Uma bela recordação do trabalho de um jornalista chamado Ricardo Boechat

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Ricardo Boechat sabia como travar o chamado bom combate

Jorge Béja

Teve um final de dia na década de 80, que bateu lá no meu escritório de advocacia, por volta das 18 horas, um empresário desesperado. O homem e sua família sobreviviam de duas ou três balanças que pesavam os caminhões que saiam do porto do Rio carregados de mercadoria. Os veículos, para começar a viagem até seu destino, geralmente longe do Rio e para outros Estados, eram obrigados a levar o certificado oficial do peso do caminhão e da carga. Para isso, a firma do empresário era a única credenciada. Não havia concorrente.

O homem estava aflito e desesperado. Isto porque a Companhia Docas do Rio havia alugado, por 15 anos, 10 balanças para serem colocadas dentro do terminal do porto do Rio. O negócio entre a empresa Docas e o locador das 10 balanças acabava com o pequeno empreendimento do empresário, que veio buscar uma solução jurídica.

AÇÃO POPULAR – A princípio não vi saída para defender o empresário. Mas quando este me apresentou a documentação, eu disse que cabia uma Ação Popular com pedido de liminar na Justiça Federal, para suspender preventivamente o tal contrato e, por fim, na sentença, anular a contratação.

Isto porque o preço do aluguel das 10 balanças por 15 anos dava para a Docas comprar 20 balanças com a garantia de 10 anos de conservação pelo vendedor. Tudo isso estava comprovado documentalmente.

Então, disse ao pequeno empresário que eu daria entrada com uma Ação Popular para o desfazimento do negócio altamente prejudicial ao erário.

OUTRA SOLUÇÃO – Foi quando tive a inspiração de dizer ao empresário que talvez o problema pudesse ser resolvido de outra forma. “Qual é?”, me perguntou ele. “Vou ligar para o Ricardo Boechat do O Globo e contar tudo a ele”, respondi.

Foi o que fiz. Peguei o telefone, Boechat atendeu, contei-lhe tudo e o jornalista que eu passasse o telefone para o empresário. Os dois se falaram. Tudo que Boechat perguntava, o empresário respondia com a documentação na mão. Terminado o diálogo, Boechat voltou a falar comigo e perguntou se aquela história era “quente”, ou seja, verdadeira. Respondi que sim. E que no dia seguinte eu começaria a redigir a Ação Popular denunciando à Justiça a “negociata” que a Docas estava concluindo.

EFEITO IMEDIATO – Foi o suficiente. No dia seguinte Boechat publicou na sua coluna de O Globo toda a história. E no mesmo dia seguinte, no final do dia, o então ministro dos Transportes anulou a locação e nem foi preciso ingressar na Justiça com a Ação Popular.

Esse era o prestígio, a força, a independência, a credibilidade de Ricardo Boechat. Assim, a “negociata” foi para o lixo e o pequeno empresário continuou com o seu pequeno antigo empreendimento.

Neste 11 de fevereiro de 2019, inesperadamente,  o jornalismo, o povo brasileiro e o Brasil perderam, para sempre, um sábio profissional.  Não ouviremos mais sua autorizada voz. Nem veremos mais a sua simpática e destemida pessoa. Só resta saudade. Descanse em paz, Ricardo. E no Reino da Eternidade, rogue a Deus por nós, brasileiros, pelo Brasil, por toda a Humanidade e pelo Mundo inteiro.

24 thoughts on “Uma bela recordação do trabalho de um jornalista chamado Ricardo Boechat

  1. Excelente jornalista. Porém, é mais um nome que foi acrescentado a lista daqueles que se foram pela ineficiência da fiscalização. O helicóptero não tinha licença para fazer serviço de táxi. Como nossas agências não fiscalizam nada está tragédia irá se repetir indefinidamente. Cadê nossa justiça que não pune estes crimes.

    • Isso é mais um triste fato a ser posto a mesa de discussões. A ineficiência causada pelo mobiliamento político destas agencias chegou ao limite ao final do governo Temer. Infelizmente isso é muito elástico, deve ser bem corrigido com este governo, mas essa pecha sempre permanecerá caso a política regrida novamente. Acho difícil que o Congresso peite a nação novamente, impondo um notório corrupto para comandar o país. Não há sentido, nem qualquer condição que possa justificar tal ato, senão a simples a abominação à seriedade, aliado a um sentimento de posse nacional, destas pessoas que fizeram isso.

  2. Notável jornalista Boechat que iremos sentir falta.

    Para que serve a ANAC ? Esta agência só protege as empresas nunca a população que paga seus salários.

    Extinga-se todas as agências cabidões de empregos.

