Uma desesperada mensagem de amor, por um poeta desgraçado pela falta de dinheiro

Deixo a vida como deixo o tédio. Álvares de AzevedoPaulo Peres
Poemas & Canções 

O dramaturgo, ensaísta, contista e poeta paulista Manuel Antônio Álvares de Azevedo (1831-1852) foi um escritor da segunda geração romântica (Ultra-Romântica, Byroniana ou Mal-do-século), que morreu aos 21 anos. O poema “Minha desgraça” fala de alguém que apesar de ser poeta é vítima do desamor da cândida donzela devido a sua indulgência que, consequentemente, acarreta solidão, indiferença e desesperança pela vida.

MINHA DESGRAÇA
Álvares de Azevedo

Minha desgraça, não, não é ser poeta,
Nem na terra de amor não ter um eco,
E meu anjo de Deus, o meu planeta
Tratar-me como trata-se um boneco….

Não é andar de cotovelos rotos,
Ter duro como pedra o travesseiro….
Eu sei…. O mundo é um lodaçal perdido
Cujo sol (quem mo dera!) é o dinheiro….

Minha desgraça, ó cândida donzela,
O que faz que o meu peito assim blasfema,
E’ ter para escrever todo um poema,
E não ter um vintém para uma vela.

5 thoughts on “Uma desesperada mensagem de amor, por um poeta desgraçado pela falta de dinheiro

  1. Muito longe de ser uma obra de Autoajuda. Autoajuda, para quem escreve e vai catando a grana dos ilusionistas que lêem.
    O ser humano foge da verdade nua e crua assim como o diabo da cruz! Queremos sempre um ópio , a fim de enfrentarmos as nossas batalhas cotidianas.
    SOU FELIZ, GRAÇAS A DEUS! Será? Só o fato de sabermos que estamos sujeitos a quaisquer tipos de sofrimento, e já nascemos irreversivelmente condenados à morte……..
    Talvez esse estado edênico, o qual muitos se autoatribuem, dependa da capacidade de fingir de cada um.
    Religião, filosofia, entretenimento, militância, narcisismo, volúpia – são apenas abstrações do inconsciente – da nossa eterna esquiva da cruel realidade.
    Sim, continue brincando de faça-de-conta; daqui a 10 anos, a sua Pasárgada se concretizará. Ah, vai precisar da chave para adentrá-la, pegue-a ali com o Manuel Bandeira!

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