Uma informação a Lottemberg, da Amil: Quem vive mais paga mais impostos

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Numa entrevista de página inteira a Claudia Collucci, Folha de São Paulo desta segunda-feira, o médico Cláudio Lottemberg, presidente da AMIL, controlada pelo grupo United Health, afirmou que estamos vivendo mais e alguém tem que pagar essa conta. Por isso eu fixei no título que aqueles que vivem mais do que a média pagam mais impostos do que aqueles que vivem menos.

Essa comparação lógica e indispensável não foi considerada por Lottemberg. Ele defende  que os Planos Coletivos de saúde devem ter reajustes além dos aplicados a planos individuais. Caso contrário, os defensores da legislação atual parece desejarem destruir o mercado. No seu ponto de vista, quando se demanda algo que o contrato inicial não prevê, tal demanda extraordinária, se repetida, tem o impacto que pode tornar o seguro insustentável.

ACIMA DA INFLAÇÃO – Lottemberg parece desconhecer os reajustes que vêm sendo aplicados aos seguros e planos de saúde em escala muito superior à taxa de inflação do período. Este ano, por exemplo, a ANS estabeleceu um percentual de 14,7% contra uma inflação de 4,5% registrada em 2016. Em 2017, o índice oficial de inflação calculado pelo IBGE encontra-se na escala de 3%. Vamos admitir que os custos médios da medicina subam de forma mais acentuada que a correção inflacionária. É um fato.

Mas um fato é também que os salários no máximo empatam com a inflação. E é preciso considerar que os reajustes salariais sucedem o aumento do custo de vida, e não antecedem.Portanto os salários estão sempre correndo atrás das perdas registradas, o que dificulta poder suportar elevações, como as dos planos de saúde, três vezes mais do que o índice inflacionário.

BAIXOS SALÁRIOS – Não bastasse esse exemplo, temos que considerar, com base na reportagem de Marcelo Sakate, edição 2537 da revista Veja, que 80% dos assalariados ganham até 5.500 reais por mês, sendo que 30% da mão de obra está contida na faixa de um salário mínimo.

Assim é difícil concordar com Cláudio Lottemberg. Ele forneceu a ideia de não levar em conta que a vida humana tem se prolongado e que esse prolongamento implica em mais imposto de renda, mais descontos para o INSS, mais pagamentos do FGTS.

Enfim também quem vive mais consome mais. Os que vivem menos, claro, consomem menos.

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PEZÃO DESPREZA A PESQUISA DATAFOLHA

Numa entrevista a Gustavo Cunha, O Globo de ontem, o governador Luiz Fernando Pezão, não bastasse o atraso de pagamento ao funcionalismo, afirmou não ligar para pesquisa do Datafolha que apontou a taxa altíssima de 81% de reprovação a seu governo. Acentuou que não liga porque não será mais candidato a postos eletivos. Quer dizer: ele se coloca no centro da questão e não se preocupa com reflexo de seu desgoverno sobre o povo carioca e fluminense. Omisso. Também agiu dessa forma quando ocorreu o tiroteio cerrado da Rocinha.

3 thoughts on “Uma informação a Lottemberg, da Amil: Quem vive mais paga mais impostos

  1. Se o Governo cumprisse o “Dever do Estado” de dar uma Saúde digna, as Empresas, atenderiam apenas, os que podem pagar e ter um atendimento especial, diferenciado da “plebe” trabalhadora escorchada em impostos.
    A maioria do trabalhador explorada pelas empresas,, com os aumentos de lucro, acaba não tendo condição de pagar, e se “ferra”.
    O que falta nos governos é honestidade e moral, por princípios básicos da Vida.A bem da Verdade, a Cidadania no Brasil, não existe. o que existe é falta de vergonha na cara governamental.

  2. A dedução está corretíssima, mas como quase todo mundo na área de cuidados à saúde, fora o pessoal do “chao de fábrica” que rala muito dando suporte aos “especialistas”, está no ramo para enriquecer, como se costuma dizer, grátis nem injeção na testa.

  3. A ANS trabalha para e pelos planos e não o contrário, os números escancaram isso. É inviável e insano este tipo de reajuste anual. Em pouco tempo ele se torna impagável. Sem contar os saltos por faixa de idade. As pessoas das classes menos abastadas só podem pagar até uma certa faixa de idade, chegando ao ponto em que ou se paga o plano ou se come. Outra conta insana são os colégios particulares no Brasil. Nos dois casos, POR ACASO, o serviço público que deveria competir em benefício da população, não funciona. Nos dois casos, o governo é sócio, cobrando altos impostos e encargos, quando não está entre os donos. Depende-se do povo cobrar na justiça moralidade na ANS, pois nada, absolutamente, justifica estes aumentos absurdos, abusivos. Quanto a Pezão, podemos falar sério? A reprovação de Temer é ainda maior e nem assim os dois demonstram alguma emoção. Só saem arrancados de onde estão. Atraso do funcionalismo do estado, vírgula! Excetuando-se o Judiciário que ameaçou abrir o bico e ficou de fora “da completa impossibilidade de pagamento por falta de verbas”. O Rio é um país a parte. É outro país dentro do Brasil. Vagões rosa para segregar os “tarados”, que incluem idosos e crianças, das moças e suas roupas provocantes, pedágio em vias urbanas, descaso, obviamente, nas vias não pedagiadas, chefes do tráfico operando dos presídios, mandando fechar lojas, pontos turísticos com pouca ou nenhuma organização e segurança, transporte público tomado por máfias. As novas grandes vias de escoamento construídas foram alugadas e pedagiadas e seu metrô só andou, por força dos eventos Copa do Mundo e Olimpíadas ou ainda estariam estagnados, aguardando o momento para serem hiperfaturados.

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