Um padre com cheiro de ovelha, o padre Cícero Romão Batista

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Ilustração do Duke (O Tempo)

Leonardo Boff
O Tempo

Dos dias 20 a 24 de março último, realizou-se em Juazeiro do Norte, no Ceará, o 5º Simpósio Internacional Padre Cícero com o tema “Reconciliação… e agora?”. Fiquei admirado pelo alto nível das exposições e das discussões, com a presença de pesquisadores nacionais e estrangeiros. Tratava-se da reconciliação da Igreja com o padre Cícero, que sofreu pesadas penas canônicas sem jamais queixar-se, num profundo respeito às autoridades eclesiásticas, e com os milhares de romeiros que o consideram um santo.

Indiscutivelmente, padre Cícero Romão Batista (1844-1934) é uma figura polêmica. Porém, as críticas vão diluindo-se para dar lugar àquilo que o papa Francisco, por meio do secretário de Estado cardeal Pietro Parolin, numa carta ao bispo local, dom Fernando Panico, diz: no contexto da nova evangelização e da opção pelas periferias existenciais, a “atitude do padre Cícero em acolher a todos, especialmente os pobres e sofredores, aconselhando-os e abençoando-os, constitui, sem dúvida, um sinal importante e atual”.

A FÉ DO POVO – Padre Cícero corporifica o tipo de padre adequado à fé de nosso povo, especialmente nordestino. Existe o padre da instituição paróquia, classicamente centrada no padre, nos sacramentos e na transmissão da doutrina pela catequese. É um tipo de Igreja com parca incidência social em termos de justiça e defesa dos direitos humanos, especialmente dos pobres.

Entre nós surgiu outro tipo, com o padre Ibiapina (1806-1883), que foi magistrado e deputado federal, tendo abandonado tudo para, como sacerdote, colocar-se a serviço dos pobres nordestinos, como padre Cícero, frei Damião e padre José Comblin, entre outros. Eles inauguraram outro tipo de ação religiosa junto ao povo. Não negam os sacramentos, porém mais importante é acompanhar o povo, defender seus direitos, criar por toda parte escolas e centros de caridade. Esse é o tipo de padre adequado a nossa realidade e que o povo aprecia e necessita.

MANDAMENTOS ECOLÓGICOS – Esse era também o método de padre Cícero, que se desdobrava em três vertentes: primeiro, conviver diretamente com o povo; em seguida, visitar todas as casas dos sítios; e, por fim, orientar e aconselhar a população nas pregações e novenas. Ao anoitecer, ele reunia as pessoas diante de sua casa, distribuía bons conselhos e encaminhava o povo para o aprendizado de todo tipo de ofícios para se tornarem independentes. Nesse contexto, padre Cícero se antecipou ao nosso discurso ecológico com seus dez mandamentos ambientais, válidos até os dias de hoje (“não derrube o mato, nem mesmo um só pé de pau” etc.).

O padre Comblin, eminente teólogo, devoto de padre Cícero, escreveu com acerto: “O padre Cícero adotou amorosamente os pobres e advogou a causa dos nordestinos oprimidos, dedicando-lhes incansavelmente 62 anos de vida. E o povo pobre o reconheceu, o defendeu e o consagrou, continuando a expressar-lhe seu devotamento, porque viu e vê nele o Pai dos Pobres”.

CHEIRO DE OVELHA – Repetidas vezes enfatiza o papa Francisco que o padre “deve ter cheiro de ovelha”, quer dizer, alguém que está no meio de seu “rebanho” e caminha com ele. Cito um texto emblemático, proferido ao episcopado italiano no dia 16 de maio de 2016, que diz: “O padre não pode ser burocrático, mas alguém que é capaz de sair de si mesmo, caminhando com o coração e o ritmo dos pobres”.

Essas e outras qualidades foram vividas profundamente por padre Cícero, tido como o Grande Patriarca do Nordeste, o Padrinho Universal, o intercessor junto a Deus em todos os problemas da vida, o santo cuja intercessão nunca falha. Os romeiros e os devotos sabem disso. E nós secundamos essa convicção.

11 thoughts on “Um padre com cheiro de ovelha, o padre Cícero Romão Batista

  1. E um padre com cheiro de vinho… sangue de boi,
    Luis Inacio lula da Silva, o santíssimo, aquele que nunca na historia deste pais pegou um centavo sequer da gente brasileira…
    Mareado,
    mareado…
    híc!…

    Lula bebaco mencionando a transposição do São Francisco ao bispo local:

    – “Cumpanhero Dom Fernando Pãnico, ôpz! Don Penico,
    tinha um garoto na minha cela…….
    ô Bessias! tira essa cabra daqui porra! …..

