Um mistério que nem Freud nem Agatha Christie conseguem explicar. Por que o Tesouro Nacional insiste em aumentar a dívida externa?

Carlos Newton

Como se sabe, o Brasil já acumulou cerca de US$ 350 bilhões em reservas, Apesar de dispor dessa soma inimaginável em dólares, por que segue buscando empréstimos no exterior? Realmente é inexplicável. E o pior é o governo se autoelogiar por estar pagando os menores juros da história para títulos globais brasileiros: 4,18% ao ano.

As informações são de que o Tesouro Nacional concluiu nos mercados norte-americano e europeu o primeiro lançamento de títulos da dívida pública brasileira do ano, nessa taxa de 4,18% ao ano. Foram negociados US$ 500 milhões em papéis que vencem em 2021. E outros US$ 50 milhões poderão ser oferecidos no mercado asiático, nas mesmas condições conseguidas nos Estados Unidos e Europa.

“A demanda foi bem superior à oferta, foi muito bem sucedido”, regozija-se o analista do Tesouro, David Athayde, acrescentando que o governo esperava um momento favorável para conseguir colocar os papéis no mercado internacional pagando juros menores.

No mês passado, a agência Moody’s elevou a nota de risco da dívida brasileira para Baa2, o que significa que a possibilidade de calote por parte do governo brasileiro é cada vez menor. Diante disso, o governo esperava que mais investidores se interessariam pelos papéis da dívida brasileira e aceitariam um rendimento menor por eles.

A última vez que o Tesouro lançou papéis no exterior foi em outubro do ano passado, quando emitiu títulos em reais. Desta vez, o governo resolveu lançar papéis em dólar. E na última emissão do Global 2021, feita há um ano, o Tesouro se comprometeu a pagar juros de 4,5% ao ano, a mais baixa taxa da história até então.

Vejam só que grande negócio. O Brasil tem US$ 350 bilhões em reservas, que lhe rendem apenas 2% ao ano. As entradas de dólares no país batem recordes, o governo não precisa de dólares, muito pelo contrário, o real cada vez se valoriza mais em relação à moeda americana. Mas, mesmo assim, pega dinheiro emprestado lá fora, pagando 4,18% ao ano, e ainda comemora.

Detalhe: quando o governo compra dólares internamente ou pede emprestado lá fora, tem de convertê-los em títulos da dívida interna, que pagam 12,5% ao ano. Fizeram as contas? O governo, parece que não.

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