Um novo estilo?

Carlos Chagas 

Terça-feira  em São Paulo, participando de homenagem ao ex-vice-presidente José Alencar. Hoje  em Porto Alegre, na Federação Israelita, para lembrar as vítimas do holocausto. Amanhã  na cidade gaúcha de Candiota, para inaugurar uma usina de energia que funciona desde o começo do mês.
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A agenda da semana demonstra que Dilma Rousseff não se enclausurou no palácio do Planalto, como alega a oposição, mas, no reverso da medalha, também não repete a performance do Lula, permanente andarilho pelo país. Desde a posse, a presidente sai oficialmente pela segunda vez da capital federal,  descontada a viagem privada a Porto Alegre para visitar a filha e a neta. A primeira foi para percorrer as regiões assoladas pela tragédia, na serra fluminense.
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Trata-se de um estilo peculiar de Dilma, em nada parecido com o furor do Lula, que  todas as semanas, sem exceção, voava para algum ponto do território nacional, inaugurando pedras fundamentais e obras inacabadas, quando não se encontrava no estrangeiro. A esse propósito, a presidente estará na próxima segunda-feira em Buenos Aires,  para visita de serviço à presidente Cristina Kirschner.
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Lentamente, sem despertar comparações, Dilma cria um modelo pessoal de governar, que só o futuro revelará se mais profícuo que o do antecessor. Ou não.
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O importante neste primeiro mês de governo, ainda incompleto,  repousa na postura rígida da chefe do governo, que em três semanas já admoestou quatro ministros e mandou demitir dois auxiliares de segundo escalão, um no ministério da Justiça, outro no da Educação.  Ela  não admite que se fale em seu nome sem autorização, muito menos anunciando iniciativas com as quais não concorda ou sobre as quais ainda não decidiu. Sem a emissão de juízo de valor, trata-se de um novo comportamento inaugurado em Brasília.

CRER, OBEDECER E LUTAR

É sempre bom olhar o passado, que se não  diz o que fazer, sempre dirá o que evitar.  No auge do fascismo  na Itália, Mussolini dirigia-se às multidões ululantes exigindo delas três obrigações: “crer,  obedecer e lutar”. Também  recomendava as excelências do “viver perigosamente”, ainda que  o perigo estivesse personalizado nele. Era uma farsa, em parte  semelhante ao período vivido pelo Brasil entre 1964 e 1985, quando se tornava perigoso  discordar das verdades absolutas emanadas do Olimpo.
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Estas considerações e fazem a propósito das próximas comemorações do aniversário do PT.  Mesmo dividido em treze facções distintas, o partido corre o risco de deixar-se inebriar pelo sonho de tornar-se único, detentor do poder maior. Só que tem um problema: enganam-se caso pensem que  a presidente Dilma Rousseff fará as vezes do rei Victor Emanoel, à espera de um Mussolini caboclo.

Na Itália, o Partido Fascista conseguiu, por um década, suprimir todo o tipo de oposição, sem que o monarca se insurgisse, só depois demitindo o ditador e mandando-o para a prisão. Aqui, os candidatos a Mussolini, que por enquanto é bom não fulanizar, poderão ser presos antes de ocupar o poder. Crer, obedecer e lutar pode não ser uma boa proposta.

MILITARES  NA EXPECTATIVA

Depois do adiamento por pelo menos um ano da compra dos 36 modernos  aviões de caça para a FAB,  Dilma Rousseff parece estar dando um “chega-pra-lá” na Marinha. Teria sido adiada também a aquisição de onze navios de patrulha oceânica, ainda que a compra de  submarinos não tenha sofrido percalços.   A presidente já despachou com os comandantes das três forças. Quer compreensão para sua decisão, tendo em vista a falta de recursos e as prioridades por ela definidas.  Não há como deixar de falar em frustração castrense, mas, mesmo assim, não se trata de cancelamento das modernizações, mas de adiamento.

O problema é que o equipamento militar vai ficando cada dia mais obsoleto, mesmo quando comparado com as forças armadas da América do Sul.  Venezuela, Peru e Colômbia vão ganhando uma corrida na qual  o Brasil se recusa a  entrar, mas será bom lembrar que as riquezas do pré-sal já exigem cuidados, bem como a disposição de vigilância nas fronteiras.

NOVATOS IMPERTINENTES

Reúne-se hoje, em Brasília, a bancada de senadores do PT.  Vão decidir a queda de braço entre Marta Suplicy e José Pimentel, eleitos em outubro e intransigentes candidatos à primeira vice-presidência da casa. Na verdade,  a melhor solução para os companheiros seria mandar os dois  passear. Afinal, são senadores de primeiro mandato, havendo na bancada gente mais experiente. O presidente Lula passou apertado, nos últimos quatro anos, quando Marconi Perilo, do PSDB, exerceu a vice-presidência, criando muitos casos para o governo. Por isso o PT tomou a decisão de reivindicar a função, capaz de  facilitar a vida de Dilma Rousseff nas ausências do presidente José Sarney, de resto em vias de ser reeleito. Querem uma sugestão? Por que não o senador Eduardo Suplicy?

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