Um olhar de poeta descreve cenas e fatos marcantes do cotidiano de cada um

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                 Ilka Bosse, a “Bailarina das Letras”

Paulo Peres
Poemas & Canções

A pedagoga (formada em duas habilitações na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras), empresária aposentada, escritora, cronista e poeta catarinense Ilka Bosse, conhecida como Bailarina das Letras, no poema “Eu Vi”, fala de cenas e fatos marcantes do cotidiano.

EU VI
Ilka Bosse

Hoje vi…
…transeuntes apressados
arrancarem sonhos da madrugada.
Vi, no banco da praça, idosos
extirparem a tristeza do peito,
pensando que chorar é defeito.

Vi pessoas de todas as idades
afogando a esperança,
na lagoa do crepúsculo.
Extorquirem gemidos de dores,
nas macas, pelos corredores
dos hospitais,
a qualquer hora do dia.
Isto me (entristece) entristecia.

Mas, hoje vi, também…
Pessoas alegres, arrebatarem
toneladas de sorrisos…
Tropeçando nos escombros
dos sonhos abandonados…
Sem se importarem…

Hoje vi…
Solitários rostos, de olhar opaco.
Vi  fenecer o sonho do rico,
arrastar-se na lama, qual caco…
Vi aflorar o brilho no olhar
do pobre e do miserável.
Que sensação agradável!
Eu vi…

Hoje vi…
o luar diferente,
a noite invernal mais quente.
Vi, o dia ser enxotado,
em direção à noite.
Vi o sol engolindo o anoitecer,
qual açoite…
Eu vi….
Mas, o aconchego do abraço?
Não senti…

Hoje vi…
o dia chuvoso, agonizando.
Aos poucos, silenciando…
Mas, também vi…
O inverno afrouxar as garras,
afiadas e frias, qual raivosa fera,
dando lugar à….
Primavera!
Que ainda não chegou…
Eu vi!

2 thoughts on “Um olhar de poeta descreve cenas e fatos marcantes do cotidiano de cada um

  1. – O homem contemporâneo padece de uma profunda frustração. Ele pensou que as maravilhas tecnocientíficas fossem trazer-lhe a tão sonhada autossuficiência, e com ela determinar o fim dos seus problemas existenciais. Ledo engano, sua expectativa surtiu efeito contraproducente, o tiro saiu pela culatra. Pois, à medida que a sociedade passa a depender de parafernálias, mais as pessoas vão ficando robóticas, frias, materialistas, individualistas: quanto mais densa a multidão; maior será a solidão.
    Resta buscar amparo naquele colo abnício da nossa espécie, o Sagrado. Mas eis que já se encontra privatizado, não nos é mais possível estabelecermos com ele uma relação enteogênica. Sua senha de acesso caiu nas mãos de sacripantas, os quais cobram um preço altíssimo, para ao Altíssimo nos encaminhar.
    Porém, nem tudo está perdido àqueles que resistirem à extorsão divina, eles continuarão com Deus, mas ao deus-dará! –

  2. Se o negócio é filosofar, lá vai uma tirada sideral:

    Para cada estrela na via Láctea
    Há uma galáxia.
    Para cada grão de areia na terra
    Há mil estrelas no céu.
    No universo há 500 bilhões de sóis
    Mas toda essa grandeza se apequena
    Quando fazemos amor sob os lençóis

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