Um Papai Noel bem à brasileira, na visão do músico Celso Viáfora

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Viáfora, um compositor que sabe jogar com as palavras

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O arranjador, cantor e compositor paulista Celso Viáfora, na letra de “Papai Noel de Camiseta”, soltou a imaginação para retratar uma realidade que para muita gente não existe. A música foi gravada por Ivan Lins no CD Um Novo Tempo, em 1999, pela Abril Music.

PAPAI NOEL DE CAMISETA
Celso Viáfora

Papai Noel irá chegar de camiseta
metido num chinelo e de bermuda jeans
tocando agogô invés de uma sineta
cantando do xará o “Palpite Infeliz”
então, será Natal
A noite vai ser mais feliz

Estenderá uma toalha na sarjeta
em qualquer praça de subúrbio do País
trará cachaça, arroz, feijão, a malagueta
doce de leite, balas de goma e quindins
aí será Natal
A noite vai ser mais feliz

E surgirão blocos mirins
de suas camas de jornal
e dragqueens
os reis magros do carnaval
de pé no chão
os solitários da paixão
um tamborim
alguém trará um violão
um bandolim
e a multidão vai sambar com a batida dos sinos

Ali no morro nascerá mais um menino
e, no primeiro sol, virão os bentevis

Num dia de natal
a gente pode ser feliz

6 thoughts on “Um Papai Noel bem à brasileira, na visão do músico Celso Viáfora

  1. Quando eu ia à missa – e isto faz muito tempo – o ponto alto da celebração, pra mim, era quando se cantava a Consagração a Nossa Senhora. Com que entrega e emoção eu cantava, olhando para o altar, como se minha mãe senhora estivesse ali materializada para me acudir e abençoar. Chorei muitas vezes. Quase sempre, eu diria. Um choro brando, de uma ou outra lágrima rolar. O coração, ao contrário, explodia, prendia a respiração tanta era a emoção dentro de mim.
    E eu mudava de lugar. Saía do banco em que estava sentada lá na frente e ficava em pé, ao lado dele, receptiva, entregando o meu coração, tudo meu para ela.

    Os evangélicos não gostam de imagens. Mas quem esculpe essas santas de igreja sabe como ninguém emprestar a elas olhos doces e mãos delicadas, que nos convidam a uma entrega profunda. Todo católico sabe que a imagem é apenas uma representação, não é a imagem a figura amada, ela tem a função de nos espelhar Maria, a Mãe de todos.

    Fazia bem, e era bom estar ali em comunhão com outros seres que sentiam como eu sentia. E cantavam…

    … ‘consagro a vós meus olhos
    meus ouvidos
    minha boca
    tudo o que sou
    desejo que a vós pertença
    incomparável Mãe, guardai-me
    e defendei-me
    como coisa e propriedade vossa
    amém’.

    Se eu me emociono com a contagem regressiva dos segundos que nos separam de um novo ano, pode-se imaginar o que o coro de uma igreja cheia de fiéis cantantes produzia em mim.

    Deixei de ir à missa após a morte do meu pai. Se à igreja eu fui, foi para comparecer a alguma missa de sétimo dia. E a última de que me lembro, a da mãe de uma amiga quase de infância, de curso ginasial. Falo grego ou alguém ainda sabe o que é isto, ginasial?

    Minha alma foi atropelada, está ferida, e não há nada que eu possa fazer. Cantar? Sempre cantei muito, minha mãe, coitada, vivia pedindo pra eu abaixar o som. Meu pai saía em minha defesa, também gostava de música e de me ouvir cantar. As músicas da vida da minha mãe eram outras que não as minhas.

    Sei, ou pelo menos acho isto, que não vou recuperar a emoção de antes, de outros tempos. Melhor nem pensar em ir à igreja pra não me decepcionar.
    Já nem tenho conhecimento de quem são os padres de agora, por onde andará o padre Carlinhos?

    Fui batizada nessa igreja, Coração de Maria, no Méier, onde fiz também primeira-comunhão. Casar? Casei na Urca, na N. Sra. do Brasil. Por acaso(?). Um final de semana, eu e o ex passávamos por lá, na Urca, quando ele chamou minha atenção para a igreja tão bonitinha que dava para o mar. Ele estacionou, nós entramos, conhecemos o interior e a figura do monsenhor Barbosa. Foi paixão à primeira vista! E meu casamento, muito bonito, diga-se.

    Voltei a essa igreja algumas vezes. Roberto Carlos, que morava ou mora ao lado, tinha o hábito, a fé ou o que seja, de emprestar sua voz ao local no final do dia, acho que aos domingos, já não lembro.

    Não tenho mais voz para pedir, talvez apenas para doar meus desejos de bons tempos e boas festas para todos, especialmente aos que quero bem.

  2. Ofélia, que texto lindo! Tomara que o Carlos Newton o coloque como um artigo. Merece.
    Também eu fiz o Ginasial! Na minha época ainda havia o “exame de admissão ao curso ginasial”.
    Também frequentei muito a Igreja Católica, levando os meus filhos. Com o tempo, fui cansando, esfriando a fé e já não vou mais, ninguém vai mais. Não precisa-se ir à Igreja para ser cristão. Tenha um Feliz Natal, Ofélia.

  3. Caríssima Ofélia,

    Gosto dos textos que mencionam passagens da vida do comentarista, daquilo que mais o emocionou, que hoje não lhe desperta interesse, que lhe deixou recordações indeléveis.

    E os aprecio mais ainda quando escritos com esta sensibilidade, que caracteriza os teus registros, que os diferencia, que os tornam memoráveis.

    Pois são comentários deste nível que este blog é incomparável, em face de ter um time de articulistas e comentaristas inigualável, culto, inteligente, e que enaltece sobremaneira os textos com esta sinceridade que te é peculiar, Ofélia, este teu estilo único, esta tua extraordinária capacidade de dissertação!

    Um grande abraço, forte, caloroso.
    Feliz Natal, junto aos teus amados.

  4. Papai Noel de camiseta, moderninho, com uma mensagem super legal. Parece mais uma crônica cantada por Ivan Lins.
    “Num dia de natal
    a gente pode ser feliz”
    Com certeza, como diria Leda Nagle.

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