Um poeta com nervos de aço

O compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914-1974), Lupe, como era chamado desde pequeno, compôs músicas que expressam muito sentimento, principalmente, a melancolia por um amor perdido. Foi o inventor do termo dor-de-cotovelo, que se refere à prática de quem crava os cotovelos em um balcão ou mesa de bar, pede um uísque duplo e chora pela perda da pessoa amada.

Constantemente abandonado pelas mulheres, Lupicínio buscou em sua própria vida a inspiração para suas canções, onde a traição e o amor andavam sempre juntos. E “Nervos de Aço” não foge à regra, porque Lupe fala de um sentimento numa ocasião especial com franqueza. Além disso, o desejo de morte é superado e surge o canto. Cantar é colocar-se acima das regras; é olhar para o futuro; é transcender o desejo de dor e continuar vivendo. Originalmente, “Nervos de aço” foi lançada em 1947, na Continental, pelo cantor paulista Déo (Ferjalla Rizkalla), mas pouco depois, Francisco Alves também gravou a música na Odeon, conseguindo um enorme sucesso.

NERVOS DE AÇO
Lupicínio Rodrigues

Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
Ter loucura por uma mulher
E depois encontrar esse amor, meu senhor
Ao lado de um tipo qualquer
Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
E por ele quase morrer
E depois encontrá-lo em um braço
Que nem um pedaço do seu pode ser

Há pessoas de nervos de aço
Sem sangue nas veias e sem coração
Mas não sei se passando o que eu passo
Talvez não lhes venha qualquer reação
Eu não sei se o que trago no peito
É ciúme, é despeito, amizade ou horror
Eu só sei é que quando a vejo
Me dá um desejo de morte ou de dor           

(Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

5 thoughts on “Um poeta com nervos de aço

  1. Renato,
    Como tu és muito jovem, quem melhor interpretou e cantou as músicas do saudoso gaúcho Lupicínio foi também o inesquecível Jamelão.
    A dupla foi imbatível neste tipo de canção, de coração partido, do sujeito abandonado pela mulher que amava, e assim por diante.
    Outra música estupenda foi Vingança, do mesmo autor.

  2. Celso,
    Jamelão e Lupicínio foram moráveis.
    Evidente que outros cantores enalteceram a música do célebre gaúcho, também autor do Hino do Grêmio, mas Jamelão cantava com vibração, sentimento, como se ele fosse não só o autor da música como o personagem que a letra da canção se reportava.
    Um casamento perfeito entre autor e intérprete.
    E Lupicínio ainda continua sendo lembrado até mesmo por esta leva de cantores novos, pois as suas composições foram marcantes, obras primas de um homem amargurado, que se viu abandonado e traído pelo seu grande amor!
    Acredito que raros foram os homens que não passaram por este sofrimento e decepção.
    Valeu, Celso, um abraço.

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