Uma Lua branca que iluminava a criatividade de Chiquinha Gonzaga…

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Chiquinha Gonzaga era pioneira em tudo o que fazia

Paulo Peres
Poemas & Canções

A regente, pianista e compositora carioca Francisca Hedwiges de Lima Neves Gonzaga (1847-1935) invoca a verdade que a “Lua Branca concede abrigo ao amor, qual panaceia, para substituir o sofrimento que uma perda acarretou. A modinha Lua Branca faz parte do LP Ternas e Eternas Serestas lançado, em 1980, pela Atlantic/Wea.

LUA BRANCA
Chiquinha Gonzaga

Ó, lua branca de fulgor e desencanto
Se é verdade que ao amor tu dás abrigo
Vem tirar dos olhos meus o pranto
Ai, vem matar essa paixão que anda comigo
Ai, por quem és, desce do céu, ó, lua branca
Essa amargura do meu peito, ó, vem, arranca
Dá-me o luar de tua compaixão
Ó, vem, por Deus, iluminar meu coração
E quantas vezes lá no céu me aparecias
A brilhar em noite calma e constelada
E em tua luz então me surpreendias
Ajoelhado junto aos pés da minha amada
E ela a chorar, a soluçar, cheia de pejo
Vinha em seus lábios me ofertar um doce beijo
Ela partiu, me abandonou assim
Ó, lua branca, por quem és, tem dó de mim

4 thoughts on “Uma Lua branca que iluminava a criatividade de Chiquinha Gonzaga…

  1. 1) Por falar em Lua, na próxima quinta-feira 12 é Dia de Lua Cheia…

    2) Quinta, tambem é Dia de Nossa Senhora de Guadalupe, protetora de nossa sofrida América Latina. Valei-nos Mãe de Misericórdia !

    3) Hedwiges, no sobrenome da letrista acima, lembra o nome de Santa Edwiges.

    4) E hoje, 08/12, é Dia de Nossa Senhora da Conceição.

    5) Também hoje é Dia da Iluminação do Senhor Buda Sakyamuni

    6) Eu sei que o Estado é Laico, mas a TI é Independente !

  2. A compositora Chiquinha Gonzaga,  cuja vida anímica não cabia em sua tradição familiar e cultural rompeu pela esquerda com a Memória dos Freitas. Quando há esta ruptura, torna-se impossível regressar a esta memória e viver dentro de seus preceitos, e o indivíduo transgressor é obrigado a criar para si e para o mundo, redesenhar o universo para renomear as coisas, outros meios e métodos, outros paradigmas, outros ideais a serem perseguidos, outra maneira que lhe ajude a não sucumbir ao caos que decorre do abandono de padrões familiares, culturais, sócio-educativos pré-estabelecidos no decorrer e na construção feita por várias gerações suas ancestrais, cujo objetivo é “enquadrar” o rebanho e tornar possível a vida em sociedade (a mediocridade do enquadramento como rebanho é necessária, pois sem as normas inconscientes, as massas promoveriam a barbárie e a autodestruição: a Memória dos Freitas é uma necessidade humana, nesta pré-história do humanismo). Para os que rompem pela esquerda, criar passa a ser uma tarefa árdua e compulsória. Ah! esses príncipes e princesas da solidão!, mesmo que aparentemente acompanhados.

    O pai de Chiquinha Gonzada, um general, era contrário a que ela estudasse música e piano porque em sua época e cidade, os professores de música e piano viviam num cabaret , e o pai de Chiquinha a proibiu de aprender música. Chiquinha, decidida, foi estudar no cabaret (sem promiscuidade) e por isso foi expulsa para sempre de casa pelo pai. No cabaret aprimorou-se em piano e poesia, tornando-se uma pessoa imortal, pois é comemorada, conhecida, tocada em música e lembrada em seus versos até hoje, daí sua imortalidade. Mas do pai e do restante da família, ninguém se lembra sequer o nome destes. O pai de Chiquinha Gonzaga e o restante de sua família, ao contrário de Chiquinha, morreram mesmo !  Não são lembrados nem por seus descendentes.

    Quem desejar ler toda a matéria sobre este tipo de rompimento com a Memória dos Freitas pode acionar o link abaixo:

    http://port.pravda.ru/news/sociedade/cultura/08-11-2004/6449-0/

    • ” O pai de Chiquinha Gonzaga e o restante de sua família, ao contrário de Chiquinha, morreram mesmo ! Não são lembrados nem por seus descendentes.”
      Esta tirada é simplesmente mortal! E muita gente devia reflectir sobre isto, claro, se conseguissem a saida pela esquerda na MF. Mas sabemos que essa é a minoria. E só desde há pouco tempo tomei consciência de uma coisa que o senhor me disse quando discutíamos o caso Dora em 2008: que a moça se tinha precavido de algumas pessoas que a rodeavam por medo da inveja. Pois é… nunca é tarde para aprender.
      Grande eterno abraço

  3. INTERPRETAÇÃO DO POEMA “LUA BRANCA” , DE CHIQUINHA GONZAGA

    Ednei José Dutra de Freitas
    08/12/2019

    INTERPRETAÇÃO

    A lua branca representa a alma de Chiquinha Gonzaga, que possuía um misto de fulgor – sua propensão e encanto pela música e pela poesia – e de desencanto – com sua expulsão da vida em família, o que lhe causava profundo desencanto.

    Sendo a lua branca a sua alma, Chiquinha Gonzaga conseguia perceber o seu pendor artístico, que a compositora e poetisa metaforizava como “lua branca” era o que lhe dava abrigo, dada a sua criatividade, e era esta “lua branca” que viria para tirar de seus olhos o pranto e também para matar a paixão de estar impedida de conviver com sua família amada, e também viria para retirar-lhe do peito a amargura que sentia por esta enorme perda.

    Pede, em ritmo de oração, que esta sua “lua branca”, por compaixão, viesse por Deus a iluminar seu coração.

    Mal sabia Chiquinha Gonzaga que sua “lua branca” jamais iria abandoná-la, quando escreveu este poema, e também não sabia se a “lua branca” algum dia iria dela partir.

    Foram necessários alguns anos de emanações poéticas e musicais de seu próprio espírito para que Chiquinha Gonzaga recebesse o doce beijo provindo de sua “lua branca” : o reconhecimento público, em vida, que sua obra musical e suas poesias passaram a ser reconhecidas pelo público culto e erudito, que chegou até, além de tocar suas músicas em todos os recantos do Brasil – o que acontece até hoje – e, para coroar o beijo provindo de sua “lua branca”,

    Chiquinha Gonzaga foi homenageada e aclamada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, num camarote de luxo, para assistir os melhores cantores da época.

    Chiquinha Gonzaga quase idosa, vendo de seu camarote, cantores revezando-se no palco do Theatro Municipal para cantar tão somente as suas músicas, e com presença de um grande público, que a ovacionou todo o tempo.

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