    São agências inócuas e incapazes.

  3. Dr. Béja. que beleza de artigo, autêntico, sobre o inesquecivel Boechat. C’est la vie. Ainda ontem ele nos dava seu habitual bom dia pela manhã; Ia fazer uma palestra em Campinas. De volta, nos deixou para sempre. Incompreensivel o que aconteceu! Não creio em “designios de Deus”. Pelo que sei Deus é bom, é justo, não iria admitir tanto sofrimento às pessoas que ficaram! Ele era um jovem de 66 anos” Ainda tinha muito o que fazer e falar sobre a nossa Pátria.

  4. Como tem caído aviões pequenos e helicópteros ultimamente. Um fato que assusta. A manutenção destes aparelhos é muito mais cara e deve seguir padrões rígidos, até para não perderem a garantia. A falha humana é sempre a primeira opção, mas o que se entende de acidentes aéreos é que uma sucessão de falhas, são normalmente fatais.

  5. Está sendo falada de uma época em que o ministro dos Transportes era Mario Andreazza. Se fosse nesses últimos anos de governo da Orcrim, com o devido loteamento dos ministérios, seguramente pelo preço do aluguel das 10 balanças, devidamente ajustado com o partido detentor do curral, daria para a comprar 200 balanças. Evidentemente com todo essa “taxa de oxigênio” sendo repassada ao conhecido e afrontoso “CUSTO BRASIL” que torna a nossa população pagadora de altíssimos preços por tudo o que consome, e era só alegria para os mamadores de sempre.

  6. Como tudo no brasil é nas coxas, o aluguel do helicóptero sem aval para locação também era nas coxas. Igualmente a barragem da Samarco, a barragem da Vale, o centro de treinamento dos garotos do flamengo, …
    E o jeitinho brasileiro vai matando, e a justiça, porca e corrompida, nada faz.

  7. Com as trevas da religião socialista, foram eliminados fisicamente milhões de seres humanos e a nossa imprensa tem um papel importante nisso pela sua contaminação por essa religião desde Getúlio.
    Poucos tiveram a coragem de destoar do nefasto pensamento único que se estabeleceu nesse meio e, por isso não foram apenas censurados como se fazia na ditadura militar, foram eliminados e isso ainda no tempo dela, ditadura, com Gustavo Corção, Meira Penna e outros. Mais tarde foi a vez de Olavo de Carvalho, eliminado da Folha e do Globo.

    Depois da desgraça que a esquerda causou ao país, muitos desses jornalista que antes a apoiava, ou se calavam se omitindo , hoje mudaram de cor como camaleões e se fazem de isentinhos.

  8. Dr. Beja belo depoimento, assino, era admirador do Boechat, pela defesa da Moral pública, quantas patifarias governamentais Ele denunciou, em beneficio do Cidadão explorado pelo Poder público dos 3 podres poderes. Que Deus-Pai o ampare como Espírito Eterno, que cumpriu sua Missão de defesa da Cidadania.

  9. Infelizmente nunca tive a oportunidade de conhecer o Boechat pessoalmente, mas se tivesse eu iria dar uma sacaneada nele.
    Lembro de um desses artigos do Sebastião Nery em que ele afirmou que o Boechat fez xixi no sofá da Petrobrás. Claro ele ainda tinha muito cabelo e apenas 5 aninhos.
    Provavelmente ele iria lembrar que ele apenas fez xixi no sofá da Petrobrás, muito pior foram politicos que anos mais tarde iriam cagar em toda
    empresa.
    DEUS O TENHA BOECHAT!

  10. Lamento pela dor da família pela sua morte, que não desejo pra ninguém, mas Boechat como “jornalista” debochou da ministra Damares quanto ao episódio de ter sido abusada quando criança e da facada em Bolsonaro. Também há pouco deu um esculacho desmedidamente espetacular ao vivo numa funcionária da Band News. Parecia um pocesso nisto.

    Enfim Boechat mantinha a escrita da nossa “imprensa”. Era mais um infanto-juvenil, pra não dizer coisa pior , dessa gente que não conseguia evoluir culturalmente e emocionalmente, tornando se assim objeto de forças que desconhece e a manipula.

  11. Adorava ouvi-lo de manhã junto com o José Simão. Boechat era um profissional exemplar, certa vez tive a oportunidade de conversar com ele pessoalmente após uma palestra. Além de excelente jornalista era uma pessoa adorável.

  12. Nada tenho contra a pessoa de ninguém, mas quando se trata de pessoa pública como o finado “jornalista”, temos o direito de criticar.
    Por exercer esse direito, acabei por incomodar alguns.

    Que país.

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