  2. Vou separar apenas uma parte da “bobageira” que esse troço escreveu.
    Aspas portanto :
    “Padre Cícero corporifica o tipo de padre adequado à fé de nosso povo, especialmente nordestino. Existe o padre da instituição paróquia, classicamente centrada no padre, nos sacramentos e na transmissão da doutrina pela catequese. É um tipo de Igreja com parca incidência social em termos de justiça e defesa dos direitos humanos, especialmente dos pobres…”
    Tipo de igreja com parca incidencia social….!???
    A Igreja é o CORPO MISTICO de Cristo.
    Vc nao sabe disso pq vc sempre foi outra coisa qualquer menos PADRE!
    Igreja como MÃE tem que nos conduzir e não se preocupar com parca justiça social.
    E o resto do insuportável texto segue no padrão execravel de sempre…da lavra desse troço.
    Sempre defecando cerebralmente e pelos dedos.

  3. O Padim Ciço é o santo do cariri, nascido no Crato, Ceará. Ele tinha dons especiais como profetizar e anunciar acontecimentos. Padre Cicero foi um padre muito discutido na Igreja, foi afastado da Igreja, depois veio a reconciliação, mas sempre foi o santo de Juazeiro do Norte. O Papa Francisco, disse que o padre Cicero era um padre exemplar, um sacerdote para Igreja de nossos tempos.

  4. A religião tem sido uma válvula de escape, há séculos, pra proteger bandidos ou proteger defensores de bandidos como é o caso desse bofe.

  5. Caro Boff..

    “Essas e outras qualidades foram vividas profundamente por padre Cícero, tido como o Grande Patriarca do Nordeste, o Padrinho Universal, o intercessor junto a Deus em todos os problemas da vida, O SANTO CUJA INTERCESSÃO NUNCA FALHA. Os romeiros e os devotos sabem disso. E nós secundamos essa convicção.”

    -Se essa afirmativa fosse VERDADEIRA, o Nordeste teria mais brejos do que o Pantanal Mato-Grossense e só seria possível transitar por lá de barco…
    …e a transposição do Rio São Francisco teria sido feita para as regiões sul e sudeste.

    Abraços.

  6. Leonardo Boff faz autocrítica de seu eterno apoio ao Lula. Leiam.
    “Lula mais do que os crimes a que responde, feriu de golpe a esquerda no Brasil. ”
    “Ajudou a estigmatizar suas bandeiras sociais e contribuiu diretamente para o crescimento da direita brasileira.”
    “Se embebedou com o poder.”
    SEGUNDO STEPHEN KANITZ, QUE CONTINUA SEUS COMENTÁRIOS:

    Nem Boeff , nem os demais Marxistas, nunca leram os 2000 anos de análises políticas da Direita, que sempre nos alertou que “o poder corrompe”.
    A Direita tem 2000 anos de erros cometidos e duros aprendizados, e é um absurdo os Marxistas ignorarem e recusarem a estudar esses conhecimentos.
    Você não precisa ser de Direita para estudar o que eles aprenderam a jamais fazerem, você precisa é deixar de ser burro e preconceituoso.
    “E o pior” , descobre Boff, “Lula traiu as esperanças de 500 anos do povo”.
    “Nós que tanta confiança depositávamos no novo, com as milhares comunidades de base, as pastorais sociais e os grupos emergentes”.
    E agora Leonardo, como você vai se redimir e consertar esse erro colossal que tanto prejudicou o povo Brasileiro?
    “Em seus oito anos, Lula não conseguiu fazer passar nenhuma reforma, nem a política, nem a econômica, nem a tributária e muito menos a reforma agrária.”
    Em 6 meses o seu “Fora Temer” já passou 4 das 6 reformas que prometeu. Por que não o elogias?
    Em Março desse ano Leonardo Boff era o primeiro a encabeçar uma lista de intelectuais a defender Lula.
    “O Brasil precisa de Lula,” diz o documento.
    Leonardo Boff é a assinatura número 1, o jornalista e escritor Fernando de Morais comparece com a número 2, o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão é a número 6, Chico Buarque é a 9. O líder do MST, João Pedro Stédile é a número 10 e o jurista Fábio Konder Comparato a 11.
    Como vocês vão repor os bilhões que vocês indiretamente foram responsáveis?
    Se vocês fossem de Direita, perderiam todo o seu capital investido, que seria revertido aos seus prejudicados.
    Só escrever um “Errei” não é eticamente suficiente vocês tem 25 anos de erros para repararem.

    ESTOU COM O KANITZ E NÃO ABRO!

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