Uma lua madura, colhida entre nuvens brancas, na poesia de Guimarães Rosa

TRIBUNA DA INTERNET | Uma manhã de esperança, na visão poética de ...Paulo Peres
Poemas & Canções
O médico, diplomata, romancista, contista e poeta João Guimarães Rosa (1908-1967), nascido em Cordisburgo (MG), é um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos, sendo o romance Grande Sertão: Veredas, em que ele qualifica como uma “autobiografia irracional”, a sua obra mais conhecida. Entretanto, Guimarães Rosa também enveredou pelos veios poéticos, e os versos de “Luar” revelam todo o poder que a lua exerce na imaginação, na criação e na inspiração do poeta.

LUAR
Guimarães Rosa

De brejo em brejo,
os sapos avisam:
–A lua surgiu!…

No alto da noite as estrelinhas piscam,
puxando fios,
e dançam nos fios
cachos de poetas.

A lua madura
Rola, desprendida,
por entre os musgos
das nuvens brancas…
Quem a colheu,
quem a arrancou
do caule longo
da via-láctea?…

Desliza solta…

Se lhe estenderes
tuas mãos brancas,
ela cairá… 

6 thoughts on “Uma lua madura, colhida entre nuvens brancas, na poesia de Guimarães Rosa

  1. SANCTUS LUDOVICUS

    Voa, voa passarinho
    Nos céus da Ilha do Amor
    Ameniza no bater das asas
    Este inclemente calor
    Pensa em voo na recompensa
    Da sombra dum sobrado antigo
    Daqueles que ao pôr do sol
    Os pássaros fazem abrigos

    Mar que delimita esta Ilha
    Espelho que as estrelas encanta
    Onde deslizam barcos e velas
    Sempre a nos levar a Alcântara
    Fatia patrimonial da história
    Bússola da nossa imaginação
    Retrato dum passado de glória
    O todo de uma civilização

    Núcleo de terra sagrada
    Onde o mar gira ao redor
    Refletindo no alto sobrado
    Os raios brilhantes do sol
    Iluminando o nosso passado
    Que tanto inspirou os poetas
    Dos velhos mirantes, às palmeiras
    Onde os sábias faziam serestas.

  2. Insistência
    —————

    Infinitas caricias te faço
    Ansioso para encontrar
    Um afeto em teu abraço
    Ou um brilho em teu olhar

    Tento de tudo, mas nada obtenho
    Mesmo se insisto, não te comovo
    De todo me dou, mas nunca te tenho
    E assim, desolado, tento de novo!

  3. Memória de um instante
    ——————————–

    Raios riscaram os céus
    O vento soprou sem rumo
    Estrondos ecoaram distante
    Era certo o fim do mundo!

    Mas do céu só caiu chuva
    Forte, abundante, ligeira
    Que tirou do barro seco
    O cheiro gostoso de poeira

    Ao fim, restou uma brisa fraca
    O sol no horizonte distante
    Nuvens por toda parte, esparsas
    E a memória de um instante!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *