Um petista privatizador, que se vê sitiado pelos antigos aliados

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), busca a reeleição em campanha discreta, com agendas públicas reduzidas e poucas entrevistas (Foto: UESLEI MARCELINO/REUTERS)

Corrupção de Pimentel foi denunciada em 14 delações

José Casado

Três invernos atrás era festejado como símbolo da renovação do Partido dos Trabalhadores. Hoje se vê sitiado pelos antigos aliados do partido e do sindicalismo no setor público, que há 30 meses incitam greves em protestos contra privatizações e atrasos nos salários.

Fernando Pimentel, governador de Minas Gerais, é caso curioso de político que sonha com a reeleição em outubro, mas enfrenta dificuldades para sair à rua em campanha. Coleciona denúncias por corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e caixa 2 eleitoral, e, ao mesmo tempo, administra um estado virtualmente falido, com o funcionalismo em convulsão.

Semana passada, grevistas invadiram os jardins do Palácio da Liberdade, onde ele se entretém no desenho de ideias para resgatar sua administração do naufrágio — elas têm sido exorcizadas pelo próprio partido, sob a premissa da rejeição ao “neoliberalismo”.

GASTOS DE PESSOAL – Minas gasta com funcionalismo o equivalente à receita de uma companhia como a Vale. Foram R$ 49,8 bilhões no ano passado, 13% mais do que conseguiu arrecadar em tributos. A principal fonte de renda do estado, o ICMS, não cobre o gasto com os quase 400 mil servidores, que consumiram R$ 42 bilhões.

Desde 2015, Pimentel aumentou custos de pessoal em cerca de 20%. Decretou calamidade financeira logo no primeiro ano de governo. E se tornou refém de uma folha de pagamentos onde a Polícia Militar (R$ 10,5 bilhões) custa 25% mais que os serviços de Educação.

O gasto com servidores na Educação supera a despesa com pessoal das maiores empresas privadas de Minas. Deve aumentar na próxima semana, quando a Assembleia aprovar reajustes retroativos (até 14%) para os professores. Entre eles, há 96 mil temporários. Sua incorporação é reivindicação antiga, mas foi bloqueada na Justiça pelo PT de Pimentel, anos atrás.

JUSTIÇA ONEROSA – Pesado, também, é o custo do Judiciário mineiro (R$ 4,5 bilhões). A despesa com a folha já ultrapassa o valor anual da arrecadação de outro imposto estadual, o IPVA. São 24 mil servidores trabalhando com três processos pendentes para cada caso novo registrado.

A Justiça estadual sustenta um expressivo número de privilegiados entre os 978 juízes, com rendimento mensal acima de R$ 50 mil. O recorde em maio foi de um juiz aposentado que recebeu remuneração de R$ 387.346,67. Equivale a R$ 12,9 mil por dia de aposentadoria, ou R$ 537,5 por hora de inatividade.

Pimentel procura alternativas. Tentou vender a sede administrativa do governo (290 mil metros quadrados) e parte das ações da empresa de saneamento (Copasa), promover concessões em metrô, aeroportos, estradas, presídios e escolas e centros de saúde. Não conseguiu.

DEBÊNTURES – Agora insiste numa obscura operação com debêntures de R$ 2 bilhões e a estatal Codemig, que recebe 25% da receita de produção de nióbio, um metal raro no mundo, mas abundante em Araxá (MG), e que é essencial à indústria de alta tecnologia.

Nessas iniciativas, seu maior adversário tem sido o próprio partido. A uma dúzia de semanas da eleição, o PT já não reconhece “Jorge”, antigo militante da guerrilha VAR-Palmares, olha para Pimentel, candidato à reeleição, e enxerga um petista privatizador.

6 thoughts on “Um petista privatizador, que se vê sitiado pelos antigos aliados

  1. Vamos lá, 10,5 milhões para segurança (devia dizer o número de funcionários), cerca de 7,5 milhões para educação (96 mil professores temporários, efetivvos devem ser 300 mil). 4,5 milhões para o judiciário com 24 mil servidores. Ou seja, o judiciário é o grande vilão do funcionalismo. Pouco eficiente e leva grande parte dos recursos. Mas o que me chamou atenção foi o número de professores temporários, 96 mil, não se dá mesmo muito valor à educação.

  2. Ah! mas a coisa é assim mesmo. O sujeito só é comunista, na “dureza”. Quando aprende a contar dinheiro, loguinho cai na orgia.
    Os lideres comunistas, só não abandonam a causa quando chegam ao poder, porque passam a ser donos de tudo, dai se mantem fiel a ideologia, sempre foi assim.
    Nunca haviam comido melado, quando comeram, o enlambuzamento foi amplo geral e irrestrito.
    Só que a desgraça nunca vem só. Alem de perderem o poder, ainda levaram uma “flechada” dos “golpistas”, que acabaram com a “mumunha” da moleza do tal imposto sindical.
    Como já não tem mais força para operar uma “revolução”, o negocio agora é na base da cascata, tipo lula candidato e esperar que cole alguma coisa.
    O PT esta mais baixo que fiofó de sapo.

  3. O meu tio morou no Uruguai na década de 60. Ele dizia que havia chegado um momento no Uruguai que 70% da população era de funcionários públicos, e os 30% que geravam riqueza não conseguiram segurar aquele modelo de estado. A Suiça americana foi a bancarrota, tupamaros, ditatura… Vejo o Brasil próximo a esse quadro, quem produz não consegue mais após pagar os impostos (que servem unicamente para atender os 3 poderes e seus satélites) sobreviver. Alguém sabe quanto ganha um ascensorista do Congresso? https://g1.globo.com/politica/noticia/congresso-gasta-r-5-milhoes-por-ano-para-manter-74-ascensoristas.ghtml

  4. A eleição mais decisiva será em MG! Mineiros, tenham o minimo de brios e vergonha na cara.
    Não reelejam de forma nenhuma o atual governador e muito menos a dupla Dilma-Aécio para o Senado!
    Nenhum desses 3 vale um vintém sequer. São 3 marginais que tem que ser escorraçados da vida pública.

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