Uma corrida de amor, na poesia de Vicente de Carvalho

O magistrado, jornalista, político, contista e poeta paulista Vicente Augusto de Carvalho (1866-1924), no soneto “Corrida de Amor”, confessa uma paixão desenfreada.
CORRIDA DE AMOR
Vicente de Carvalho
Quando partiste, em pranto, descorada
a face, o lábio trêmulo…confesso:
arrebatou-me um verdadeiro acesso
de raivosa paixão desatinada.

Ia-se nos teus olhos, minha amada,
a luz dos meus; então, como um possesso,
quis arrojar-me atrás do trem expresso
e seguir-te correndo pela estrada…

“Nem há dificuldade que não vença
tão forte amor!” pensei. Ah! como pensa
errado o vão querer das almas ternas!

Com denodo, atirei-me sobre a linha…
Mas, ao fim de uns três passos, vi que tinha
para tão grande amor, bem curtas pernas…”

    
                          (Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

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