Uma geração política perdida na imoralidade

José Mário Ferraz

O que dirão nossos descendentes sobre a indiferença de seus antecedentes com o fato de ser a História de sua sociedade uma sucessão de imoralidades, crimes, venda de virgindade, prostituição escancarada nos meios de comunicação? Já assisti, num misto de triste e revoltado, à cena em que a televisão mostrou a foto do pinto de um sujeito que queria provar ter o pinto grande.

Independente de puritanismo, as crianças que assistem a coisas desse tipo nunca serão capazes de aquilatar o valor dos verdadeiros valores morais e educacionais sem os quais não se sai da sarjeta. Só o conhecimento adquirido através de um sistema eficiente de educação pode levar as pessoas a viverem em paz. Se o homem pode aprender mais coisas do que simplesmente correr para apanhar o pauzinho que seu dono atirou e trazê-lo de volta para tornar a buscar, se o homem pode fazer reproduzir uma fêmea impedida pela natureza de fazê-lo, se o homem pode modificar o meio ambiente para torná-lo frio quando está demasiadamente quente e vice-versa, também pode mudar o mundo do lugar amaldiçoado em que o colocaram e levá-lo para outro lugar onde haja menos desinteligência.

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LADRÕES SÃO LADRÕES

Precisamos de coerência em nossas atitudes. Não há necessidade de investigação alguma para se ter certeza de que estes ladrões são ladrões mesmo. A única cogitação pertinente sobre esse assunto deve se ater ao corporativismo que levou um velho deputado politiqueiro chamado Paulo Duque a assumir a presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal apenas durante o julgamento de alguns colegas seus, também amorais e imorais, e absolver cinicamente a todos, embora fossem criminosos.

As cogitações devem visar a perspectiva de um futuro diferente para a criançada. Vivemos tão fora da realidade que se fala em ateu sem se ter noção do que seja ser ateu. Acredita-se na bondade de um Deus que teria mandado queimar vivos duas mil e duzentos seres humanos que amarguraram morte tão sofrida.

Estamos mesmo necessitando é de juízo porque ainda somos tão infantis a ponto de se divertir queimando fogos e tão bobos que estamos às vésperas de termos presidiários como representantes na casa de fazer as leis. Tão distantes estamos de pessoas capazes de uma sociedade bonita que na Bienal do Livro em São Paulo jogador de futebola mereceu maior destaque do que os escritores. Pode?

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