Um terço dos eleitores de Serra aprova atuação de Lula

Pedro do Coutto

À primeira vista parece uma contradição ou equívoco. Mas vamos examinar com atenção esse aspecto bastante sensível da campanha sucessória, revelado na penúltima pesquisa do Datafolha e identificado pela percepção do conselheiro do TCE-RJ, Humberto Braga, um intelectual, meu amigo, que me chamou atenção para o detalhe. É, no fundo, essencial.

A pesquisa publicada pela Folha de São Paulo revela que um terço dos que se mostram dispostos a votar em José Serra aprovam a atuação do presidente Lula. Os que se integram na fração são favoráveis ao governo, mas acham Serra mais habilitado para dar sequência aos avanços da era Luis Inácio. A descoberta explica algumas coisas aparentemente enigmáticas. Por exemplo: porque, ao longo  da campanha, o ex-governador de São Paulo não atacou Lula? Exatamente porque, certamente de posse de levantamento semelhante, concluiu que, se o agredisse, perderia mais votos do que obteria.

Interessante a descoberta de Humberto Braga, leitor atento de pesquisas, eu não havia notado… Lula tem a aprovação de 80% da opinião pública. Os que o consideram ruim ou péssimo são apenas 3%. Estes três por cento já estão com Serra.

A totalidade lulista – claro – está com Dilma que se encontra hoje a quatro passos das urnas e na véspera de chegar ao Palácio do Planalto. A diferença aí está. Enquanto 33% dos serristas apóiam Lula, cem por cento dos lulistas estão com Rousseff. O mais recente levantamento do Datafolha, publicado ontem pela FSP, comentário de Fernando Rodrigues, revela essa realidade. Dilma 48 a 39 dos votos em geral e 56 a 44% dos sufrágios úteis. Treze por cento são os indecisos e os que vão votar nulo. Assim, 87 passam a ser iguais a 100. Daí a diferença dos percentuais de intenções de voto e seu aproveitamento final, caso a parcela complementar não v4enha a se definir. O que é improvável. Como sempre acontece, os que vão anular ocupam uma faixa entre 5 a 6%. 7% vão se dividir, em partes desiguais, entre os dois adversários.

Mas a pesquisa publicada ontem apresenta alguns outros ângulos que vale a pena focalizar. Sobretudo em função do debate de amanhã, na Rede Globo. A audiência vai ser muito alta. Primeiro em face da força do canal. Segundo porque se trata do último confronto público dos candidatos antes da votação. Terceiro porque marca o encerramento da campanha eleitoral. Em  quarto porque se o debate da Record atingiu 21%, segundo o Datafolha, o de amanhã vai alcançar muito mais. Ficará  entre 35 a 40% dos domicílios, abrangendo a ampla maioria do eleitorado.

Seguindo os resultados do datafolha, mais dois prismas que eliminam dúvidas ou vacilações: para 47%, as posições religiosas não possuem a menor importância. Caso do tema aborto. E para 87% a corrupção é algo abominável e desmerecedor. Este é o panorama da opinião pública e do que ela deseja que ocorra no duelo final.

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ALDYR PASSARINHO EQUIVOCA-SE

Um outro assunto. Em declarações publicadas pelo Valor, edição de 26, o ministro do TSE, Aldyr Passarinho Junior, revoltado com as acusações entre os candidatos, que considera tiroteio eleitoral, cogita de mudanças capazes até de responsabilizar os marqueteiros pelos excessos. Absurdo total. Como um jurista pode afirmar uma coisa dessas? Responsabilizar terceiros pelo que os primeiros falaram? Não faz sentido. Tampouco censurar qualquer manifestação. A Carta de 88 veda qualquer tipo de censura.

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