Uma lição de amor à Terra, na poesia criativa e simples de Cora Coralina

Feliz aquele que transfere o que sabe e... Cora CoralinaPaulo Peres
Poemas & Canções

Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1880-1985), nasceu em Goiás Velho. Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, conforme este poema “Cântico da Terra”. Vale ressaltar que a obra de Cora Coralina também nos mostra a vida simples dos becos e ruas históricas de Goiás Velho, a antiga capital do Estado.
O CÂNTICO DA TERRA                                            Cora Coralina


Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.

Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranquilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.

3 thoughts on “Uma lição de amor à Terra, na poesia criativa e simples de Cora Coralina

  1. 1) Ótima poetisa !

    2) Por falar em Terra… por enquanto os gafanhotos evitaram o Brasil, estão no Uruguai, espero que de lá sigam para o Oceano e se dispersem…

    3) Marcha do Gafanhoto
    Albertinho Fortuna

    Gafanhoto deu na minha roça
    Comeu, comeu toda a minha plantação
    Xô, gafanhoto, xô, xô!
    Deixa um pouco de agrião pro meu pulmão!

    Gafanhoto, isso não se faz
    Deixa a minha roça em paz!

    Minha verdura
    Gafanhoto comeu
    A rapadura
    Gafanhoto comeu

    Não há mais nabo nem quiabo
    Que diabo, não há couve!
    O que que houve?
    Gafanhoto comeu!

    https://www.letras.mus.br/albertinho-fortuna/marcha-do-gafanhoto/

    4) Gravada no carnaval de 1947.

Deixe uma resposta para Antonio Rocha Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *