Um soneto de Raimundo Correia que revela a hipocrisia no convívio social

Resultado de imagem para raimundo correiaPaulo Peres
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O magistrado, professor, diplomata e poeta maranhense Raimundo da Mota de Azevedo Correia (1859-1911), no soneto “Mal Secreto”, procura mostrar uma visão da hipocrisia humana, pois muitos usam uma máscara que esconde a realidade.

MAL SECRETO
Raimundo Correia

Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!

4 thoughts on “Um soneto de Raimundo Correia que revela a hipocrisia no convívio social

  1. O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso já dizia Mario Quintana. Então o melhor é curtir nossas mágoas sozinhos, pois a verdade é que há pessoas que não gostam de conversas tristes, nem ouvir lamúrias. Com a alma em pandareço, vamos aparentar que estamos felizes, que está tudo azul. Vamos rir para não chorar.

  2. Mal Secreto
    Jards Macalé e Waly Salomão

    Não choro,
    Meu segredo é que sou rapaz esforçado,
    Fico parado, calado, quieto,
    Não corro, não choro, não converso,
    Massacro meu medo,
    Mascaro minha dor,
    Já sei sofrer.
    Não preciso de gente que me oriente,
    Se você me pergunta
    Como vai?
    Respondo sempre igual,
    Tudo legal,
    Mas quando você vai embora,
    Movo meu rosto no espelho,
    Minha alma chora.
    Vejo o rio de janeiro
    Comovo, não salvo, não mudo
    Meu sujo olho vermelho,
    Não fico calado, não fico parado, não fico quieto,
    Corro, choro, converso,
    E tudo mais jogo num verso
    Intitulado
    Mal secreto.

  3. Raimundo Correia nesta poesia fala das aflições da alma humana por não ser feliz, mas cada um coloca a máscara que tem para disfarçar o sofrimento. Então, fingimos que tudo está bem, quando na verdade o sofrimento nos consome e invejamos a vida do outro por achar que ele é feliz.

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