrelas movida a antimatéria… ou só um pedaço de antimatéria surgido do nada.

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