Um poema de Clarice Lispector questionando a perfeição

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A escritora, jornalista e poeta Clarice Lispector (1920-1977), nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira, fala sobre “Perfeição” através deste poema.

PERFEIÇÃO
Clarice Lispector

O que me tranquiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.

O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.

Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.

O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.

Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição.  

3 thoughts on “Um poema de Clarice Lispector questionando a perfeição

  1. Clarice dizia que o amor é vermelho, o ciúme verde; meus olhos são verdes, mas são verdes escuros que na fotografia são negros. Meu segredo é ter os olhos verdes e ninguém sabe.
    Muito se escreveu sobre Clarice. Fernando Sabino em Cartas perto do coração traz a correspondência entre ele e Clarice. Livro que a gente lê e relê; Com Clarice, de autoria de Affonso Romano de Sant’Anna e Marina Colassanti mostram a proximidade de Clarice com o casal de escritores. Neste dia a gente vê que Clarice gostava de ir a cartomante. A primeira vez foi levada pelo casal e nunca mais deixou de ir ao Meyer conversar com a “quimorante” até a morrer. Na Hora da estrela a cartomante Nadir põe cartas para Macabéa.
    Certa vez Clarice manifestara que gostaria de jantar com o casal Affonso e Marina. Uma glória para Marina que convidou amigos de Clarice. Na hora “especialmente bonita” como ela era e como diz Marina. O jantar pronto e Clarice chega junto de Marina e diz que vai embora poque está comdor de cabeça. Não houve negociação entre ela e o casal. Affonso acabou levando-a em casa. Era assim, Clarice, emblemática.
    Você matou minha personagem, disse Clarice à enfermeira na hora de morrer, “O corpo para ela era uma ficção, uma pernagem. Real era ela” Em Affonso Romano de Santa e Marina Colasanti, Com Clarice. São Paulo, Ed; Unesp, 2013

  2. Para Clarice, tudo que existe é perfeito, ou seja há exatidão em tudo, mas no nosso dia-a-dia, não percebemos ou não chegamos a uma conclusão. Para ela essa exatidão, para nós é invisivel.

    “O que me tranquiliza
    é que tudo o que existe,
    existe com uma precisão absoluta
    (….) nos é tecnicamente invisível.

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