Um pacto para inglês ver, com um toque de cinismo generalizado nos três Poderes

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Charge do UOL, reproduzida do Arquivo Google

Vera Magalhães
Estadão

Teve um quê de cinismo generalizado o encontro desta terça-feira entre representantes dos três Poderes, que prometeram um pacto pelas pautas de interesse do Brasil apenas dois dias depois de o presidente Jair Bolsonaro instigar e comemorar manifestações em todo o País que clamaram não por pacto, mas por cabresto no Legislativo e no Judiciário.

Os presidentes da Câmara e do Senado não vestiram a carapuça de inimigos da Nação que tentaram lhes enfiar nas cabeças – mais na de Rodrigo Maia que na de Davi Alcolumbre, pelo fato de a Câmara estar com a maior parte dos projetos de relevo, como a reforma da Previdência.

SEM CONFIANÇA – Foram ao encontro, comeram pão de queijo, sorriram amarelo para as fotos e voltaram para suas Casas na certeza de que não há confiança de parte a parte. Foi isso que relataram a seus liderados e deles colheram.

Da mesma maneira, chega a ser engraçado o presidente do STF, Dias Toffoli, ser autor da ideia de pacto (surrada, diga-se, clichê também tirado da cartola cedo demais, aos cinco meses de um mandato). Em contrapartida, o Supremo acaba de derrubar as concessões de subsidiárias da Petrobrás e a decidir sobre homofobia na frente do Congresso. O nome disso não é pacto, mas superveniência de atribuições entre os Poderes.

Maia não acusou o golpe do pixuleco em que o colocaram de pirulito na mão, mas reagiu sem passar recibo. Ao pedir que o relator da reforma antecipe seu parecer, ele devolve a bola a Bolsonaro: presidente, a Câmara tem pressa; pelo bem do País, deixe de travar a Nova Previdência e consiga os votos de que precisa.

DECRETO DAS ARMAS – Está correndo sério risco de ser derrubado o decreto de Bolsonaro que ampliou o porte de armas no País a várias categorias da população e afrouxou as regras para sua concessão. Há pelo menos dois relatórios em separado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado derrubando a peça na íntegra, pela inconstitucionalidade.

 A expectativa é que um deles prevaleça sobre o do relator Marcos do Val (Cidadania-ES), que é favorável ao decreto. A presidente da CCJ, Simone Tebet, dará uma semana de vista dos relatórios, que serão votados na semana que vem.

PROCURADORIA-GERAL – Criou mal-estar no Ministério Público Federal a constatação de que Raquel Dodge se movimenta intensamente para ser reconduzida à Procuradoria-Geral da República sem se submeter ao “recall” interno representado pela lista tríplice tirada a partir de eleição direta.

Esses movimentos são percebidos na narrativa, levada aos ouvidos de Jair Bolsonaro por padrinhos da recondução de Dodge, de que ela seria mais “previsível” e, portanto, uma escolha “segura” para o presidente. Para os procuradores, essa campanha pressupõe um compromisso tácito por parte dela de fazer um mandato anódino, sem iniciativas para confrontar o Executivo.

Além disso, prevalece internamente a percepção de que, se for reconduzida sem o aval dos pares, Dodge enfrentará um período de ingovernabilidade, pois não terá submetido sua gestão – marcada por atritos entre seu grupo e o do antecessor, Rodrigo Janot – ao escrutínio daqueles que terá de liderar. “O mandato é de dois anos, não de quatro”, diz um procurador regional.

11 thoughts on “Um pacto para inglês ver, com um toque de cinismo generalizado nos três Poderes

  1. Cinismo é o que vejo em grande parte da nossa mídia de merda. Durante 16 anos ao que me parece vivíamos num paraíso. Agora a cada dia estes caras parecem meteorologistas que estão sempre prevendo uma tempestade. Por que estes caras não vão para cuba. Pois, pra eles lá é um paraíso e exemplo de democracia.

  2. A Verinha que se cuide… tá prestes a levar um pé na bunda, da Jovem Pan )que está alinhadíssima com o Governo) igual ao beócio do profeçô Marco Antonio Villa. rsrs
    Simples assim.
    Atenciosamente.

  3. Enquanto assisto acordos espúrios, pactos imorais e mal feitos, as castas se deliciando com as dificuldades do povo, e querendo mais sangue, suor e lágrimas do pobre e do miserável, olho para mim mesmo e exclamo:

    – A minha situação é de tamanha penúria, tão sem dinheiro, que a minha última conversa foi fiada!

  4. De uns tempos pra cá, o noticiário político virou pura picuinha.
    Os argumentos contra Raquel Dodge parecem mais ou menos os mesmos da época em que ela assumiu o cargo, no governo Temer. E ninguém questiona o antigo herói da mídia Rodrigo Janot e a indulgência plenária concedida por ele aos picaretas da JBS.

  5. Quando escrevi para Paulo Guedes, lá no fundo eu imaginava que jamais o ministro iria me responder os questionamentos postados.

    Mencionei as nossas dificuldades;
    o desemprego;
    salários aviltantes;
    teremos de trabalhar mais até nos aposentarmos;
    a pobreza e a miséria aumentam exponencialmente;
    saúde pública deteriorada;
    ensino de péssima qualidade;
    violência …

    Quando o carteiro me trouxe um envelope com timbre do Planalto, do Ministério da Fazenda, fiquei até espantado!

    Abri o envelope, e dentro havia uma carta com um texto lacônico como resposta às minhas perguntas.
    Dizia assim:

    “Prezado Chicão,

    Pare de pensar como derrotado, pense como um boleto.
    Um boleto sempre vence!”

    Bem que mereci esta reprimenda!

  6. Não foi cinismo o Pacto que resultou na Emenda que deu na CIDADÃ, né?

    Só que está faltando Dona Raquel, certo???

    Um Pacto pode ser muito favorável à Democracia … como foi o da Emenda 26 à Constituição de 1967.

    Esse tão falado Pacto só tem sentido se for para confirmar a CIDADANIA … acabando com a Nomenklatura!!! !!! !!! e com os superpoderes dos Diretores do BC!!! !!! !!!

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