Uma eleição ganha antecipada e injustamente, marca os 25 anos de redemocratização, de uma democracia que jamais tivemos. Dos INDIRETOS, ao retrocesso de 80 anos em 8 de FHC, ao retrocesso sem prazo marcado de Dilma. Suportaremos?

Helio Fernandes

Ao completar 25 anos da primeira eleição depois da ditadura, temos pouco a comemorar. Em março de 1985, mais uma indireta da nossa História. (Nos EUA, inspiração e comparação para  nosso “republicanismo”, desde o início incorporaram o povo ao processo).

Em 1985, chamamos de redemocratização, uma República marcada pela ausência do povo. E sempre distante da democracia. Nesse 1985, Tancredo como presidente e Sarney como vice, ejetado diretamente dos porões da ditadura.

E por determinação do implacável e imprevisível destino, Tancredo não assumiu. Na véspera da posse, foi direto para o hospital, do qual não saiu. Sarney entrou surpreendentemente no Planalto, do qual também não queria sair.

Essa eleição indireta, marcou e mostrou a falta de sensibilidade do PT, a ausência de convicção democrática, as decisões insensatas de sua direção. Numa escolha indireta, com dois candidatos, Tancredo e Maluf, EXPULSOU os deputados que votaram em Tancredo.

Ficou mais do que evidente a preferência por Maluf e a sua destinação “malufista”. Que se revelaria e se consolidaria em muitos episódios, principalmente o mensalão. Mas não o único.

Ficava tão evidente a catástrofe do período Sarney, que a primeira eleição direta, em 1989, foi um tumulto exagerado e ainda não devidamente analisado. O Doutor Ulisses, presidente do PMDB, e figura marcante de uma época e de uma Era, mantinha tremenda luta com alguns personagens que deixaram o PMDB, fundando o PSDB.

Candidato a presidente. Doutor Ulisses teve apenas 5 por cento dos votos. O alagoano Fernando Collor foi eleito por um partido inexistente. Não completou o mandato, sofreu o primeiro impeachment da História brasileira.

O vice Itamar Franco assumiu, primeiro como interino, até que fosse efetivado. Era monitorado por um grupo de líderes partidários, que organizavam o seu ministério de forma a ter maioria para governar. Itamar pediu apenas: “Quero que o Ministro da Fazenda seja José Serra”. (Era a quinta vez que Serra queria ser Ministro da Fazenda, foi VETADO por todos os partidos que dariam sustentação a Itamar).

Itamar inventou FHC, este descobriu a reeeleição a 500 mil reais por cabeça. Mas antes, no primeiro mandato, em 1994, Lula era tão favorito que o próprio FHC (e seu grupo de aventureiros) reduziu o mandato presidencial de 5 para 4 anos. “Justificou”: “No primeiro ano, o presidente toma conhecimento das coisas, no último já não tem o que fazer”.

FHC era tão péssimo analista que acabou ganhando a eleição, implantando o RETROCESSO e a TRAIÇÃO, DOANDO uma parte espantosa do nosso patrimônio. Se essa traição fosse levada a julgamento no Supremo, FHC não teria nem mesmo o voto da Ministra Ellen Gracie.

Cumpriu o segundo mandato inconstitucional e ainda queria o terceiro, inconstitucionalíssimo, idem, idem, para Lula. Já que o segundo mandato ficou rotineiro, (menos naturalmente com Dilma, como seria com Serra) poderíamos adotar no Brasil o que foi feito nos Estados Unidos a partir de 1952 com a emenda 24. Dois mandatos para o presidente e depois mais nada, nem ELEITO nem NOMEADO, abrindo caminho para a r-e-n-o-v-o-l-u-ç-ã-o.

Obama não seria presidente sem a emenda 24. E a consequência positiva dessa decisão, conjunta, do Partido Democrata e Republicano.

Mesmo nas eleições indiretas ou mandatos não conquistados, sempre houve suspense. Que não haverá neste 31 de outubro, amanhã. À noite, já se saberá efetivamente, que o país terá a primeira mulher presidente. Mas tinha que ser Dona Dilma?

Tida e havida sempre, desde o início, como “candidata-poste”, não irradia luz ou energia, poste é apenas um apêndice. Mas na mesma noite de amanhã, começará o grande suspense da formação do governo, e quem irá exercê-lo.

***

PS – Pela internet, circula uma solução para eleição com dois candidatos igualmente medíocres, incompetentes, sem projeto, programa ou compromisso.

PS2 – Seria o seguinte. O povo poderia votar em três opções. Dilma, Serra ou NENHUM. Todas as indicações levam à vitória desse NENHUM. O povo então, livremente, daria nome, voz e Poder, identificaria esse NENHUM.

PS3 – Finalmente  TERMINOU a maior farsa presidencial da nossa História. Dez “debates” monótonos, poderiam ter sido 20, o resultado seria o mesmo.

PS4 – Pior não poderia ser de maneira  alguma. A não ser que o IMPONDERÁVEL se manifeste ou apareça, de hoje para amanhã. Em apenas 24 horas?

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