Um mundo imaginário, na poesia de Emílio Moura

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O jornalista, professor e poeta mineiro Emílio Guimarães Moura (1902-1971) revela neste poema uma visão melancólica sobre o “Mundo Imaginário”.

MUNDO IMAGINÁRIO
Emílio Moura

Sob o olhar desta tarde,
quantas horas revivem
e morrem
de uma nova agonia?

Velhas feridas se abrem,
de novo somos julgados,
o que era tudo some-se
e num mundo fechado
outras vigílias doem.

A noite se organiza e,
no entanto, ainda restam
certas luzes ao longe.
Ah, como encher com elas
este ser já não-ser
que se dissolve e deixa
vagos traços na tarde?

3 thoughts on “Um mundo imaginário, na poesia de Emílio Moura

  1. Bela poesia – simples e bonita em sua melancolia de um mundo imaginário.
    Carlos Drummond de Andrade foi muito seu amigo, aliás eram amigos. “): “Amizade, teu doce apelido é Emílio”. disse Carlos Drummond.
    Hélio Pelegrino registra em Um poeta de corpo inteiro: “É mineiro de quatrocentos anos, no físico como no metafísico.” E assinala: “Jamais escreveu cartas aos amigos, mesmo aos amigos queridos, embora saiba dedicar-lhes uma fidelidade sem limites.”

  2. De Emilio de Moura para seu amigo:

    SONETO A CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

    A hora madura envolve-te e palpita
    nela o que ora te oferta, ora recusa:
    posse do que és, na solidão recôndita,
    graça de amar, ressurreição dos mitos.

    Claros enigmas riscam céus distantes.
    Falam-te as coisas pela voz que é o próprio
    sentimento do mundo e pela meiga
    sombra gentil que ressuscita a infância.

    Ouço-te andar nas lajes desta rua,
    que nem sei se é de Minas ou de alguma
    pátria remota que ao teu canto se abre.

    E amo-te a voz multiplicada em ecos:
    verbo dócil à força íntima e pura
    que à máquina do mundo se incorpora.

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