Uma dúvida eleitoral é saber se vale a pena demonizar a mídia, como Trump e Bolsonaro fazem

Ilustração do site O Cafezinho

Carlos Newton   

Em sua genialidade, Millôr Fernandes definiu o papel da mídia com propriedade, ao dizer que “imprensa é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”. Antes dele, o escritor britânico  George Orwell já havia feito uma declaração no mesmo sentido: “Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade”.

Na verdade, não se pode dividir a mídia em fatias, classificando uma parte como oposição; outra como situação; e uma terceira como neutra. Não é tão simples assim.

INTERESSE PÚBLICO – A principal função da mídia, ao informar, é defender o interesse público, como se o jornalista fosse o clínico-geral da sociedade, que cuidaria do atendimento ao bem comum, fiscalizando a atuação das autoridades.

Portanto, o funcionamento da imprensa é completamente diferente do que acontece nas redes sociais, onde os internautas se dividem nitidamente em facções, o interesse público está longe de guiar as ações.

O estilo de Jair Bolsonaro, de fazer várias declarações por dia, obriga a mídia a mantê-lo sempre em evidência, levando o debate político do país a ficar limitado entre os que atuam a favor do presidente e os que estão contra seu governo.

DESPREZO À MÍDIA – Bolsonaro despreza a grande imprensa e acredita mais no poder da internet. Cultiva teorias conspiratórias e culpa a imprensa por todos os males do mundo, um erro que seu ídolo Donald Trump também comete.

Mas ninguém verdadeiramente sabe se essa estratégia de demonizar a mídia vai dar bons resultados. Bolsonaro cortou as verbas publicitárias e as transferiu para blogs e sites amestrados, que vivem em função do retorno financeiro que recebem ao apoiar incondicionalmente o atual – aliás esses “jornalistas” apoiam qualquer governo, porque o importante é o faturamento.

ROBOS HUMANOIDES – Essa polarização entre os que estão a favor e contra Bolsonaro se reflete aqui na Tribuna da Internet e nos demais espaços independentes, que são raríssimos.

Aqui na TI o predomínio é das tropas de Bolsonaro e de Lula da Silva, que fazem questão de interferir em todas as opiniões, chega a ser ridículo. Esses replicantes androides se perdem ao tentar interagir com os comentaristas habituais do blog, que são pessoas de alto gabarito e vasta cultura, procuram raciocinar sobre os fatos e não se deixam levar por enganações.

É claro que sempre há algum comentarista que perde a cabeça diante da intolerância dos robôs, isso faz parte. Mas é preciso que tenham paciência com os robôs. Como diz a Bíblia, é melhor perdoá-los, porque eles não sabem o que fazem.

BALANÇO DE SETEMBRO – Como sempre fazemos, vamos divulgar agora o balanço das contribuições de setembro, agradecendo muitíssimo esse apoio, que nos possibilita manter esse espaço livre na web.

De início, as contribuições na Caixa Econômica Federal:

DIA     REGISTRO   OPERAÇÃO      VALOR
09      400036        DOC ELET………..31,00

11       111202          DP DIN LOT…,…230,00
16       160937         DP DIN LOT……..20,00
18       181431          DP DIN LOT……100,00
22       221010        CRED TEV……….100,00

Agora, as contribuições na conta do Itaú/Unibanco

01     TBI 0406.49194.4…………………100,00
01     TED O33.359 ROBERSNA…….200,00
08     TBI 2971.21174-9………….;………100,00
15      TED 001.4416 MARIOACRO…250,00
30     TBI  046.49194.4………………..100,00

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P.S. –
Agradecendo muito a quem conseguiu nos apoiar nessa utopia de manter um blog independente, 365 dias ao anos, vamos em frente, sempre juntos. (C.N.)  

7 thoughts on “Uma dúvida eleitoral é saber se vale a pena demonizar a mídia, como Trump e Bolsonaro fazem

  1. Cabral na sua navegação por todos os mares e marés, comprou alguns pontos percentuais do Ibope, que na sua essência é um jornalismo ou antijornalismo ou um fotojornalismo que define uma eleição. Estas compras de Cabral, deveriam ser investigadas em profundidade, e os canalhas arquivam.

  2. A mídia tradicional é importante, mas também deve ser vista com ressalvas. Muitas vezes, as notícias são veiculadas, sem que haja uma checagem da sua veracidade.

    Quantas vezes vemos que uma fonte coloca algo não real e isso é replicado como se fora um fato?

    Também são usadas técnicas para que algum fato secundário irrelevante se destaque em meio ao que interessa realmente.

    Outra coisa são os temas absolutamente vazios (fofocas) e que em nada melhoram a vida, mas são colocados porque mexem com as emoções humanas?

    Porém, apesar dessas falhas e erros, as mídias sérias são muitas vezes preferíveis àquelas mídias que propagam notícias falsas ou manipuladas que alimentam as mentes dos ceguidores de certas figuras, como as citadas pelo editor.

  3. O problema é que a grande mídia vem de longa data perdendo credibilidade junto ao público, e isso não foi causado por Trump e Bolsonaro. Esses dois são produtos, e não causadores, do descrédito da grande mídia.
    A existência de vieses na grande mídia é inegável. Aqui mesmo na TI se questionou recentemente porque na entrevista do Boni no “Roda Viva” não se perguntou sobre o favorecimento da Globo a Collor na eleição de 1989, ou suas tentativas de prejudicar Brizola.
    Além disso, lembro muito bem dos gloriosos anos neoliberais da era tucana, quando para se encontrar uma crítica ao governo de FHC era preciso ler a Carta Capital, porque não havia um único jornal ou revista da grande mídia que não apoiasse incondicionalmente os tucanos. A imprensa dos tempos de FHC era de um unanimismo digno dos tempos soviéticos. Enquanto a grande mídia festejava as privatizações e a “respeitabilidade” e “refinamento” do presidente-sociólogo, a população sofria com o desemprego crescente e a falta de perspectiva. Mas depois da reeleição comprada de FHC, o país quebrou, e ficou impossível sustentar a ilusão, muito menos eleger o Serra presidente em 2002.

  4. É uma pena que não haja Contribuição em Massa de nossos Leitores de uma Mensalidade de R$ 20.
    Assim tudo fica dependente de alguns Beneméritos que pagam mais, mesmo assim tão pouco.

    A boa IMPRENSA é a Escola dos Adultos, mas mesmo assim os Brasileiros aparentemente não aceitam PAGAR MENSALIDADE para nossa Escola.

    É uma pena. Mostra que somos extremamente DESCONFIADOS.

    Devemos mudar essa MENTALIDADE.

    Abração a TODOS.

  5. Até a eleição do boçal havia três mídias, só existia uma, toda ela era chapa branca com raríssimas exceções, mas insignificantes. Hoje temos duas mídias bem definidas, a chapa branca muito bem organizada como no passado, e a outra, a cor dela não sei qual é, se é que tem cor. Então é isto o que temos.

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