Uma grande dúvida no Congresso: o senador Aécio Neves, que nunca esteve na oposição, como vai se sair nesse novo papel? É importante saber, porque sua carreira depende disso.

 Carlos Newton

 Aécio Neves chega ao Senado Federal no próximo dia 31, envolvido na brutal expectativa de ser um dos líderes da bancada da oposição (PSDB-DEM e PPS), caso realmente deseje disputar a Presidência em 2014.

Vai encontrar no Senado uma oposição fraca e vacilante, que perdeu suas principais figuras – Arthur Virgilio (PSDB-AM), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Mão Santa (PMDB-PI) e Heráclito Fortes (DEM-PI) – e hoje está restrita à liderança isolada do senador José Agripino Maia (DEM-RN), com reforço de Aluizio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e Roberto Requião (PMDB-PR), que certamente não vai aderir ao governo e terá atuação independente, ao seu estilo.

Participar de uma bancada de oposição é atividade nova para Aécio Neves. Em sua carreira política de mais de 25 anos, jamais foi realmente oposicionista. Depois de sua experiência como secretário do avô, Tancredo Neves, no governo de Minas Gerais, elegeu-se deputado federal constituinte em 1986 pelo PMDB, durante o governo Sarney, que também era do PMDB.

Em 25 de junho de 1988, foi criado o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), e Aécio foi um dos fundadores. Mas, como o novo partido surgiu de uma dissidência do PMDB, nunca fez oposição de verdade ao governo Sarney.

No segundo mandato (1991-1995), Aécio nem teve tempo de se fazer oposição ao presidente Fernando Collor, porque estava mais preocupado em concorrer às eleições para prefeito de Belo Horizonte em 1992, que perdeu para o petista Patrus Ananias.

Em seu terceiro mandato (1994-1998) como deputado federal, o PSDB já estava no poder com FHC e Aécio foi eleito presidente do PSDB mineiro. Em 1997, tornou-se líder do partido na Câmara. E nas eleições de 1998, quando FHC se reelegeu, foi o deputado do PSDB mais votado no país.

Sempre na situação, em fevereiro de 2001, tornou-se presidente da Câmara dos Deputados, ainda no governo FHC. E em 2002 se elegeu governador de Minas, mantendo a partir daí uma cordialíssima relação como o presidente Lula. O PSDB estava na oposição, mas Aécio, não.

Como se vê, falta a Aécio Neves a chamada “embocadura” de oposicionista, nunca fez esse tipo de política. Agora, vai ter que se virar para conseguir um desempenho à altura do que uma considerável parcela da opinião pública brasileira espera dele. Como costuma dizer o ex-deputado e ex-vice-governador Roberto D’Ávila, “é importante haver alternância no poder, mas também é fundamental que exista uma oposição forte, para que a democracia caminhe a contento”.

Em matéria de oposição, até agora o país está muito mal representado no Congresso. Vamos ver como se saem no Senado os três oposicionistas recém-eleitos AécioNeves, Aluizio Nunes Ferreira e Roberto Requião. Quanto à Câmara Federal, parodiando-se Oswaldo Aranha, é um deserto de homens e ideias.

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