Uma hipótese abjeta

Carlos Chagas

Jura o senador Romero Jucá: a presidente Dilma prometeu vetar nos próximos dias artigo da mais recente medida provisória aprovada no Congresso, um enxerto que anistia a maior parte das multas devidas aos operadores dos planos de saúde. Para o parlamentar, não havia como expurgar do texto comum aquela aberração, tendo em vista o esgotamento do prazo para votação da MP, que caducaria por inteiro. Assim, foi acertado no palácio do Planalto o veto ao inexplicável favorecimento dessas empresas já conhecidas por descumprir contratos e aumentar as prestações em ritmo bem superior à inflação.

Com o veto presidencial, estará encerrado o episódio? Nem pensar.Torna-se necessário investigar porque o líder do PMDB na Câmara acrescentou o vergonhoso perdão num projeto que nada tinha a ver com planos de saúde. O prejuízo para os cofres públicos será de dois bilhões de reais, caso não haja o veto. Tem azeitona nessa empada, quer dizer, qual o interesse do deputado Eduardo Cunha em privilegiar essas empresas?

A Polícia Federal investiga um monte de denúncias de mal feitos e de corrupção praticados no mundo político. Mais um não sobrecarregaria de trabalho os agentes da lei. Estariam as operadoras dispostas a presentear o autor ou autores da emenda com alguma comissão? Assumiriam financiar campanhas eleitorais daqueles que os favoreceram com tão escandalosas isenções? Claro que o PMDB e seu líder ficariam em péssima situação, se comprovada a abjeta hipótese, mas lucraria a justiça. Tomara que a presidente Dilma não se esqueça de cumprir a promessa.

EXPULSÃO JÁ

Cresce no PT a tendência para expulsar de seus quadros o deputado André Vargas, caso não cumpra a promessa, depois desfeita, de renunciar a seu mandato. Muitos companheiros já se posicionam nesse sentido, depois de frustrados com a renúncia à renúncia.

Permanecendo André Vargas no exercício de suas atribuições, ninguém perderá mais do que o PT em termos de credibilidade e até de votos, no próximo outubro. Mais do que ficar exortando o parlamentar paranaense a renunciar, mas cruzando os braços, caberia ao partido despachá-lo depois de um julgamento curto.

4 thoughts on “Uma hipótese abjeta

  1. Muito pior do que o prejuizo para o governo (e todos nós) é o prejuizo que a medida causará aos usuários dos planos de saúde; com as multas atuais (impostas mas não cobradas) os direitos dos usuários já são constantemente desrespeitados, imaginem o que vai acontecer sem elas.
    E é um absurdo esta história do Congresso “enxertar” nas medidas provisórias artigos sem a menor ligação com o seu propósito original. Desvirtuam um instrumento que já deveria ser usado apenas em casos excepcionais. Depois vêm com a desculpa porca de que “não podem retirar o artigo porque inviabilizaria a aprovação a tempo da medida”, usando a urgência pedida pelo governo para o assunto original para viabilizar o seu contrabando. Já era mais do que tempo de que isso fosse proibido e acabasse a farra.

  2. Caro Carlos Chagas, os planos de saúde, foi permitido pela ditadura,
    desobrigando o governo a atender boa parte da população, como era um
    bom negócio, houve a proliferação. Hoje temos inúmeros planos de saúde,
    todos riquíssimos, trata-se de um comércio rendoso. Com raras exceções, fica
    muito mais barato durante uma vida, ir a uma clinica particular, do que ter um plano
    de saúde. Quem financia a campanha da maioria dos políticos? Os políticos, precisam
    do dinheiro das grandes empresas para sua campanha assim como as grandes empresas precisam de leis criadas pelos políticos que as beneficiem.
    Outro crime, é o cartão de crédito, que os banqueiros enfiam goela abaixo dos incautos, que
    acaba tornando-se um círculo vicioso. Cartão de crédito, é bom para os banqueiros, tanto é,
    que eles enviam para o cliente, sem que se tenha pedido e oferecem através de ligações
    telefônicas.

  3. Jornalista Carlos Chagas.
    Artigo mais do que esclarecedor. Parabéns.
    Trecho do seu texto:
    “A Polícia Federal investiga um monte de denúncias de mal feitos e de corrupção praticados no mundo político. Mais um não sobrecarregaria de trabalho os agentes da lei. Estariam as operadoras dispostas a presentear o autor ou autores da emenda com alguma comissão? Assumiriam financiar campanhas eleitorais daqueles que os favoreceram com tão escandalosas isenções? Claro que o PMDB e seu líder ficariam em péssima situação, se comprovada a abjeta hipótese, mas lucraria a justiça. Tomara que a presidente Dilma não se esqueça de cumprir a promessa.”
    Falou e disse, Carlos Chagas.
    Tudo leva a crer que nesse angu tem caroço…
    Esse enxerto, do Jucá, merece, mesmo, uma ” geral” da Polícia Federal e, também, com certeza, o veto da Dilma.

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