Um trágico triângulo amoroso na Mangueira, na versão musical de Noel Rosa

Resultado de imagem para noel rosaPaulo Peres
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O cantor, músico e compositor carioca Noel de Medeiros Rosa (1910-1937) compôs “Quando o Samba Acabou” inspirado no trágico amor de dois malandros pela mesma cabrocha. Este samba foi gravado por Mário Reis, em 1933, pela Odeon.
QUANDO O SAMBA ACABOU
Noel Rosa
Lá no morro da Mangueira
Bem em frente a ribanceira
Uma cruz a gente vê

Quem fincou foi a Rosinha
Que é cabrocha de alta linha
E nos olhos tem seu não sei que

Numa linda madrugada
Ao voltar da batucada
Pra dois malandros olhou a sorrir

Ela foi se embora
Os dois ficaram
E depois se encontraram
Pra conversar e discutir

Lá no morro
Uma luz somente havia
Era lua que tudo assistia
Mas quando acabava o samba se escondia

Na segunda batucada
Disputando a namorada
Foram os dois improvisar

E como em toda façanha
Sempre um perde e outro ganha
Um dos dois parou de versejar
E perdendo a doce amada
Foi fumar na encruzilhada
Passando horas em meditação

Quando o sol raiou
Foi encontrado
Na ribanceira estirado
Com um punhal no coração

Lá no morro uma luz somente havia
Era Sol quando o samba acabou
De noite não houve lua
Ninguém cantou

5 thoughts on “Um trágico triângulo amoroso na Mangueira, na versão musical de Noel Rosa

  1. De Rubem Braga sobre “modéstia a parte, eu sou da Vila”

    “Nasci, modéstia à parte, em Cachoeiro de Itapemirim – mas escrevi parodiando declaradamente uma letra de Noel Rosa sobre Vila Isabel. A letra de Noel foi esquecida por muita gente, e várias vezes, através dos anos, encabulei ao ganhar elogios pela “minha frase”. O remédio é a gente silenciar, “pondo a modéstia de parte”, como dizia o bom Noel. Afinal ele escreveu tanta coisa bonita que com certeza não se importaria muito com este pequeno furto. Em todo caso, Noel, desculpe o mau jeito.”

    • Sempre houve músicas boas e ruins. As músicas ruins, no passado, não encontravam ressonância na midia, que era exigente e só dava espaço para a boa qualidade – tanto músicas românticas, de afeto, que retratavam o cotidiano, o ambiente politico. Noel Rosa, O mercado considerava que era bom e duradouro.

      Último Desejo – Noel Rosa

      Nosso amor que eu não esqueço
      E que teve seu começo numa festa de São João
      Morre hoje sem foguete, sem retrato e sem bilhete
      Sem luar, sem violão
      Perto de você me calo
      Tudo penso e nada falo, tenho medo de chorar
      Nunca mais quero o seu beijo
      Mas meu último desejo você não pode negar
      Se alguma pessoa amiga pedir que você lhe diga
      Se você me quer ou não
      Diga que você me adora, que você lamenta e chora
      A nossa separação
      E ás pessoas que eu detesto
      Diga sempre que eu não presto, que meu lar é o botequim
      E que eu arruinei sua vida
      Que eu não mereço a comida que você pagou pra mim

  2. “Lá no morro
    Uma luz somente havia
    Era lua que tudo assistia
    Mas quando acabava o samba se escondia

    Noel Rosa não foi só o sambista; ele compunha o dia-a-dia da vida. “Quem nasce lá na vida Vila/nem sequer vacila/ao abraçar o samba….”

    “com que roupa eu vou/ao samba que você me convidou…”

  3. Tres apitos – relato de João Máximo:

    Segundo João Máximo a letra fala só em um apito, mas eram três os que soavam na fábrica de tecidos Confiança. O som fazia Noel Rosa se lembrar de Fina, musa que trabalhava numa outra fábrica. A história de uma das mais famosas composições de Noel é contada por um dos seus biógrafos, o jornalista e escritor João Máximo:

    Ainda há quem pergunte porque um dos melhores sambas e Noel Rosa se intitula – “Três apitos”, quando, na verdade, a letra só fala de um apito, o da fábrica de tecidos que ali perto vinha ferir os seus ouvidos.

    Outra pergunta é quem seria a musa inspiradora de Noel: Lindaura, a futura esposa, cuja mãe trabalhava na fábrica de tecidos “Confiança”, em Vila Isabel; ou Josefina Teles, a Fina, operária de uma fábrica de botões , no Andaraí.
    Quanto os apitos da fábrica Confiança, eram mesmo três. O primeiro às 5h:45 da manhã para despertar os operários que moravam nas redondezas; o segundo às 7h:00, mais longo marcando a hora de entrada e o terceiro às 7h45, curto, para informar que quem chegasse depois perdia o dia.”

    A razão de Noel não ter visto nem ouvido seu samba gravado é mistério que morreu com ele. Mas “Três apitos” foi muito cantado no rádio pela Aracy de Almeida e pelo próprio Noel Rosa

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