Uma desesperada mensagem de amor, na visão poética de Carlos Nejar

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O crítico literário, tradutor, ficcionista e poeta gaúcho Luís Carlos Verzoni Nejar , no poema “Elegia”, faz uma desesperada mensagem de amor, de quem se perde pensando em perder a amada.

ELEGIA
Carlos Nejar

Liberdade,
sem ti nada mais sei.

Compreendi o mundo
em ti, sutil
compêndio.

Amei muito antes
de me amares,
entre surtos e sulcos.

Amei
e só a morte
de perder-te
me faz viver
multiplicando
auroras, meses.

E sou tão doido
que o riso inútil
percorri
de me perder, perdendo-te,
perdido em mim.

5 thoughts on “Uma desesperada mensagem de amor, na visão poética de Carlos Nejar

  1. Ai, meu Deus, tá difícil me adaptar a esse novo Brasil. Diferentemente de nós, o mundo atual, estranho ao nosso estágio medieval, extrai energia de células solares, manda foguetes ao espaço e recupera o estágio principal, faz softwares que ajudam médicos a tratar doentes, e os engenheiros a projetar; num pequeno telefone encontramos o caminho desconhecido, falamos com o mundo, encontramos grande parte do tesouro cultural em imagens. Mas, aqui, neste de país de Cabral, continuamos a matar cobra com pau ou ler versinhos sem pé nem cabeça.

  2. Carlos Nejar é um poeta, ficcionista, tradutor e crítico literário brasileiro e pai do também escritor-cronista Fabricio Carpinejar, que adoro seus textos.
    Bela poesia. Quem não tem medo de perder a sua amada? Quem não se preocupa em um dia perder quem lhe faz feliz? De perder um amor?
    Acho que, que todos nós passamos por esses medos.

    “E sou tão doido
    que o riso inútil
    percorri
    de me perder, perdendo-te,
    perdido em mim.” O amor é lindo

  3. Carlos Nejar escreve um poema épico para o morto Rio Doce
    Poeta faz homenagem ao rio devastado após o rompimento da barragem de Mariana.
    Quem não se lembra da tragédia de Mariana? Uma moradora de Bento Rodrigues, estava na nova casa que a Samarco teve lhe dá. Ela dizia que estava bom mas ela queria aquela de Bento Rodrigues, onde os filhos brincavam na rua, tinha coleguinhas!

    Carlos Nejar escreveu um poema para o Rio Doce que se tornou amargo. Está em seu livro
    “A Vida de um Rio Morto (Monumento ao Rio Doce)”

    Ó Mariana, o que cala/ No terror, de horda em horda?/ A lama subindo as calhas./ Se a morte nos põe sua corda,/ Tiradentes quem escuta?

    No livro também aparecem outros rios, como o São Francisco de Guimarães Rosa, Capibaribe de João Cabral de Melo Neto e o seu rio Guaiba, POA-RGS

  4. O poema é longo, por isto coloco uma parte dele:
    A Vida de um Rio Morto (Monumento ao Rio Doce)
    E não dás senão o jugo,
    Samarco, de tuas fábricas.
    Sujas de morte tuas páginas
    Ou tempos te descem, musgos.

    “E eu, na espreita, atacado,
    rio, morrerei tão moço?
    Desde Mariana, em cargo
    de me afogarem: poço?

    Ou afogarei este mosto.
    De vinho mais destilado?
    Mas nem é cantina o dorso.
    Nem na idade, há cajado.

  5. “Eu fui chamado Rio Doce/ E conto: virei defunto”

    “Tenho esperança que o rio volte a viver. O homem pode refazer o que estragou.”
    Carlos Nejar

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