Um paradoxo: Governo isenta empresas do INSS em R$ 54 bilhões este ano

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Charge do J. Cezar (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

É uma grande contradição. Enquanto de um lado o governo Jair Bolsonaro mantém renúncia de empresas para com o INSS, de outro a equipe do ministro Paulo Guedes estuda como conter os gastos da Previdência Social, centrando sua preocupação maior com o pagamento de aposentadorias e pensões exatamente envolvendo INSS.

A contradição foi claramente identificada pela repórter Idiana Tomazelli, edição de ontem de O Estado de São Paulo. Se compararmos essas isenções com o déficit orçamentário da Previdência Social vamos verificar que a fração de 54 bilhões representa a quarta parte do prejuízo previsto para o Instituto desse ano.

FESTIVAL DE BONDADES – Há isenções de vários tipos. As mais altas referem-se a questões envolvendo a pecuária e o agro negócio, rivalizando com as exportações de automóveis e a desoneração para com as entidades filantrópicas consignadas como tal na Lei Orçamentária do presente exercício.

O governo Temer desonerou em 46 bilhões as obrigações previdenciárias relativas ao exercício de 2018. Agora, em 2019 o governo Bolsonaro amplia isenções na escala de 54 bilhões de reais. As entidades filantrópicas estão recebendo uma desoneração de 11 bilhões de reais. Muitas delas têm convênio na área de diversos Ministérios.

Além disso, 54 bilhões representam um montante muitíssimo superior do que a redução das aposentadorias e pensões poderá proporcionar, no caso de o Congresso aprovar a reforma da Previdência.

PODE RECUAR – Idiana Tomazelli acrescenta que, por seu turno, o governo está alarmado com o montante das desonerações eadmite existir espaço para revisão das isenções no correr do atual exercício. Mas talvez seja tarde demais para que essa revisão produza efeito financeiro até o final de dezembro.

VISÃO ERRADA – Em uma entrevista à coluna Mercado Aberto, na Folha de São Paulo de ontem, o presidente do Bradesco, Otávio Lazare, está prevendo maciço ingresso de capitais estrangeiros na economia brasileira, em consequência da reforma previdenciária.

Na minha opinião, a reforma da Previdência Social nada tem a ver com os investimentos econômicos privados. A reforma previdenciária não pode ter efeito também para reduzir a dívida bruta, que se eleva agora à escala de quase 5 trilhões de reais.

10 thoughts on “Um paradoxo: Governo isenta empresas do INSS em R$ 54 bilhões este ano

  1. Estão comprando a reforma da previdência? O que explicaria Paulo Guedes em relação a declaração do presidente do Bradesco? Sabemos que a carga tributária e o emaranhado burocrático no Brasil são a maior causa de sua estagnação econômica, além de sua infraestrutura de terceiro mundo, então pontuar culpados a esmo é dar provas de estupidez mental a quem sempre usou isso para se beneficiar. Priorizar a reforma previdenciária em detrimento da fiscal e política, é curvar a espinha para os mesmos grupos econômicos que apenas investem em mais mercado, mantendo o sistema. O povo colocou Bolsonaro com um propósito.

  2. Bolsonaro traiu seus eleitores e manteve no poder os mesmos ratos que roubam e exploram o trabalhador , e impedem o crescimento econômico
    Os banqueiros continuam mandando no Brasil.
    A situação vai piorar daqui pra frente.
    O Brasil afunda cada vez mais na lama rumo ao precipício.

  3. Vejam quantos desempregados há no país hoje, mais a sonegação e desvios, este é o grande mal da previdência social, mas é mais fácil destruir os trabalhadores do que procurar criar empregos, agora mesmo o governador do estado do Rio, está criando presídio vertical para 5000 vagas, ou seja, em vez de criar escolas e emprego, esta é diferença de trabalhistas e ultraliberais, pobre Brasil que está nas mãos de incompetentes.

    • Falar do Rio é sempre uma coisa difícil. Difícil separar o povo de seus maus políticos. Separar gente de bem com os heróis macabros, chefiando o tráfico nas comunidades, suas milicas, sua máfia política, sua máfia empresarial e mesmo jurídica. Um estado, uma cidade, complexos com problemas simples.

  4. MALDADES NO BOJO: No projeto enviado ao Congresso, o governo Jair Bolsonaro propõe reforma que na prática acaba a aposentadoria especial dos professores. Pelas regrais atuais, docentes se aposentam com cinco anos a menos de contribuição à previdência em relação aos demais trabalhadores (forma de minimizar o enorme desgaste do exercício dessa profissão). Pelo que está no projeto, professores terão que cumprir no mínimo 40 anos de sala de aula para ter direito à aposentadoria integral.
    http://www.deverdeclasse.org/l/bolsonaro-acaba-aposentadoria-especial-dos-professores-veja-como-fica-e-compartilhe

  5. CN, já notou que quando o assunto é erro do Bolsonaro, os comentaristas defensores da moral e dos bons costumes parece que ficam com os dedos paralisados, não conseguem usar o teclado.

    Isso é para ser estudado pela psicanálise, não acha?

  6. Lembrança, o orçamento deste ano foi feito pelo governo passado.
    Quanto a impostos, temos de lembrar também que o governo é sábio em tirar das costas dele e colocar na dos empresários a responsabilidade por inúmeros deveres do estado, tais como seguro saúde, alimentação transporte e outros penduricalhos, na conta dos empreendedores, impossibilitando um salario realmente justo aos operários.

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