Uma encantadora sereia, que pairava nos sonhos agitados do poeta Pedro Kilkerry

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado e poeta baiano Pedro Militão Kilkerry (1885-1917), no poema “Essa, que Paira em meus Sonhos”, confessa que por excesso de amor, enlouqueceu.


ESSA, QUE PAIRA EM MEUS SONHOS
Pedro Kilkerry

Essa, que paira em meus sonhos,
Em meus sonhos a brilhar,
E tem nos lábios risonhos
O nácar de Iônio – Mar –
Numa fantasia estranha,
Estranhamente a sonhei
E de beleza tamanha,
Enlouqueci. É o que sei.
Ela era, em plaustro dourado
Levado de urcos azuis,
De Paros nevirrosado,
Ombros nus, os seios nus…
E que de esteiras de estrelas,
De prásio, opala e rubim!
Na praia perto, por vê-las
Vi que saltava um delfim
Que longamente as fitando
Alçou a calda, a tremer
E outros delfins, senão quando
Aparecer

 

 

2 thoughts on “Uma encantadora sereia, que pairava nos sonhos agitados do poeta Pedro Kilkerry

  1. PARALELAS – Belchior

    Dentro do carro,sobre o trevo a 100 por hora
    Oh, meu amor!
    Só tens agora os caminhos do motor
    E no escritório em que trabalho e fico rico
    Quanto mais eu multiplico , diminui o meu amor

    Em cada luz de mercúrio vejo a luz do teu olhar
    Passas praças . viaduto, nem te lembras de voltar
    De voltar, de voltar

    No Corcovado quem abre os braços sou eu
    Copacabana, esta semana o mar sou eu
    Como é perversa a juventude do meu coração
    Que só entende o que é cruel , o que paixão

    E as paralelas dos pneus na água das ruas
    São duas estradas nuas em que foges do que é teu
    No apartamento, oitavo andar, abro a vidraça e grito
    Grito quando o carro passa: teu infinito sou
    Sou eu, sou eu, sou eu
    No Corcovado quem abre os braços sou
    Copacabana , esta semana o mar sou
    Como é perversa a juventude do meu coração
    Que só entende o que cruel e o que paixão

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