Um poema nascido nas esquinas nos muros, com palavras pobres, na visão de Oswald de Andrade

Resultado de imagem para oswald de andrade frasesPaulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, escritor, ensaísta, dramaturgo e poeta paulista José Oswald de Souza Andrade (1890-1954) foi um dos principais articuladores do movimento modernista literário e da célebre Semana de Arte Moderna, marco divisório na história das artes brasileiras, realizada em São Paulo, em 1922. A rebeldia de Oswald o levava a querer muito mais do que simplesmente revolucionar forma e conteúdo da criação artística, conforme o poema “Risco”, livre de qualquer regra gramatical, tanto que sobre o qual recai a decisão de escrevê-lo ou não. Na verdade, o que Oswald queria mesmo era uma revolução que transformasse a vida social dos brasileiros, suas instituições e costumes.

RISCO
Oswald de Andrade

Um poema livre
da gramática, do som
das palavras
livre
de traços

Um poema irmão
de outros poemas
que bebem a correnteza
e brilham
pedras ao sol

Um poema
sem o gosto
de minha boca
livre da marca
de dentes em seu dorso

Um poema nascido
nas esquinas nos muros
com palavras pobres
com palavras podres
e que de tão livre
traga em si a decisão
de ser escrito ou não

3 thoughts on “Um poema nascido nas esquinas nos muros, com palavras pobres, na visão de Oswald de Andrade

  1. 1) Grande Oswald de Andrade, poeta, escritor, pensador da arte e da cultura.

    2) Licença… TI = Trova Intuitiva
    Estrofe Teresópolis
    Antonio Carlos Rocha

    “O Dedo de Deus
    vejo da varanda
    sinto seu perfume
    aroma, lavanda”.

    • Paulo Peres, o genial escritor modernista, Oswald de Andrade fez parte do texto da coluna de Leandro Karnal, deste domingo: O desafio do casal.
      Por sinal, como sempre muito bom.
      Karnal disse sobre Oswald:
      ” E o casal fascinante em dupla? Tarsila do Amaral conheceu Oswald e brotou um amor intenso.
      Ele ? Genial, escritor, bem humorado. Ela? Brilhante, pintora de primeira grandeza, culta e agradável. Ambos aristocratas elegantes e com conversas que eram o centro das atenções.

      Diferentes dos dias atuais, que vão se tornando um deserto de homens e ideias.

  2. NOITE DE NÚPCIAS – Padre. Antonio Tomás

    Noite de gozo,noite de delicias,
    Aquela em que a noiva carinhosa,
    Vai do seu noivo receber carícias
    No leito sobre a colcha cor-de-rosa.

    Sonha acordada coisas fictícias ,
    Volvendo-se sobre o leito,voluptuosa,
    E o anjo de amor e de carícias
    Fecha a cortina tênue e vaporosa.

    Ouvem-se beijo tímidos , ardentes,
    Por baixo da cortina assim velada,
    Entre suspiros tristes e dolentes

    Se fitássemos a noiva agora exangue,
    Vê-la-íamos bem triste e descorada
    E o leito nupcial banhado em sangue.

    PS. Referido poema, pela família é considerado não pertencer ao poeta, entanto, as publicações havidas em jornais e revistas sempre lhe atribuíram a autoria..

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